Archive for the ‘Sem-categoria’ Category

Uma indicação de Jarbas Novelino Barato

fevereiro 2, 2015

Liberdade, liberdade

outubro 14, 2014

Congresso Internacional “50 ANOS DEPOIS E A NOVA AGENDA DA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO NO BRASIL”

março 6, 2014

congresso_golpe-militarA Universidade Católica de Pernambuco, por meio do Instituto Humanitas Unicap, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), entre outros importantes parceiros, irão promover o Congresso Internacional “50 ANOS DEPOIS E A NOVA AGENDA DA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO NO BRASIL” que será realizado entre os próximos dias 10 e 14 de março, no auditório Tabocas do Centro de Convenções em Olinda. O evento marca os 50 anos de acontecimentos históricos como o Golpe Militar de 1964, a chegada de Dom Helder Camara ao Recife e a deposição do então governador de Pernambuco Miguel Arraes, além dos 45 anos do assassinato do Padre Antônio Henrique Pereira.

Sobre o evento:

CONGRESSO INTERNACIONAL “50 ANOS DEPOIS E A NOVA AGENDA DA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO NO BRASIL”.
I Encontro Internacional de Membros do Ministério Público sobre Justiça de Transição
I Encontro Nacional da Rede Nacional das Clínicas do Testemunho
I Reunião da Rede Latino Americana de Justiça de Transição
I Workshop internacional sobre processos de memorialização
78ª Caravana da Anistia
VIII Reunião do IDEJUST
Local e data: Universidade Católica de Pernambuco – 10 a 14 de março de 2014

 Para informações completas sobre o Congresso, clique aqui

Da ditadura militar brasileira – artigo.

março 6, 2014

Da ditadura militar brasileira

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Até a década de 1990 existia um amplo consenso na esquerda brasileira em relação ao caráter do golpe e do regime implantado em 1964. Poucos questionavam que havíamos tido um golpe militar e que este, por sua vez, implantara uma ditadura militar. Contudo, vem crescendo o número daqueles que se utilizam livremente de termos como ‘golpe civil-militar’ e ‘ditadura civil-militar’. Essas fomulações, embora busquem captar a participação de setores não-militares no golpe e no governo que se formou, não dão conta das característica principais – das especificidades – do regime discricionário imperante no Brasil entre 1964 e 1985. Refiro-me a militarização da política e do Estado. É justamente disso que trataremos nesse artigo dividido em duas partes. Para ler a primeira parte do artigo clique aqui. Para ler a segunda parte clique aqui.

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2013 in review

janeiro 9, 2014

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 37,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 14 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

BOAS FESTAS!

dezembro 19, 2013

BOAS FESTAS!

Os números de 2012

dezembro 30, 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 62.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 3 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Os números de 2011

janeiro 1, 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Madison Square Garden, em Nova Iorque, senta 20.000 pessoas por concerto. Este blog foi visitado cerca de 64.000 vezes em 2011. Se fosse um concerto, eram precisos 3 eventos esgotados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

Menina Jesus

março 8, 2011

Tempos atrás, em comentário aqui no Arquivo68, mencionei a música Menina Jesus, de Tom Zé. Agora, destaco, em post sobre música engajada, essa obra do compositor e cantor baiano.

Tom Zé é um gênio, nem sempre reconhecido, com obra muito mais revolucionária que os badalados Caetano e Gil. Faz uma música engajada sutil, quase sempre com traços de humor e muita ironia.

Em 1968, na Maria Antônia ocupada (na verdade no auditório da Economia, que ficava num prédio da Rua Dr. Vila Nova), participei de encontro com Caetano, Gil, Dedé e Nana Caymi. No evento – uma das atividades que o comitê de cultura da ocupação organizou – rolaram músicas e conversas. Uma das coisas que nunca esqueci do acontecido na ocasião foi um papo do Caetano Veloso. Ele nos disse mais o menos o seguinte:

  • _ Não quero fazer música de protesto com letra forte e melodia bem comportada. Vocês ouvem, cantam e dançam certas músicas de protesto. A letra é esquecida. Fica o ritmo. Fica a melodia. Nada muda. A música quadrada não contesta, não incomoda. Eu quero incomodar. Por isso faço e farei músicas das quais vocês não gostarão. Vocês não poderão dançá-las. Para protestar é preciso contrariar o conforto musical de vocês (e da burguesia).

Logo depois dessa conversa, Caetano fez É Proibido Proibir. A obra, apresentada num festival, foi vaiada o tempo todo.

Até pouco tempo eu achava que a idéia de contestar musicalmente, contrariando velhas estruturas melódicas e rítmicas às quais nos acostumamos, era uma idéia original do Caetano Veloso. Sei agora que essa idéia não era dele. Era do Tom Zé. Não preciso me deter muito em argumentos sobre isso. A obra de um e outro, dos sessenta para cá, mostra bem quem de fato contestou mais. Tom Zé vence de goleada.

