Geraldo Vandré, 70 anos

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Deparei com o texto abaixo no site Digestivo Cultural. Comuniquei-me com o autor que gentilmente autorizou sua reprodução aqui no ARQUIVO 68.

por Vitor Nuzzi

“O problema é que você quer falar com Geraldo Vandré. E Geraldo Vandré não existe mais, foi um pseudônimo que usei até 1968.” Ele estava particularmente irritado naquela noite, em agosto de 1985.

Há pouco, ficara sabendo que não haviam permitido o acesso ao prédio a um antigo porteiro.
Naquela noite, conheci um pouco da fúria daquele homem de voz grave, que estava prestes a completar 50 anos e vivia, como ainda vive, em um antigo prédio na região central de São Paulo, com o apartamento mergulhado na penumbra e cheio de livros por todos os lados. E pelo menos um violão.

O próprio Geraldo havia ligado para mim, meses antes, depois que eu, ainda estudante de Comunicação, tinha conseguido localizar o seu telefone na hoje extinta Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab), em que ele trabalhava como fiscal – cassado em 1968, havia sido anistiado em 1979.

Deixei recado ao doutor Geraldo Pedrosa, e na manhã seguinte uma voz empostada fala comigo. “Aqui é Geraldo. Você ligou para mim?” Combinamos de nos encontrar à noite, por volta de 19h. “Por volta, não. Às 19h”, decretou Geraldo.

O paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias completou 70 anos no dia 12 de setembro de 2005. Nascido em João Pessoa, aos 16 anos foi para o Rio de Janeiro. Entre ginásio e colégio, passou por Nazaré da Mata (PE) e Juiz de Fora (MG). No Rio, estudou Direito (de 1957 a 1961) para satisfazer a família, mas depois pendurou o diploma e foi viver de música. Ou de arte.

O sobrenome artístico veio do segundo nome do pai, o médico José Vandregísilo. Começou usando o nome artístico de Carlos Dias, homenagem aos cantores Carlos Galhardo e Carlos José. O Dias era de seu próprio sobrenome.

Foi influenciado pela Bossa Nova, mas depois introduziu outros elementos em sua música – “em termos musicais, ele começava a travar uma luta sonora com o meio ambiente da bossa nova e com suas próprias influências jazzísticas”, escreveu o crítico Tárik de Souza, em artigo publicado no livro Oitenta (L&PM Editores, 1979).

E os seus 70 anos passaram despercebidos. Geraldo andava, inclusive, meio sumido até poucas semanas atrás, quando os atendentes de uma padaria na região central de São Paulo, reencontraram o antigo freqüentador, que continua no mesmo velho apartamento, mas costuma se ausentar com freqüência.

Sempre de camisa branca, normalmente com símbolos da Força Aérea Brasileira (FAB). Também é assim que os funcionários de um restaurante na rua Xavier de Toledo, perto dali, costumam vê-lo. Camisa branca e vastos cabelos brancos. Um homem magro, que normalmente almoça sozinho.

Vandré, militares, Força Aérea? A relação parece estranha, mas vem dos tempos de criança. O pequeno Geraldo tinha 4 anos quando explodiu a 2ª Guerra Mundial, e ele gostava de imitar o vôo de caças. “Porque só tu soubeste enquanto infante/ As luzes do luzir mais reluzente/ Pertencer ao meu ser mais permanente” são os versos finais de “Fabiana”, escrita em 23 de outubro de 1985 “em honra da Força Aérea Brasileira”.

Daí o nome, “Fabiana”. Em 1995, ele esteve presente a uma comemoração da Semana da Asa, em que cadetes da FAB cantaram a sua composição. “Musicalmente é uma valsa. Literariamente, compõe de três estrofes de seis decassílabos e um refrão de três versos de seis sílabas”, explicou, didático, em entrevista ao jornal paulistano Diário Popular (atual Diário de São Paulo) em 26 de julho de 1991.

Dez entre dez pessoas citarão “Pra não Dizer que não Falei das Flores” (subtítulos “Caminhando” e “Sexta Coluna”) como a sua música mais famosa. Outros lembrarão de “Disparada”, celebrizada por Jair Rodrigues. Poucos, certamente, lembrarão de “Pequeno Concerto que virou Canção”, “Samba em Prelúdio”, “Quem Quiser Encontrar Amor”, “Canção Nordestina”.

