Archive for the ‘História recente’ Category

1964 foi amanhã

abril 18, 2012

Fernanda Pompeu*

Eu tinha oito anos, quando policiais invadiram a minha casa e levaram meu pai preso. Essa foi a primeira vez que ouvi falar do golpe militar. A partir desse dia, e por mais de vinte anos, a ditadura faria parte da minha vida e da minha família.

Passados quarenta e oito anos, eu adoraria não voltar a essa cena. Fazer uma página virada do folhetim de autoritarismo, repressão, censura, mau humor, e muita burrice. Adoraria não escrever mais nada sobre 1964.

Mas o problema é que a conta não fecha. A imagem é horrível, mas verdadeira: o sangue daquela época não estanca. Porque os ossos da maioria dos desaparecidos ainda não apareceram. Porque as circunstâncias de várias mortes não foram elucidadas. Porque torturadores devidamente reconhecidos seguem de boa.

A simples menção à abertura de arquivos, comissão da verdade, responsabilização faz tremer parte da sociedade. Freud, se vivo, adoraria estudar os brasileiros. A gente, muitas vezes, detesta revisitar nossa vergonha e brutalidade.

Passar a borracha na história ruim é o nosso esporte preferido. Ganha até do futebol. Então para que falar dos séculos de escravidão, mesmo que eles tenham deixado como herança metade da população empobrecida e humilhada?

Para que falar da ditadura militar, mesmo que ela tenha deixado como herança temas-tabus, corpos insepultos, torturadores impunes, histórias mal contadas? Para que voltar e voltar ao passado?

O fato é que a ditadura acabou, mas seus reflexos ainda não. Talvez só termine quando morrer a última pessoa que lembre dessa época. A garotada de trinta anos pode achar que 1964 é coisa de livro de história. Mas seus pais sabem que não. No mínimo, eles foram expostos a uma cultura autoritária, a informações controladas, ao medo de sirenes e fardas.

É claro que o Brasil mudou. Inegável que as transformações foram rápidas e indiscutíveis. Afirmaram-se vários movimentos e atores políticos. Vejam os movimentos de mulheres, dos negros, dos sem-terra. Vejam os LGBTs, as pessoas com deficiência, os blogueiros e blogueiras.

Temos a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, a Secretaria de Mulheres, o Estatuto da Criança e do Adolescente. Temos uma presidenta da República e uma presidenta na Petrobrás. Um outro Brasil? Ainda não. Falta encarar o espelho. Falta pegar o caderninho ou o tablet, e passar a limpo as dívidas históricas. Uma tarefa que eu e você somos capazes de fazer.

*fernanda pompeu, escritora e redatora freelancer, colunista do Nota de Rodapé, escreve às quintas a coluna Observatório da Esquina. Ilustração de Carvall, especial para o texto

Publicado originalmente no blog Nota de Rodapé

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ESGOTO DA HISTÓRIA A CÉU ABERTO

novembro 19, 2011

O ESGOTO DA HISTÓRIA A CÉU ABERTO

O hábito de ler os jornais do dia durante o desjejum pode ser um pouco indigesto. Foi o caso hoje, dia 19/11/2011, quando li as edições de O Globo e da Folha de São Paulo. No matutino carioca, leio sobre o constrangimento dos chefes militares brasileiros presentes ao ato solene de sanção pela presidente Dilma Roussef das leis de acesso à informação e da Comissão da Verdade.

No jornal paulistano leio que skinheads colaram cartazes e distribuíram panfletos no campus da USP, ameaçando os usuários de maconha e comunistas e reproduzindo a imagem do jornalista Vladimir Herzog enforcado em sua cela no DOI-CODI acompanhada da legenda “suicídio é triste”.

Alguém pode dizer que as duas notícias não guardam relação entre si, mas o fato é que isto não é verdade. O que ambas nos revelam é que os fantasmas mais grotescos do passado ainda são capazes de nos assombrar e que se faz necessário acertar as contas com eles de uma vez por todas, o que não será feito com a tibieza e a pusilanimidade demonstradas pelos governos de Lula e de Dilma até agora.