Menina Jesus é uma das músicas de Correio da Estação do Brás, belo álbum (LP), de 1978. Ela tem dois elementos contestatórios: título e conteúdo da letra. O título é feminista. Em vez de Menino Jesus, temos uma Menina. Tom Zé feminiza a divindade. Quando ouvi a música pela primeira vez esse detalhe me surpreendeu. O conteúdo fala de sonhos de um nordestino que migrou para o Sul Maravilha. Ele sonha ser cidadão. Suas declarações parecem ingênuas. Ele quer coisas pequenas, entre as quais “pagar imposto de renda” e “ter picolé na merenda”. Quando voltar para o norte quer chegar como vencedor, com óculos escuro e rádio de pilha a tiracolo. O humor e ironia de Tom Zé lembra Carlitos, lembra Cantinflas. A crítica aos valores da burguesia sulista é corrosiva.

Melhor que meus comentários é a letra. Aqui vai ela:

comentário:
O nordestino que vem tentar o Sul só pode visitar os seus quando tiver comprado três importantes
símbolos da civilização: um rádio de pilha, um relógio de pulso e um par de óculos escuros.

Valei-me, minha menina Jesus
minha menina Jesus
minha menina Jesus, valei-me.

Só volto lá a passeio
no gozo do meu recreio,
só volto lá quando puder
comprar uns óculos escuros.

Com um relógio de pulso
que marque hora e segundo,
um rádio de pilha novo
cantando coisas do mundo —
pra tocar.

Lá no jardim da cidade,
zombando dos acanhados.
dando inveja nos barbados
e suspiros nas mocinhas…

Porque pra plantar feijão
eu não volto mais pra lá
eu quero é ser Cinderela,
cantar na televisão…

Botar filho no colégio,
dar picolé na merenda.
viver bem civilizado,
pagar imposto de renda.

Ser eleitor registrado,
ter geladeira e tv,
carteira do ministério,
ter cic, ter rg.

Bença, mãe.
Deus te faça feliz
minha menina Jesus
e te leve pra casa em paz.

Eu fico aqui carregando
o peso da minha cruz
no meio dos automóveis,
mas

Vai, viaja, foge daqui
que a felicidade vai
atacar pela televisão

E vai felicitar, felicitar
felicitar, felicitar
felicitar até ninguém mais
respirar.

Acode, minha menina Jesus
minha menina Jesus
minha menina Jesus, acode.

Aqui vai interpretação belíssima de Menina Jesus, numa performance do Grupo de MPB da UFPR.

Para quem quiser ouvir a interpretação do próprio Tom Zé no registro do álbum Correio da Estação do Brás, segue vídeo no qual os produtores combinam imagens com a gravação original do artista.

Os Clandestinos: literatura engajada

fevereiro 12, 2011

Já colecionei muitas canções que podem ser incluídas na série de posts sobre música engajada proposta pelo Kuller. Mas, ao relacionar canções, comecei a pensar que outra fonte interessante de referência artística relativa à nossa geração (a afamada meia oito) poderia entrar na dança. Pensei na literatura engajada. E a primeira obra que me veio à mente foi Os Clandestinos, de Fernando Namora. Mais à frente comentarei o romance do grande escritor português e tentarei mostrar porque a obra escolhida tem tudo a ver com a idéia de literatura engajada e anos sessenta. Antes disso, convém delinear algumas considerações conceituais.

Literatura engajada é uma redundância. A grande arte sempre é engajada. Meu eventual companheiro de botequim nas noites de Ribeirão Preto, Isaias Pessotti, afirmaria com certeza que Eurípides escrevia na velha Atenas peças teatrais engajadas. [Aproveito a chance para recomendar o romance Aqueles Cães Malditos de Arquelau, obra do Isaías que homenageia Eurípides]. O mesmo vale para Cervantes ou qualquer outro clássico das letras. Mas, acho que literatura engajada aqui no Arquivo68 é algo mais limitado, ela deve ser reveladora dos modos de ser nos sessenta ou indicadora de leituras da nossa geração. No primeiro caso cabe, por exemplo, Batismo de Sangue, do Frei Beto. No segundo caso cabem obras atuais ou de outras épocas que fizeram a nossa cabeça. Acho que isso basta em termos de definição.

Devo ainda fazer outra consideração. Fernando Namora é um escritor que se via como um artista engajado. Em prefácio à 8ª edição de Casa da Malta, o romancista luso, ao considerar seu fluir na corrente do neo-realismo, define de várias maneiras como entende o engajamento do artista. Cito  trecho em que ele apresenta motivos do e para o engajamento de sua geração:

A guerra fez emergir, cruamente, realidades fundamentais, até aí escamoteadas: a pobreza, a servidão, as lavas de um poder corrupto; as massas tomavam a iniciativa de sua promoção, forçando os muros da indiferença burguesa, com a qual o artista pactuava; este tinha, enfim, o ensejo de denunciar os compromissos com as classes favorecidas e, desse modo, o ângulo da focagem dos problemas, como a sua expressão, haviam de ser outros. Em vez de sonhos e dramas de alguns, o artista era solicitado por uma realidade experimentada e sofrida pela maioria e esta descoberta estimuladora, cujo ardor mal doseado era uma espécie de rastilho da esperança, impelia a arte para temas em que pudesse exercer, com mais eficácia, o seu papel reivindicador.