E quem lembrará que foi Vandré quem primeiro defendeu uma música de Chico Buarque em um festival? Pois foi ele quem cantou “Sonho de um Carnaval”, do novato Chico, no 1° Festival de Música Popular Brasileira, em 1965. Os dois dividiriam o prêmio do Festival da Música Popular Brasileira em 1966, quando “A Banda”, de Chico, e “Disparada”, de Vandré e Théo de Barros, dividiram a torcida.
“A Banda” ganhou no júri, mas o prêmio foi dividido por imposição do próprio Chico.

Em setembro de 1968, seria a vez de Vandré sair em defesa de Chico – e de Tom Jobim –, diante de milhares de pessoas no Maracanãzinho (jornais da época falam em 30 mil), no Rio de Janeiro. A maioria queria ver “Caminhando” como vencedora da fase nacional do 3° Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo, e por isso vaiava a decisão do júri, que escolhera “Sabiá”.

“Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito. (…) Pra vocês que continuam pensando que me apóiam vaiando… (…) A vida não se resume em festivais”, disse Vandré, enquanto a multidão acenava com lenços brancos.

Pouco depois, em dezembro de 1968, ele sumiu dos palcos. Naquele período, “Pra não Dizer que não Falei das Flores” foi proibida e sua cabeça, posta a prêmio. Em artigo publicado em outubro daquele ano no jornal O Globo, Nélson Rodrigues chegou a afirmar que “nunca se viu uma Marselhesa tão pouco Marselhesa”. Sentindo-se ameaçado, Vandré decidiu desaparecer (na mesma época, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos).

Segundo o compositor Geraldo Azevedo, no dia em que foi decretado o Ato Institucional 5 (13 de dezembro de 1968), Vandré e o Quarteto Livre (do qual Azevedo fazia parte) iriam se apresentar em Brasília. Depois de permanecer escondido por amigos, ele fugiu disfarçado e com passaporte falso no carnaval de 1969.

No Chile, seu primeiro destino, Vandré manteve contatos com artistas locais e gravou um compacto com as músicas “Desacordonar” e “Caminando” – quem recebeu da mão dele um desses compactos tem o exemplar numerado pelo próprio autor.

De lá, viajou para a Europa – no final de 1970, gravaria na França o pungente “Das Terras de Benvirá”, seu quinto LP – e seria o último, lançado no Brasil apenas em 1973 (na França, foi lançado um compacto, “La Passion Bresilienne”). “Foi algo quase de improviso”, conta Marcelo Melo, que participou da gravação e pouco depois formaria o grupo Quinteto Violado. Em 1971, Vandré voltou ao Chile.

Em 1972, ganharia um festival no Peru com “Pátria Amada Idolatrada, Salve, Salve”, parceria com Manduka (falecido em 2004), filho do poeta Thiago de Mello e da jornalista Pomona Politis. O retorno oficial ao Brasil aconteceu em 21 de agosto de 1973. “Quero agora só fazer canções de amor e paz”, declarou ao Jornal Nacional, na chegada, em Brasília, lembrando que nunca esteve vinculado a qualquer grupo político.

Na verdade, Vandré teria chegado ao Brasil um mês antes, em julho de 1973. Foi direto ao I Exército, no Rio de Janeiro. A sua permanência no país teria sido condicionada à entrevista ao JN. “Nunca fui preso, torturado, essas coisas que dizem por aí”, afirmou à revista VIP Exame em março de 1995. Essa é uma parte obscura da vida do cantor, que enfrentou sérias crises de depressão. De todos os artistas daquela geração, foi o único a não se apresentar novamente em um palco brasileiro, embora continue a fazer música.

No início de agosto de 1982, por volta de 200 pessoas testemunharam a volta de Geraldo Vandré aos palcos. Foi em uma sala de cinema em Puerto Stroessner, na fronteira do Paraguai com o Brasil. Cantou do lado paraguaio. Defendia a anulação de todos os atos praticados com base no AI-5 – o que, na prática, significaria o retorno à Constituição de 1946.

“Não houve aplausos nem gritos (na entrada de Vandré)”, contou a repórter Ruth Bolognese, do Jornal do Brasil, em texto publicado dia 9 de agosto. Foram dez músicas, quase todas inéditas. “E falam em liberdade, soldados, homens fracos e fortes, homens aprendendo a ser gente.”

Era o mesmo Vandré capaz de, numa noite qualquer de um sábado de 1985, pedir para esperarmos diante de um Pronto-Socorro municipal na zona norte de São Paulo, de onde ele sairia uma hora depois disposto a discutir os motivos pelos quais a cadeira de dentista é tida como um local de sofrimento. Ou capaz de ser preso em novembro de 1974, após se desentender com um taxista em Mogi das Cruzes, interior paulista, e terminar o dia jantando na casa do delegado.

