Posts Tagged ‘ditadura’

Documentos revelados – arquivos da ditadura

maio 4, 2015

documentos_revelados

Acervo de cerca de 80 mil documentos dos arquivo da ditadura de 1964 e das organizações da Resistência. Para acessar clique aqui

   

Moralismo capenga

março 12, 2014

Moralismo capenga
O combate à corrupção foi palavra de ordem durante a ditadura. Nos porões do regime, porém, a ilegalidade prevaleceu.Combater a corrupção e derrotar o comunismo: esses eram os principais objetivos que fermentavam os discursos nos quartéis, às vésperas do golpe que derrubou o governo João Goulart, em março de 1964.

A noção de corrupção dos militares sempre esteve identificada com uma desonestidade específica: o mau trato do dinheiro público. Reduzia-se a furto. Na perspectiva da caserna, corrupção era resultado dos vícios produzidos por uma vida política de baixa qualidade moral e vinha associada, às vésperas do golpe, ao comportamento viciado dos políticos diretamente vinculados ao regime nacional-desenvolvimentista.(Heloisa Maria Murgel Starling).

Para ler a matéria completa clique aqui.

Uma longa viagem

junho 16, 2013

Arquivo 68 indica:

A história de três irmãos. A linha dramática é dada pela história do caçula (Caio Blat), que vai para Londres em 1969, mandado pela família para que ele não entrasse na luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã. Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, ele escreve cartas. Em contraponto à entrevista e às cartas, os comentários em off da irmã, presa política que virou uma artista reconhecida e viaja pelo mundo, quase num processo inverso ao vivido pelo irmão, que de viajante livre foi obrigado a enfrentar algumas internações em hospitais psiquiátricos. No fundo, é um documentário que trabalha sobre a memória. Não somente pela forma como é feita a investigação, mas também sobre o que motivou o filme: a morte do terceiro irmão.

O filme está disponível para ser baixado via torrent em:

Filmes Brazukas

Ecos da ditadura

maio 28, 2013

Execução sumária na ditadura vem a público oficialmente

Em depoimento que terminou às altas horas desta quinta-feira(15/05/2013), o ex-agente da repressão Valdemar Martins de Oliveira falou durante a audiência pública realizada da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. Ex-paraquedista, Valdemar disse a Rodrigo Vianna, em reportagem exclusiva veiculada nessa quarta-feira 15 pelo Jornal da Record, que abandonou o Exército brasileiro por discordar de torturas e assassinatos cometidos pelos militares contra militantes políticos que se opunham à ditadura. Valdemar foi testemunha do assassinato do casal Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab, em 1968, no Rio de Janeiro.

valdemar-oliveiraO ex-soldado Valdemar Martins de Oliveira fala à Comissão da Verdade de SP sobre a morte do casal Catarina Helena Abi-Eçab e João Antônio Santos Abi-Eçab, em novembro de 1968

A matéria completa pode ser lida clicando aqui

Taiguara e os anos de chumbo

novembro 21, 2012
“Taiguara, no show “Treze Outubros”, conta uma anedota, embora divertida, sobre seu contato com umas das censoras nos tristes tempos ds ditadura. – o relato se refere a cancao “Nova York” – algo que o clip nao permite deixar exatamente claro. O incomodo em questao, e’ a presenca da palava “Policia”, entres as outras “po” e “poluicao”.
Citando a necessidade de preservar o recurso poetico sendo utilizado, a aliteracao, Taiguara sugere canta-la entao em na lingua Inglesa – desde que a letra da cancao de fato se refere a cidade de Nova Yorque – e a censora permite que assim a cancao “passe”; embora foneticamente o trecho, mesmo com a palavra registrada em ingles, possui o mesmo som que o original “o po, a policia (*police e a) e a poluicao” – proporcionando assim, o mesmo obvio resultado.

Após o relato, Taiguara, ao piano, canta a bela “Que as criancas cantem livres”.(Comentários de quem postou o vídeo)

1964 foi amanhã

abril 18, 2012

Fernanda Pompeu*

Eu tinha oito anos, quando policiais invadiram a minha casa e levaram meu pai preso. Essa foi a primeira vez que ouvi falar do golpe militar. A partir desse dia, e por mais de vinte anos, a ditadura faria parte da minha vida e da minha família.

Passados quarenta e oito anos, eu adoraria não voltar a essa cena. Fazer uma página virada do folhetim de autoritarismo, repressão, censura, mau humor, e muita burrice. Adoraria não escrever mais nada sobre 1964.

Mas o problema é que a conta não fecha. A imagem é horrível, mas verdadeira: o sangue daquela época não estanca. Porque os ossos da maioria dos desaparecidos ainda não apareceram. Porque as circunstâncias de várias mortes não foram elucidadas. Porque torturadores devidamente reconhecidos seguem de boa.

A simples menção à abertura de arquivos, comissão da verdade, responsabilização faz tremer parte da sociedade. Freud, se vivo, adoraria estudar os brasileiros. A gente, muitas vezes, detesta revisitar nossa vergonha e brutalidade.

Passar a borracha na história ruim é o nosso esporte preferido. Ganha até do futebol. Então para que falar dos séculos de escravidão, mesmo que eles tenham deixado como herança metade da população empobrecida e humilhada?

