Archive for the ‘atos de resistência’ Category

Há 45 anos, a passeata dos 100 mil no Rio.

junho 26, 2013

A passeata dos 100 mil, no Rio de Janeiro e as opiniões de vários participantes sobre as manifestações do presente.

100mil

O povo é quem mais ordena

abril 25, 2009

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A Revolução dos cravos chega aos 35 anos. Certamente muita gente já a esqueceu. Quem viu Portugal antes e depois sabe quanta mudança houve. Vamos comemorar este 25 de abril ou com um cravo na lapela ou cantando Grandola Vila Morena.

Márcio Moreira Alves: uma homenagem

abril 6, 2009

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O Dia que Não Existiu

O Dia que Não Existiu, produzido pela TV Cultura e TV Câmara, resultado do trabalho de mais de 200 pessoas, “é uma homenagem a todos os brasileiros atingidos pelas medidas de exceção”.

Apresentamos a parte inicial do vídeo( 6 minutos), com o discurso do deputado Marcio Moreira Alves às vésperas do dia sete de setembro, que levou o Ministro da Justiça a solicitar ao Congresso Nacional autorização para processá-lo.

Com direção geral de Paulo Markun e direção artística de Adélia Sampaio, o trabalho, com uma hora de duração, documenta o período que antecedeu ao anúncio oficial do Ato Institucional N° 5, através de imagens e entrevistas históricas.

Resgata, com a participação de atores (Márcio é representado pelo ator Maurício Branco), o que aconteceu no dia 12 de dezembro de 1968, quando a grande maioria da Câmara dos Deputados votou contra o pedido do Ministério da Justiça para processar Marcio Moreira Alves.

Denuncia, ainda, que o dia 12 de dezembro de 1968 quase foi apagado da história da Casa e do país. A sessão não consta do livro de atas das reuniões da Câmara, mas as notas taquigráficas do que ocorreu foram preservadas por funcionários zelosos.

Assista o vídeo, com trecho do filme que reproduz o famoso discurso.
Clique aqui

Ato contra a ditabranda

março 6, 2009

 

Você corta um verso

Eu escrevo outro.
Você me prende vivo

Eu escapo morto.
De repente, olha eu de novo.

Perturbando a paz
Exigindo o troco.”
(Pesadelo – Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

Só para não esquecer que a dita também foi "branda "com os jornalistas.

  

Dentre as muitas manifestações contra o editorial da Folha de São Paulo, para acompanhar o convite para o ato público contra a Ditabranda, escolhemos, por suscinto e adequado ao espírito de 68, o do Fupoca – Futebol, Política e Cachaça, cujo original pode ser visto em A ditabranda do Otavinho na Folha de S.Paulo.

Em 18 de fevereiro, a Folha de S.Paulo, mais uma vez, soltou um editorial raivoso contra Chavez chamando-o de ditador etc… pelo resultado do plebiscito em que poderá se reeleger quantas vezes quiser (e o povo deixar, óbvio). Até aí nada demais, Estadão e o Globo fazem o mesmo cotidianamente.

O pior foi a comparação: “Mas, se as chamadas “ditabrandas”  -caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça -, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.”

Ok, dá vontade de perguntar ao Otavinho (publisher do jornal) quem mais chama de Ditabranda a ditadura brasileira. Até onde sei, a Folha inventou essa agora. 

Não vou me estender muito em comentários, mas publicar as cartas enviadas pelos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, por coincidência dois personagens que já entrevistei e dos quais tenho as melhoes impressões possíveis.

Cartas

Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP) ”

O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.” FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP) 

Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa. 

Dizer que as indignações de Comparato e Benevides são obviamente cínicas e mentirosas… O que foi então esse editorial e a resposta da Folha, que não teriam saído sem a aprovação do dono do jornal, ou seja, Otávio Frias Filho?

Cabem as perguntas, o que eles beberam, fumaram ou cheiraram antes de tanta bobagem? Essas acho que nem Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi publicariam na Veja. Ou publicariam?