No entanto, há que se fazer a diferença entre os dois fatos enquanto conduta humana: os comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea apenas se abstiveram de aplaudir os discursos de condenação da ditadura militar, o fato em si não se constitui em ofensa a ninguém, mas revela uma realidade que não é aceitável em uma sociedade plenamente democrática, que é o descompasso entre a opinião predominante nas Forças Armadas e os valores e princípios sobre os quais se erige o Estado democrático e social de direito.

Os generais que participaram das atrocidades da ditadura ou foram coniventes com elas já estão de pijama faz tempo ou falecidos, o problema é que, além de lhes ser garantida a impunidade, foi permitido a eles educar as gerações seguintes conforme a velha cartilha da doutrina de “segurança nacional” da época da Guerra Fria, segundo a qual o golpe militar de 1º de Abril de 1964 foi uma “revolução democrática”.

Pior, os cadetes de hoje continuam a ser doutrinados da mesma forma, o que é intolerável. Numa democracia, não pode passar pela cabeça de um militar a idéia de que uma quartelada possa ser legítima, isto é coisa que o avanço político, cultural e civilizatório largou na latrina e acionou a descarga. Admitir o contrário é brincar com lixo histórico altamente tóxico.

Falando em lixo, eis que um grupo de skinheads neonazistas resolve botar a cabeça para fora do ninho de ofídios para ameaçar os usuários de maconha e comunistas no campus da USP e zombar da morte de Vladimir Herzog, o Vlado, através de cartazes ostensivamente colados em pontos de ônibus e panfletos distribuídos até na porta de faculdades, assinados por um grupo que se denomina como “Comando de Caça aos Comunistas”, ou CCC, em óbvia alusão ao grupo paramilitar de extrema direita dos anos de chumbo.

Aí estamos diante de um ato grotesco e monstruoso de afronta às liberdades democráticas do povo brasileiro, ofensivo em si mesmo e que resume em sua bestialidade aquilo que não se encontra dentro dos limites do que é tolerável em termos de expressão política e ideológica. Aliás, do que é tolerável em uma sociedade civilizada. Como se vê, os fantasmas do passado teimam em nos assombrar. É mais do que hora de exorcizá-los definitivamente.

Gerardo Xavier Santiago, advogado

Um outro 11 de setembro…

setembro 10, 2011

11 de setembro de 1973. CHILE. Um golpe militar violento, chefiado pelo general Pinochet, com a ajuda dos gringos, derruba o presidente SALVADOR ALLENDE, que não sobreviveu, e é instaurada uma ditadura sangrenta no Chile. Milhares de chilenos foram levados para o Estádio de Santiago e muitos foram assassinados, como foi o caso do grande cantor e compositor Victor Jara.

Tentando apagar a história da ditadura

abril 30, 2011

Vladimir Safatle: certos setores da sociedade querem apagar a ditadura da história do Brasil

por Gilberto Costa

Após a Segunda Guerra Mundial, os judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história, no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram condenados e o episódio marca a pior lembrança da humanidade.

Crimes cometidos em outros momentos de exceção também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, em Ruanda, na Argentina, no Uruguai e Paraguai.

Para filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas: o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes políticos, foi a julgamento e preso.

Em março, será lançado o livro O Que Resta da Ditadura (editora Boitemço), organizado por Safatle e Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se alimenta no Brasil. Para Safatle,o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar (1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três Poderes.

Agência Brasil: O Brasil tem alguma dificuldade com o seu passado?
Vladimir Safatle: Existe um esforço de vários setores da sociedade em apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que tentam reduzir o período à vigência do AI-5 [Ato Institucional nº 5], de 1968 a 1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se poderia tecnicamente chamar de ditadura. Ou seja, existe mesmo no Brasil um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um certo passado da nossa história.

ABr: Há quem diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964, mas sim uma “ditabranda” se comparada à da Argentina e a do Uruguai, por exemplo.
Safatle: Essa leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a vida nacional. A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se perpetuou. O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de mortes.