“Assim como outros grandes, o tronco Vandré resultou em vários galhos relevantes”, escreveu, em 1999, o jornalista Luís Nassif, citando Quinteto Violado – que em 1997 gravaria um CD só com músicas dele –, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. Sábado, dia 17 setembro, talvez tenha sido realizada a única homenagem pública a Vandré: Jair Rodrigues, que imortalizou “Disparada”, e o próprio Quinteto Violado se apresentaram em Brasília, justamente onde haveria o show em 1968, quando a carreira de Vandré foi interrompida. “Sinto falta dele”, diz Jair.

Um homem que recusou delicadamente um pedido de entrevista, feito anos atrás, com a seguinte resposta, escrita à mão: “Trata-se de uma sociedade para a qual a BELEZA cumpre função secundária e dispensável. Aqueles que se ocupam da beleza têm, portanto, função secundária e dispensável”. Mas ele termina a mensagem dizendo que “sem beleza não existe O HOMEM FELIZ”. E assina: Vandré, com um PS datado de 14 de junho de 1995: “Cada vez mais distante”.

Muitos o consideram louco. Certamente, ele não tem certas convenções sociais. Nassif chamou-o de “solitário e desconexo”, “triste como a própria solidão na qual se meteu”. Mas se Vandré sempre buscou a beleza, talvez seja um homem feliz.

Vitor Nuzzi
São Paulo, 27/9/2005

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21 Respostas to “Geraldo Vandré, 70 anos”

  1. Walter Sylva Says:

    excelente materia, estava com saudades do vandre e saber noticias dele abraços WS

  2. Walter Sylva Says:

    quero mais noticias do vandré

  3. Christina Vilhena Says:

    Ótima matéria, parabéns. Muito esclarecedora.
    Geraldo Vandré foi um ícone de nossa história.
    Abraços, CV

  4. Angela Marques Says:

    Excelente artigo.
    Interessante se faz um contato atualizado com Geraldo Pedrosa a fim de preservarmos a memória de Geraldo Vandré, personalidade singular de nossa MPB.
    Atenciosamente, AM

  5. IVAN FERREIRA DE OLIVEIRA Says:

    FAÇO APELO AOS ESTUDANTES QUE SE INTERESSAM POR CULTURA E HISTORIA DO BRASIL, PROCUREM E PESQUIZEM GERALDO VANDRÉ –P

    RA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES– MPB.

  6. Fausto do Rosario Says:

    Em 1976, tinha eu quinze anos e era estudante na cidade do Mindelo, Ilha de Sao Vicente, quando o advogado, homem de cultura e da resistencia caboverdeana ao colonialismo, Henrique Oliveira Barros, sugeriu-me que deixasse em paz Chico Buarque e a “Valsinha” e colocasse no gira-discos um LP em capa de papel castanho e escolhesse a primeira faixa chamada “Caminhando”… Foi assim que conjuntamente com Wilhelm Reich (Escuta Ze Ninguem), Bob Dylan, Henry Miller e Joan Baez tomei contacto com este compositor/poeta excepcional que para mim e patrimonio da lusofonia e da herança comum da luta pela dignidade e liberdade do ser humano… As musicas/letras de Vandre tornaram-se parte da minha vida e, hoje, professor de lingua portuguesa no Liceu de Sao Filipe na Ilha do Fogo, Cabo Verde, encontro sempre uma forma de o divulgar junto aos meus alunos… O efeito continua a ser o mesmo de ha 32 anos atras: um Ah de espanto e uma vontade imensa de conhecer mais…
    Obrigado Vandre!

  7. cardan dantas Says:

    Salvador 22 de dezembro 2008

    geraldo vandre o mais grandioso de todos os artistas brasileiroa, sabemos o valor das suas canções e do maior hino da historia do nosso povo brasileiro, os seus versos a sua palavra foi qum derrubou a ditadura militar…a sua voz póderosa as flores vencendo os canhoes…ainda hoje a sua presença inesquecivel em nossos corações…viva geraldo vandre… quando coloquei a sua musica para meu filho ouvir…seus olhos brilharam na esperança de um brasil mais geraldio vandre.

    cardan dantas poeta e músico

  8. Juscelino Marques Says:

    Geraldo Vandré, é idolo com sua nobreza e sua garra de luta, o valor de Geraldo com suas músicas mostrou que é possivel vencer as armas usando palavras em versos e cada vez que ouvia a música que na verdade é um hino “Para Não Dizer Que Não Falei das Flores”, nos dava esperança de vencermos a repressão e os canhões. As flores continuam a trinfar nos mostrando que saimos vitoriosos. Hoje mostros as músicas dele aos jovens e digo a grandiosidade desse artista que é Geraldo Vandré por sua coragem e inteligência. Essa esperaça que ele tem eu também tenho por um Brasil mais justo.