Não posso deixar de citar mais um trecho do prefácio a Casa da Malta:

Bem sabemos que o artista, mesmo não se desviando do seu papel social libertador, supera gradualmente a realidade através de uma arte crítica, do lúcido conflito entre o real e a sua rejeição, tendo a beleza de permeio, na qual, portanto, os valores artísticos são cada vez mais ambicionados. Progredindo do rudimentar para o complexo, aprofundando o homem como ser gregário, equacionando as suas dúvidas sem o isolar de um todo social, o novo humanismo acompanha as ansiedades de cada homem, tradu-las, desperta-as, enquanto se dirige a todos os homens. Para tanto, não é necessário amesquinhar a arte nem recusar-lhe as seduções.

É interessante notar que o prefácio a Casa da Malta foi escrito em 1961. Assim, embora o romance seja dos distantes anos de 1940, o escritor mostra-a como obra engajada na década que é objeto das produções deste blog.

Vamos agora a Os Clandestinos. O romance foi publicado em 1972. A minha edição, publicada no Brasil pela antiga Globo, é de 1973. Namora levou um longo tempo para produzir Os Cladestinos. Começou-o em 1963 e terminou-o em 1971. Talvez não seja mera coincidência que a escrita do romance atravesse toda a década dos anos sessenta. Parece que as agitações da época têm a ver com a elaboração da obra.

Vasco, escultor e ex-militante aburguesado, vive aventuras com uma amante desvairada, devassa, liberada, Jacinta. Os encontros dos amantes são clandestinos, a princípio numa casa da periferia, depois num apartamento de classe média na cidade. Cada visita ao apartamento é um ato de clandestinidade para Vasco. Medo, desassossego, cuidados extremos para não se encontrar com qualquer conhecido nas cercanias são componentes de cada encontro. E mesmo no interior do apartamento, por imposição da dona do lugar, Bárbara, cuidados especiais são tomados para não despertar qualquer suspeita dos vizinhos. Além disso, em lugares e eventos públicos frequentados pelos amantes com suas famílias, medo e neurose acabam atormentando Vasco, receoso de que sua mulher, Maria Cristina, ou amigos percebam qualquer sinal daquela paixão proibida.

A clandestinidade dos amantes faz contraponto com narrativas da clandestinidade política de Vasco quando jovem. Os mesmos sentimentos e cuidados de amante se repetem na vida militante. Além disso,  a aventura amorosa do escultor vai despertando memórias de sua atuação política na resistência ao fascismo, nas manifestações, no partido, nas greves etc. Detalhes da militância de Vasco nos anos imediatos ao pós-guerra são muito familiares para quem militou na esquerda nos anos sessenta em nossa terra.

Vasco foi preso político. Em suas memórias revê sua prisão assim como a de companheiros. Interrogatórios intermináveis. Tortura. Receio de que algum companheiro não tenha sido forte o suficiente e entregou os demais. Medo de que certo companheiro fosse um traidor. Desfaçatez e violência dos esbirros da ditadura. Tudo isso vai aparecendo na narrativa das lembranças do escultor. Embora a prisão de Vasco tenha ocorrido no final dos anos quarenta, os detalhes parecem descrição viva da vida de militantes de esquerda nas prisões da ditadura militar no Brasil.

No romance, Vasco lembra-se de eventos na prisão que talvez tenham com base fatos reais. A valentia de Chico Mouro, que apesar de torturas imensas continua a desafiar seus algozes, guarda certa relação com o comportamento de muitos presos políticos nos porões das prisões fascistas de Portugal ou do Brasil. Cabe notar que, apesar da crueldade das torturas, lá e aqui eram raros os companheiros que traíam os demais. Cabe notar, também,  que os torturadores muitas vezes não estavam à procura de informação, estavam sim tentando desumanizar os prisioneiros,anular sua identidade. Fernando Namora descreve a psicologia da tortura, tanto a de torturados como a de torturadores, de uma maneira magistral. Não consigo passar aqui toda a dramaticidade com que ele faz isso.

Os Cladestinos parece um retrato de nossa vida nos anos sessenta. Quem militou na época, ao ler o romance, sentirá que o mesmo parece estar a descrever uma parte de sua vida. Quem  não foi militante naquela época ou nasceu anos depois tem no romance de Namora uma referência dramática que pode ajudá-lo a entender sentimentos da geração dos anos de 1960.

Uma palavra final: o romance de Fernado Namora é também uma obra que pinta o aburgesamento de uma geração lutadora. Artistas, escritores, profissionais liberais, empresários que militaram no passado mudaram muito. Ao mesmo tempo, em algumas situações podem revelar sentimentos que pareciam mortos, voltam a uma vida militante.

Recomendo leitura de Os Clandestinos. Recomendo leitura de outras obras de Fernando Namora. É literatura engajada no sentido que a entendo na relação entre produção artística e valores da esquerda nos anos sessenta.