ABr: Qual o reflexo disso?
Safatle: Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade. Quando o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar, continua.

ABr: Então, a semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura?
Safatle: Não é difícil fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. No estado de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era alguém que fez parte do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna]. Teve toda uma discussão, mas esse debate não serviu sequer para ele voltasse atrás na nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que as práticas não mudaram.

ABr: Estamos atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e julgamento de crimes cometidos pelo Estado?
Safatle: Estamos aquém de todos os países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da família Teles contra o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, que foi uma declaração simplesmente de crime. Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que houve um crime. Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura, nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai.

ABr: Que expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para apurar crimes da ditadura?
Safatle: Uma atitude como essa é a mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [secretário dos Direitos Humanos, da Presidência da República] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais alta relevância nacional. Acho que é muito difícil falar o que vai acontecer. A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase no livro 1984, de George Orwell, que diz: “Quem controla o passado controla o futuro”. Mexer com esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que o nosso futuro vai ser decidido.

ABr: Mas, antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito acalorados.
Safatle: O melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo [PNDH 3] em momento algum sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. O que ele sugeriu foi que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados pessoais. A confusão que se criou demonstra muito claramente como a sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem pessoas foram ligadas a esses tipos de atividades de “terroristas”. É sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde John Locke [filósofo inglês do século 17], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos também preveem essa situação.

ABr: O termo “terrorista” é usado por historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é errado?
Safatle: Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou eleições de fachada com múltiplos casuísmos. Podemos contar as vezes que o Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis. O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada. No Leste Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma, de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre direito e Justiça. Em certas situações, as exigências de Justiça não encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao governo.

ABr: Os assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas agências?
Safatle: Todos os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso não pode ser utilizado para bloquear a discussão. Dentro de um processo de legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da nossa noção liberal de democracia.

ABr: Que democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado?
Safatle: É uma democracia imperfeita ou, se quisermos, uma semidemocracia. O Brasil não pode ser considerado um país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas.

ABr: O que isso significa?
Safatle: Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático, bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente difundida de que a Nova República é um período de consolidação da democracia brasileira. Diria que não é verdade. É um período muito evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus impasses a todo momento. O primeiro presidente eleito recebeu um impeachment, o segundo subornou o Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral da República era conhecido por todos como “engavetador-geral”, que levou a uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados. O terceiro presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. Chamar isso de consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos os partidos sem exceção.

Entrevista publicada originalmente no site da Agência Brasil, em 31/01/2010

Documentário sobre o Golpe de 1964

abril 16, 2011

O DIA QUE DUROU 21 ANOS

Episódio 1 completo

Episódio 2 completo

Episódio 3 completo

11 de setembro

setembro 13, 2010

Os vídeos abaixo extrapolam a década de 60, mas acho que tem tudo a ver com os sonhos e esperanças daqueles viveram e foram jovens nos anos sessenta.

UTOPIA E BARBÁRIE

julho 12, 2010

O QUE ESPERAR DE UTOPIA E BARBÁRIE?

O filme é um road movie histórico: para reconstruir o mundo a partir da II Guerra Mundial, passa pela Itália, EUA, Brasil, Vietnam, Cuba, Uruguai, Chile, entre outros países. Em cada um desses lugares, documenta os protagonistas da história.

Tão importante quanto o tema é o olhar do autor. Este olhar foi se construindo a partir da elaboração do filme. Por isso, buscou a reconstrução da história de maneira não partidarizada. Ouviu diferentes personagens com abordagens distintas. Juntos compõem um rico painel de nossa época.

O filme é narrado por Letícia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad e a trilha sonora foi especialmente composta pelo grupo Cabruêra, Caíque Botkay, BNegão e Marcelo Yuka. Utopia e Barbárie é uma revisão nos eventos políticos e econômicos que elevaram ao extremo, ao risco e até à desaparição dos sonhos de igualdade, de justiça e de harmonia. Sonhos que balizaram o século XX e inauguram o século XXI.