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Por fredi às 10:27

Mais sobre Ditadura, Folha de S.Paulo, Fábio Konder Comparato, Maria Victoria Benevides, Otavio Frias Filho

 

Para quem quiser ouvir Pesadelo, postamos um vídeo recente do MPB4:

Zumbi de Palmares

novembro 20, 2008

zumbi

por Eduardo Galeano

20 de novembro de1695
Serra Dois Irmãos

Zumbi

Profundezas da paisagem, funduras da alma. Fuma cachimbo Zumbi, perdido o olhar nas altas pedras vermelhas e nas grutas abertas como feridas, e não vê que nasce o dia com luz inimiga nem vê que fogem os pássaros, assustados, em revoadas.

Não vê que chega o traidor. Vê que chega o companheiro, Antônio Soares, e se levanta e o abraça. Antônio Soares afunda várias vezes o punhal em suas costas.

Os soldados cravam a cabeça na ponta de uma lança e a levam para Recife, para que apodreça na praça e os escravos aprendam que Zumbi não é imortal.

Já não respira Palmares. Tinha durado um século e tinha resistido a mais de quarenta invasões este amplo espaço de liberdade aberto na América colonial. O vento levou as cinzas dos baluartes negros de Macacos e Subupira, Dambrabanga e Obenga, Tabocas e Arotirene.

Para os vencedores, o século de Palmares se reduz ao instante das punhaladas que acabaram com Zumbi. Cairá a noite e nada ficará debaixo das frias estrelas. Mas, que sabe a vigília comparado com o que sabe o sonho?

Sonham os vencidos com Zumbi; e o sonho sabe que enquanto nestas terras um homem seja dono de outro homem, andará o seu fantasma. Mancando andará, porque Zumbi era manco por culpa de uma bala; andará tempo acima e tempo abaixo e mancando lutará nestas selvas de palmeiras e em todas as terras do Brasil. Se chamarão Zumbi os chefes das incessantes rebeliões negras.

20 de novembro DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Uma carta de Betinho para Maria

setembro 21, 2008

Procurando na Internet algum fato relevante ocorrido em 21 de setembro de 1968, não encontrei nenhum. Quarenta anos atrás, parece que esse foi um dia tranqüilo. Nada agitou a superfície dos acontecimentos de forma a virar notícia. Mas, como quem procura sempre acha, durante a pesquisa garimpei algo mais precioso: uma carta de Betinho para sua esposa Maria, que foi escrita para ser lida só depois de sua morte. 

Betinho foi mais que uma exemplo de ser humano. Foi um símbolo da resistência e, depois, da luta contra a pobreza e a fome. Nos tempos de chumbo, a primeira notícia sobre ele veio em forma de música. A cancão O Bêbado e o Equilibrista falava do sonho da volta do irmão do Henfil. Para recordar:

Betinho era o irmão do Henfil. Henfil era o humorista e o cartunista que buscávamos sempre no Pasquim. Para mim, depois do lançamento da música, Betinho era o personagem que reunia em si todas as ânsias pelo fim da ditadura e as esperanças pela volta da democracia. A volta do irmão do Henfil era símbolo  da volta da liberdade.

Um dia, Herbet de Souza voltou. Um dia nos encontramos através de amigos comuns, alguns dos quais estiveram com ele no Canadá. Fomos, mesmo a distância, parceiros em um projeto de cooperativa de trabalho. Deixou saudades.

Acho que Uma Carta para Maria, que reproduzimos a seguir, fala do homem que ele era. Homens assim fazem falta ao país. Fazem falta a cada um de nós. Deixam-nos carentes do exemplo pessoal, que efetivamente nos educa e nos faz querer ser melhores. Não deixe de ler.

Carta escrita por Herbert de Souza (o Betinho) para sua mulher Maria e lida, um ano após sua morte, pelo ator Jonas Bloch, durante a cerimônia no CCBB:

“Este texto é para Maria ler depois da minha morte que, segundo meus cálculos, não deve demorar muito. É uma declaração de amor.
Não tenho pressa em morrer, assim como não tenho pressa em terminar esta carta. Vou voltar a ela quantas vezes puder e trabalhar com carinho e cuidado cada palavra. Uma carta para Maria tem que ter todos os cuidados.  Não quero triste, quero fazer dela também um pedaço de vida pela via de lembrança que é a nossa eternidade.

