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Prefeitura de Ibiúna faz homenagem a ex-presos políticos

março 31, 2010

Prefeitura de Ibiúna faz homenagem a ex-presos políticos

O Sábado ensolarado do último 20 de Março nada se assemelhava com a manhã do dia 12 de outubro de 1968. Naquela ocasião, amanhecia a “pequena e pacata Ibiúna”, uma cidade com menos de 5000 habitantes, que presenciou dezenas de caminhões, ônibus e um contingente armado invadir o Sítio Murundu, a 18 Km do centro da cidade, para prender 720 estudantes que realizavam o 30o Congresso da União Nacional do Estudantes (UNE).

Colocada na ilegalidade desde o golpe que implantou a tirania da ditadura militar, o congresso clandestino foi o caminho encontrado pelos estudantes, que lutavam por liberdade, por um regime democrático e por um ensino de qualidade no nosso país, para discutir ações e elegera diretoria da UNE para aquela gestão.

Quase 42 anos separam a prisão dos estudantes da justa homenagem que a Prefeitura de Ibiúna decidiu realizar para deixar a história viva.

“Este monumento é um compromisso com a História, daqui a lembrança jamais sairá” declarou o Prefeito Coiti Muramatsu. A iniciativa da Prefeitura contou o apoio daa Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

O monumento, da artista plástica Cristina Pozobon, possui painéis com as fotos de estudantes mortos na época da ditadura e a lista com os nomes dos estudantes presos durante o Congresso. Entre alguns nomes dessa relação estão: José Dirceu, Jean Marc, Luis Travassos e Leopoldo Paulino.

O monumento, da artista plástica Cristina Pozobon, possui painéis com as fotos de estudantes mortos na época da ditadura e a lista com os nomes dos estudantes presos durante o Congresso.

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O que resta da ditadura

março 15, 2010

por Gilberto Costa

Vladimir Safatle: certos setores da sociedade querem apagar a ditadura da história do Brasil

Após a Segunda Guerra Mundial, os judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história, no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram condenados e o episódio marca a pior lembrança da humanidade.

Crimes cometidos em outros momentos de exceção também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, em Ruanda, na Argentina, no Uruguai e Paraguai.

Para filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas: o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes políticos, foi a julgamento e preso.

Em março, será lançado o livro O Que Resta da Ditadura (editora Boitempo), organizado por Safatle e Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se alimenta no Brasil. Para Safatle,o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar (1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três Poderes.

Leia entrevista com os organizadores em Página 45 e Página 46