Para que falar da ditadura militar, mesmo que ela tenha deixado como herança temas-tabus, corpos insepultos, torturadores impunes, histórias mal contadas? Para que voltar e voltar ao passado?

O fato é que a ditadura acabou, mas seus reflexos ainda não. Talvez só termine quando morrer a última pessoa que lembre dessa época. A garotada de trinta anos pode achar que 1964 é coisa de livro de história. Mas seus pais sabem que não. No mínimo, eles foram expostos a uma cultura autoritária, a informações controladas, ao medo de sirenes e fardas.

É claro que o Brasil mudou. Inegável que as transformações foram rápidas e indiscutíveis. Afirmaram-se vários movimentos e atores políticos. Vejam os movimentos de mulheres, dos negros, dos sem-terra. Vejam os LGBTs, as pessoas com deficiência, os blogueiros e blogueiras.

Temos a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, a Secretaria de Mulheres, o Estatuto da Criança e do Adolescente. Temos uma presidenta da República e uma presidenta na Petrobrás. Um outro Brasil? Ainda não. Falta encarar o espelho. Falta pegar o caderninho ou o tablet, e passar a limpo as dívidas históricas. Uma tarefa que eu e você somos capazes de fazer.

*fernanda pompeu, escritora e redatora freelancer, colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas a coluna Observatório da Esquina. Ilustração de Carvall, especial para o texto

Publicado originalmente no blog Nota de Rodapé

FAFI Rio Claro – Anos 60 – Abilio Clemente Filho: DESAPARECIDO

março 28, 2012

Abílio Clemente Filho – jovem negro, de família pobre, caçula de uma prole de nove filhos, estudioso e trabalhador. Paulistano, morava na cidade de Rio Claro por ser aluno da FAFI (atual Unesp/Rio Claro) no curso de Ciências Sociais.

Rapaz muito inteligente, logo se engajou na luta estudantil. Foi revisor do Jornal Diário, escreveu para as Revistas da FAFI, ministrava aulas no cursinho gratuito mantido pelos alunos da Faculdade.

Abílio mantinha uma vida repleta de tarefas e de compromissos com a sociedade. Sumiu misteriosamente em um passeio pela cidade de Santos, em 10 de Abril de 1971, e somente em 02 de Agosto de 2006 foi concluído o processo sobre seu desaparecimento e morte por questões políticas. Veja o vídeo:

Originalmente publicado em Memória Viva

Conversas com Mr. DOPS

fevereiro 11, 2012

Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o “doutor Paulo”, delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, “o melhor departamento de polícia da América Latina”, não se cansa de repetir.“O DOPS era um órgão de inteligência policial, fazíamos o levantamento de todo e qualquer cidadão que tivesse alguma coisa contra o governo, chegamos a ter fichas de 200 mil pessoas durante a revolução”, diz, referindo-se ao golpe militar de 1964, que deu origem aos 20 anos de ditadura no Brasil.

Matéria originalmente publicada no blog Agência Pública. Para lê-la na íntegra clique aqui

Imprensa Golpista – para entender o que é o PIG.

janeiro 4, 2012

Este vídeo foi produzido com trechos de editoriais de jornais brasileiros logo após o golpe militar de 1º de abril de 1964. Baseado na postagem de Cristiano Freitas Cezar no blog Crítica Midiática:

Na década de 60 não existia esse apelido – PIG(Partido da Imprensa Golpista) – contudo ele já existia de fato e teve participação decisiva no Golpe Civil/Militar que nos “presenteou” com uma ditadura por mais de 20 anos.

Em Câmara Lenta

maio 9, 2011

Em 1977, a Alfa-Omega, uma editora de oposição ao regime militar, publicou Em Câmara Lenta, de Renato Tapajós. Foi a primeira obra nacional, produzida por um escritor que atuou em um grupo da esquerda armada, a trazer uma reflexão crítica sobre as estratégias da guerrilha e a denunciar o emprego brutal da tortura pela repressão. O autor participara da Ala Vermelha, um agrupamento urbano de influência maoísta que empreendeu ações armadas, e por isso cumpriu pena de 1969 a 1974.

Divulgado por todo o Brasil, o livro despertou a fúria de setores conservadores e levou a um episódio inusitado: em julho de 1977 Tapajós foi preso em São Paulo e ficou dez dias incomunicável, sob a acusação de que Em Câmara lenta era “instrumento de guerra revolucionária”. Isso apesar de o livro não ter sido proibido e não ter, do ponto de vista legal, nenhum empecilho à sua circulação.

Somente 15 dias depos da prisão de Tapajós, a obra foi censurada e sua venda, proibida. A partir das intricadas repercussões desse fato, o propósito principal deste trabalho é procurar demonstrar como a experiência da luta armada se transformou em narrativa literária.

Para tanto, apresentamos um estudo sobre a história do livro, sobre os procedimentos empregados tanto na formação da culpa dirigida contra Renato Tapajós (com base em documentos do Departamento Estadual de Ordem Política e Social, DOPS, de São Paulo, produzidos durante a investigação policial) quanto os utilizados pela defesa do caso, bem como a respeito da recepção crítica e do teor testemunhal presente no romance

Eloisa Aragão Maués

Para ler, na íntegra, o estudo mencionado pela autora, clique aqui: Página 47