Nos conhecemos nas reuniões de AP (Ação Popular), em 1970, em pleno Maoísmo. Havia uma clima de sectarismo e medo nada propício para o amor.

Antes de me aventurar andei fazendo umas sondagens e os sinais eram animadores, apesar de misteriosos. Mas tínhamos que começar o namoro de alguma forma. Foi no ônibus da Vila das Belezas, em São Paulo. Saímos em direção ao fim da linha como quem busca um começo. E aí veio o primeiro beijo, sem jeito, espremido, mas gostoso, um beijo público. A barreira da distância estava rompida para dar começo a uma relação que já completou 26 anos!

O Maoísmo estava na China, nosso amor na São João. Era muito mais forte que qualquer ideologia. Era a vida em nós, tão sacrificada na clandestinidade sem sentido e sem futuro. Fomos viver em um quarto e cozinha, minúsculos, nos fundos de uma casa pobre, perto da Igreja da Penha. No lugar cabia nossa cama, uma mesinha, coisas de cozinha e nada mais. Mas como fizemos amor naquele tempo! Foi incrível e seguramente nunca tivemos tanto prazer.

Tempos de chumbo, de medo, de susto e insegurança. Medo de dia, amor de noite. Assim vivemos por quase um ano. Até que tudo começou a “cair”.   Prisões, torturas, polícia por toda a parte, o inferno na nossa frente.  Fomos para o Chile. E ali, chamado por Garcez para elaborar textos, acabei no agrado de Allende, que os usou em seus discursos oficiais. Foi a primeira vez que eu vi amor virar discurso politico…

Depois passamos por muita coisa até voltar. Até que a anistia chegou e nos surpreendeu. E agora, o que fazer com o Brasil?

Foi um turbilhão de emoções: o sonho virou realidade!  Era verdade, o Brasil era nosso de novo. A primeira coisa foi comer tudo que não havíamos comido no exílio: angu! com galinha ao molho pardo, quiabo com carne moída, chuchu com maxixe, abóbora, cozido, feijoada.  Um festival de saudades culinárias, um reencontro com o Brasil pela boca.

Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Henrique surgindo de dentro de você. Emoção sem fim e sem limite que me fez reencontrar a infância.

Depois do exílio, nossas vidas pareciam bem normais. Trabalhávamos; viajávamos nas férias, visitávamos os amigos, o Ibase funcionava, até a hemofilia parecia que havia dado uma trégua. Henrique crescia, Daniel aos poucos se reaproximava de mim, já como filho e amigo.

Mas como uma tragédia que vem às cegas e entra pelas nossas vidas, estávamos diante do que nunca esperei. A Aids. Em 1985, surge a notícia da epidemia que atingia homossexuais, drogados e hemofílicos. O pânico foi geral. Eu, é claro, havia entrado nessa. Não bastava ter nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico.

Era necessário entrar na onda mundial, na praga do século, mortal, definitiva, sem cura, sem futuro e fatal. E foi aí que você, mais do que nunca, revelou que é capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando tudo e com um grande carinho e cuidado. A Aids selou um amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo apesar de tudo, o beijo, o carinho e a sensualidade.

Assumi publicamente minha condição de soropositivo e você me acompanhou. Nunca pôs um “senão” ou um comentário sobre cuidados necessários. Deu a mão e seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi. Desde os tempos do cólera, da não esperança, da morte do Henfil e Chico, passando pelas crises que beiravam a morte até o coquetel que reabria as esperanças.  Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver.

Um dos maiores problemas da Aids é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes ou não se deve correr riscos com a pessoa amada? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma ou duas camisinhas até sexo nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo risco.

Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse normal viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher, vivendo a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz. Viver é muito mais que fazer sexo. Mas para se viver isso, é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz dessa metamorfose como foi.

Para se falar de uma pessoa com total liberdade é necessário que uma esteja morta e eu sei que este será o meu caso. Irei ao meu enterro sem grandes penas e  principalmente sem trabalho, carregado. Não tenho curiosidade para saber quando, mas sei que não demora muito.
 