Comentário originalmente publicado aqui

Site oficial do filme, onde também podemos assistir ao trailer. Clique aqui

Prefeitura de Ibiúna faz homenagem a ex-presos políticos

março 31, 2010

Prefeitura de Ibiúna faz homenagem a ex-presos políticos

O Sábado ensolarado do último 20 de Março nada se assemelhava com a manhã do dia 12 de outubro de 1968. Naquela ocasião, amanhecia a “pequena e pacata Ibiúna”, uma cidade com menos de 5000 habitantes, que presenciou dezenas de caminhões, ônibus e um contingente armado invadir o Sítio Murundu, a 18 Km do centro da cidade, para prender 720 estudantes que realizavam o 30o Congresso da União Nacional do Estudantes (UNE).

Colocada na ilegalidade desde o golpe que implantou a tirania da ditadura militar, o congresso clandestino foi o caminho encontrado pelos estudantes, que lutavam por liberdade, por um regime democrático e por um ensino de qualidade no nosso país, para discutir ações e elegera diretoria da UNE para aquela gestão.

Quase 42 anos separam a prisão dos estudantes da justa homenagem que a Prefeitura de Ibiúna decidiu realizar para deixar a história viva.

“Este monumento é um compromisso com a História, daqui a lembrança jamais sairá” declarou o Prefeito Coiti Muramatsu. A iniciativa da Prefeitura contou o apoio daa Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

O monumento, da artista plástica Cristina Pozobon, possui painéis com as fotos de estudantes mortos na época da ditadura e a lista com os nomes dos estudantes presos durante o Congresso. Entre alguns nomes dessa relação estão: José Dirceu, Jean Marc, Luis Travassos e Leopoldo Paulino.

O monumento, da artista plástica Cristina Pozobon, possui painéis com as fotos de estudantes mortos na época da ditadura e a lista com os nomes dos estudantes presos durante o Congresso.

11 de setembro de 1973 – Chile

setembro 11, 2009

allende

Permito-me extrapolar dos anos 60 para 1973, pois o que ocorrreu no Chile em 1973 na data de hoje é consequência do cenário armado na América Latina durante a década de 60 pela política dos EUA para a região.(Antonio Morales)

Golpe militar no Chile. Em 11 de setembro de 1973, Pinochet toma o poder com a força das armas e o presidente constitucional Salvador Allende é “assassinado” no Palácio de la Moneda que foi bombardeado pelos militares golpistas.

O grande poeta uruguaio Mario Benedetti escreveu o poema abaixo
em homenagem a Allende e dá uma boa idéia da barbárie
do golpe e do que se seguiu.

ALLENDE

Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo hacerlo llama,
porque el hombre de la paz era una fortaleza

Para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia,
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar mas para seguir matando,
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza,

Para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa,
una armada, una hueste, una brigada,
tuvieron que creer que era otro ejercito,
pero el hombre de la paz era tan solo un pueblo
y tenia en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios mas tanques mas rencores
mas bombas mas aviones mas oprobios
porque el hombre de la paz era una fortaleza

Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla,
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse siempre a la muerte
matar y matar mas para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad,
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.

Mario Benedetti

Jornada nas Estrelas

maio 14, 2009

spockSpock, Kirk, Magro, Checkov, Sulo foram heróis que frequentavam a telinha em minhas horas de lazer na segunda metade dos anos sessenta. Eles eram alguns dos personagens de Jornada nas Estrelas, saga da busca de outros mundos por um universo sem fim. O número de fãs da série era imenso. E a história ainda rende novos filmes e séries na TV. Um ícone da nossa geração.

Acabo de encontrar uma matéria sobre  curso de história na San Diego State University cujo título é Star Trek (Jornada nas Estrelas).  É um programa acadêmico que vale créditos como qualquer outro.  O professor que o planejou, John Putman, explica que muitos episódios de Star Trek fazem referência aos grandes temas culturais e políticos dos sessenta: direitos civis, guerra do Vietnam, contracultura, revolução sexual etc.

Escrevi mais sobre o curso e a proposta do professor Putman no Boteco Escola. Para chegar lá, clique no destaque abaixo.