    Juscelino Marques – Historiador

  9. Ulisses Sperandio Says:

    Geraldo Vandre conseguiu externar o sentimento de toda uma geracao joven dos anos 60 (incluo me ai embora tivesse 8 anos apenas). Mas foi toda esse grupo de compositores; Chico Buarque, Caetano e Ze Ramalho que nos alimentava para fazermos as manifestacoes estudantis e correr da troca de choque.
    Gostaria de deixar meu agredecimento por sites com esse que nos permitem relembrar uma epoca de Idealismo e Romantismos que me enchem os olhos d’agua.
    Deixo aqui uma sugestao para que se facam um documentario ou filme sobre essa epoca para que os jovens de hoje tenham uma nocao do que foi essa epoca.
    Muito obrigado a todos
    Ulisses Sperandio

    • SIMONE Says:

      ULISSES É VC? ULISSES SPERANDIO QUE ESTUDOU NA UNICAMP E TEM FAMÍLIA EM PIRACICABA?É VC MESMO OU TEM ALGUEM COM O MESMO NOME E SOBRENOME QUE O SEU? BJS SIMONE

    • Rosane Says:

      Ulisses,

      Lembra-se de mim? Nos conhecemos na região serrana do Estado do Rio, antes de você ir para o exterior. Fiquei feliz em saber que é bem sucedido.

  10. Dalton B. Santos Says:

    Caro Vitor:

    Embora o meu Sapiens seja mais voltado à trajetória artística do Chico, não há como escrrever sobre ele sem citar Vandré.
    Muito do quem ambos escreveram nos anos sessenta nasceu do que os mesmos escreviam e completavam.
    Este seu artigo é bem valioso para a recuperação cultural da MPB.
    Você me permitiria publicá-lo no meu site, com os justos méritos autorais, claro?

    Parabéns pela postagem, fico no aguardo e

    Abraços

  11. Dalton B. Santos Says:

    Obrigado Morales!

    Assim o farei.

    Abraços.

  12. Sueli Ribeiro Says:

    No mundo todo e em especial no Brasil, temos a tendência (não vou entrar no mérito) de valorizar, glorificar, endeusar um artista e sua obra, depois de sua partida.
    Os comentários anteriores são também uninamidade entre os meus conhecidos e amigos: “o valor da música e a punjança das idéias de Vandré, especialmente naquele momento e contexto histórico são incontestáveis.
    Já tarda uma justa homenagem a Vandré PRESENTE. E, grandiosa como foi a sua música. Tenho certeza que teríamos a oportunidade de desmentí-lo: pois aqueles que se ocupam da beleza NÃO têm função secundária e dispensável” e de demonstrar o quanto foi significativa a sua música para milhões de pessoas, ontem, hoje e para o futuro, pois “sem beleza não existe O HOMEM FELIZ”.
    Será que HOJE, não estamos precisando REEDITAR os sentimentos vividos naqueles momentos? Tenho certeza que Vandré se surpreenderia com a acolhida de todos os seus fãs dos velhos tempos e, principalmente com a nossa juventude.
    Abraços a todos.

  13. walter sylva Says:

    vandre uma personalidade pra jamais ser esquecida pelos jovens de toda uma geração;

  14. walter sylva Says:

    boa materia

  15. walter sylva Says:

    execelente materia

  16. heber cunha Says:

    Parabéns a todos que teem saudades das músicas e de ter visto a entrevista com o único verdadeiro representante da vanguarda dos festivais pelos direitos civis e pela “democracia” que hoje vivemos. A maneira eremita de como vive Geraldo Vandré hoje ,é uma resposta aos intelectuais,políticos artistas e para os safados que se aproveitaram do movimento e estão hoje no poder sem ter dado ao povo as oportunidades de um Pais melhor e mais justo é melhor viver assim como eremita mas com dignidade do que estar ai RICOS as custas da miséria daqueles que um dia acreditaram que poderiam viver num BRASIL para todos que você Geraldo Vandré tenha muitos anos de vida e que um dia possa dizer para essa juventude que os traidores estao ai bem proximos de cada um de nós

  17. maria Says:

    Vandré, uma pérola que precisa ser conhecida, amada e valorizada por todos os brasileiros.

    Grande artista.

    Deus te abençoe grandemente.

  18. Cuoreferro Says:

    A única coisa que restou foi um particular Brasil onde existe apenas um único habitante; Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, que possui a custódia de Geraldo Vandré…

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