Quero morrer em paz, na cama, sem dor, com Maria do meu lado e sem muitos amigos, porque a morte não é ocasião para se chorar, mas para celebrar um fim, uma história. Tenho muita pena das pessoas que morrem sozinhas ou mal acompanhadas, é morrer muitas vezes em uma só. Morrer sem o outro é partir sozinho. O olhar do outro é que te faz viver e descansar em paz. O ideal é que pudesse morrer na minha cama e sem dor, tomando um saquê gelado, um bom vinho português ou uma cerveja gelada.Te amo para sempre,    

Betinho,
Itatiaia, janeiro de 1997″
Para mais um pouco de Betinho:

O Congresso da UNE em Ibiúna

setembro 17, 2008

por Nelson Piletti

Meados de outubro de 1968. Apesar de proibida de funcionar pela ditadura militar, que mandara incendiar sua sede no Rio de Janeiro, logo após o golpe de 1º. de abril de 1964, a União Nacional dos Estudantes(UNE) realiza o XXX Congresso num sítio do Bairro dos Alves, a uns vinte quilômetros do centro de Ibiúna pela estrada de São Sebastião.

O local é de difícil acesso. Juntamente com dois colegas, representando os universitários de Caxias do Sul, cheguei em São Paulo na manhã de terça-feira, viajei para o encontro marcado numa praça de Sorocaba, voltei para São Paulo, instalando-me num alojamento da USP, onde fiquei até a noite de quarta-feira, participando de reuniões e manifestações contra a ditadura, sob a constante ameaça da polícia e do exército, que depois acaba acontecendo.

Na noite de quarta-feira, assim como nas noites anteriores, carros particulares conduziam estudantes até uma certa altura da Rodovia Raposo Tavares.

De lá, na carroceria de caminhões, fomos até o Bairro dos Alves, percorrendo a pé os últimos quilômetros até o sítio do Congresso, onde chegamos na quinta pela manhã.

As instalações eram extremamente precárias: um acampamento de lona para as assembléias, um galpão onde uns poucos podiam dormir em sistema de revezamento – a maioria dormia no local das assembléias onde não se podia entrar sem tirar os calçados, já que chovia muito, o barro era abundante e o chão também havia sido revestido com lona – um chiqueirão desativado que servia de cozinha.

E lá estávamos cerca de mil estudantes de todo o Brasil – algumas delegações, duas ou três, nem conseguiram chegar – sem a mínima infra-estrutura de alimentação, alojamento, higiene.

No sábado, finalmente, após um difícil e prolongado processo de credenciamento, o Congresso teria início. Mas, quando acordamos, por volta das sete horas, vimo-nos cercados por mais de 250 policiais fortemente armados, dando tiros para o alto.

Todos presos, cada um procurando seus calçados num enorme monte – a maioria vestindo o que dava certo nos pés – colocados em fila indiana, marchamos até os ônibus e caminhões da polícia na estrada de São Sebastião, formando um comboio que nos levaria até o presídio Tiradentes no centro de São Paulo, que posteriormente foi demolido.

Em cada centro populacional – Ibiúna, Vargem Grande, Cotia – os veículos circulavam pelo centro para que a população visse os “facínoras” subversivos aprisionados no que foi considerada uma grande vitória do governo militar.

No presídio Tiradentes, onde chegamos por volta das sete da tarde, fiquei instalado numa cela de aproximadamente 3×6 metros com mais de 66 colegas. Num canto, uma torneira e um buraco no chão para as necessidades.

Para comer a gororoba servida num grande panelão, muitos usavam a carteirinha de estudante, outros o cabo da escova de dentes, previamente aquecido e amassado, outros, ainda, simplesmente as mãos.

Após uma semana de interrogatórios, a maioria dos estudantes foram levados presos para seus Estados, algumas delegações foram liberadas em São Paulo mesmo e cerca de 70, considerados os líderes, permaneceram presos.

Entre esses estava José Dirceu, então presidente da União Estadual dos Estudantes(UEE) de São Paulo e organizador do Congresso que, posteriormente seria banido do Brasil em troca da libertação do embaixador dos EUA, seqüestrado com o objetivo de obter a soltura de presos políticos. Hoje, muitos participantes do Congresso de Ibiúna ocupam posições de destaque na política, na economia, na cultura do país. Vinte anos depois, em 1988, eu próprio fui candidato a prefeito de Ibiúna.

O que significa, entre outras coisas, que o mundo gira, a história é dinâmica. Com o tempo as posições podem se inverter. Nas palavras de Harold Pinter, Nobel de Literatura de 2005, “nada é absolutamente falso nem absolutamente verdadeiro”.

Só para citar um de nossos maiores escritores, Guimarães Rosa, “natureza da gente não cabe em nenhuma certeza. (…) Esta vida está cheia de ocultos caminhos”.

Originalmente publicado no jornal A VOZ DE IBIÚNA

O discurso de Márcio Moreira Alves

setembro 6, 2008

O dia 6 de setembro de 1968 foi determinante para o início dos “anos de chumbo”. Postamos a seguir um vídeo que contém parte do discurso de Márcio Moreira Alves, que, ao criticar a invasão da Universidade de Brasília, em 30 de agosto,  prega o boicote das mulheres aos desfiles de 7 de setembro. O vídeo inclui um depoimento mais recente de Márcio a respeito da peça teatral que inspirou a fala. Mais um exemplo de como, em 1968, política e cultura andavam juntas.

Em reação ao discurso, os militares solicitaram à Câmara dos Deputados licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves. Em 12 de dezembro, a Câmara, surpreedentemente, recusou o pedido. A recusa abriu caminho para o AI5. Para complementar, postamos outro vídeo que relata esses acontecimentos.

Mais tarde, Chico Buarque de Holanda criou “Mulheres de Atenas”. Mas, isso já é outra história. Ou, não?

O PASQUIM

setembro 3, 2008

Procurando informações sobre O pasquim, deparei com o blog do Senhor Lázaro Barreto-74 anos, lá de Divinópolis-MG, onde ele comenta sobre sua coleção de O PASQUIM e analisa com lucidez e riqueza de informações o papel do hebdomanário, surgido na década de 60, que foi um símbolo de resistência à censura da ditadura militar.

Imediatamente enviei a ele um e-mail pedindo autorização para publicar a matéria aqui. Ele ainda não me respondeu, mas tenho a certeza que irá autorizar, então me adianto e publico o material mesmo assim. Se ele passar por aqui e decidir o contrário é só nos avisar que retiramos a matéria imediatamente. (Antonio Morales)

Minha Coleção do Hebdomanário PASQUIM

por Lázaro Barreto

Publicado por mais de 20 anos e distribuido semanalmente em todo país, o tablóide PASQUIM é o ponto alto da história do humorismo brasileiro veiculado através da imprensa escrita de ampla divulgação, alcançando culturalmente tanto a elite como a classe proletária, agindo não só como recreação instrutiva de alto teor estético como no papel de um posto avançado de defesa das liberdades democráticas e de combate (driblando a espessa e compacta censura oficial da época) aos casuísmos e arbitrariedades do absolutismo ditatorial implantado através do golpe militar do fatídico primeiro de abril de 1964, que durou enquanto pôde, até os primeiros anos da década de 80.

Para ler a matéria completa acessem a Página 36 ou o blog do Senhor Lázaro Barreto.

O Fim da Primavera de Praga

agosto 19, 2008

Quarenta anos atrás, terminava a Primavera de Praga. “A Tchecoslováquia foi invadida por tropas soviéticas, em 20 de agosto de 1968. As reformas instaladas no país representavam, aos olhos do governo soviético, uma ameaça ao bloco socialista e à possível criação de uma nação capitalista incrustada no Leste Europeu.

 

Os tanques tomaram a capital Praga e, ao invés de encontrarem tropas armadas e resistentes, depararam-se com uma grande massa de civis inconformados com a ação autoritária da União Soviética. Muitos se deitavam na frente dos tanques, conversavam com os soldados pedindo sua retirada, outros pichavam ironias contra a invasão soviética e alguns transmitiam os eventos do acontecido via rádio.

Os mais exaltados tentaram entrar em confronto lançando pedras e coquetéis Molotov contra os tanques. O embate com as tropas soviéticas deixou um saldo de 72 mortos e 702 feridos” (Rainer de Souza, em Primavera de Praga).

Para quem quiser mais infomações sobre o tema, postamos em Páginas 34 – O trágico fracasso da Primavera de Praga, artigo de Jan Puhl, do  Der Spiegel.