01. Arquivo68 – O início

Foi-me sugerido que publicasse as mensagens que deram início ao blog Arquivo68. Elas mesmas contam como a idéia surgiu e foi concretizada. De início, enviei ao grupo aposentadosSenac@yahoogrupos.com.br a seguinte mensagem:

“Três temas, aparentemente isolados, me incentivaram a escrever esta mensagem. O primeiro é o da proximidade da velhice. Foi provocado por um e.mail do Tonhão, que veiculava um poema sobre o assunto. O segundo tema, ao primeiro relacionado, é a comemoração, neste ano, dos idos de 68. A imprensa, timidamente, como é próprio em tempos liberais, começa a revolver a memória sobre o acontecimento. Quarenta anos se passaram desde então. Éramos, naquele ano, todos jovens, alguns nem nascidos. O terceiro tema é mais abstrato. Trata-se da articulação entre a memória individual e coletiva: as interações entre a nossa biografia e a história.

Com os três temas em mente, recordei-me de uma bem sucedida proposta do Jarbas: os primeiros mil contos. Pensei que talvez fosse possível, interessante, estimulante e enriquecedor para todos, a partir dos sonhos que tínhamos em 1968, trocarmos nossas memórias, nossas lutas contrapostas à evolução histórica, nossas reflexões em torno da história que acompanhamos e ajudamos a construir desde 1968. Não sei dar forma operacional à idéia. Parece caber num livro, mas aí já seria muito sério e formal. Talvez num blog, como nos primeiros mil contos. O blog tem a vantagem da construção “em ação”, de ser mais interativo, mais estimulante. Talvez fosse interessante uma regra para as contribuições, como nos primeiros mil contos… Enfim, gostaria de repartir a idéia e, se interessante, a construção da forma de operacionalização. O que acham?”

Lançada a idéia ao grupo, recebi muitas manifestações a ela favoráveis. Recebi também contribuições do Jarbas Novelino Barato, que escreveu:

“Ótima idéia. Podemos fazer história… Acho que um blog é mesmo a melhor alternativa para a empreitada. Seria bom estabelecer algumas regras gerais de produção [tamanho de posts, condições para colaborações,metas, prazosetc.]. Tenho proposta para o título do blog: “ARQUIVOS MEIA OITO”, ou “Arquivos 68″. Se aceito o título, alguém poderia encomendar de um webdesigner (o filho do Tonhão, por exemplo) uma arte para o título.

Sugiro um blog coletivo no qual os colaboradores poderão publicar diretamente [sem necessidade de um editor]. Mas seria bom que um ou mais revisores pudessem propor melhorias de texto se preciso. Por enquanto é isso.”

Francisco Aparecido Cordão e Antonio Morales (Tonhão) foram decisivos na definição do nome do blog e o filho de Morales, Ricardo, foi reponsável pela arte do título. Jabas contribuiu, posteriormente, com idéias para as regras gerais de funcionamento do blog, através de uma mensagem que pode ser vista a seguir.

“Sugiro que:

1. O blogue seja construído no WordPress, dadas as facilidades técnicas de manejo e riqueza do ambiente. [alô, Kuller, qualquer um de nós pode criar blogues noWordpress; é bico…).

2. Os posts sejam todos de ‘depoimentos pessoais’, arrumados como crônicas, poemas, narrativas etc., contando episódios vivenciados ou sentimentos experienciados quando algo aconteceu no período. Entendo que a proposta do Kuller vai na direção da história pessoalmente experienciada, por isso acho que os posts não devem ser textos resultantes de ‘pesquisa’, mas de vida vivida.

3. Documetos já coletados por alguns de nós ou a serem reunidos no futuro sejam publicados numa parte especial do modelo do WordPress, a Página ou Page. Eventualmente, tanto em mensagens da Página como em posts no corpo principal do blog, algumas descobertas sobre o período podem simplesmente ser indicadas por meio de links.

4. Certas fontes (páginas, outros blogs, listas etc.) podem entrar na estrutura do blog como referência (na indicação Blogroll (ou de seus filhotes) do WordPress).

5. Para evitar textos muito longos, poderíamos convencionar que os posts deverão ter no máximo 2500 caracteres (incluindo espaços). Sugiro que não haja limitação para mensagens colocadas na seção Página.

6. O acréscimo de um subtítulo ao título. Meu palpite: “Nossa vida e nossos sonhos nos tempos da ditadura”. Abro aqui mais uma janela para palpites. Agora para o sobrenome do blogue.

7. O período a ser contemplado seja o de 1964-1969, abrangendo situações vivenciadas do golpe ao AI 5.

É isso, Jarbas”

Segui a indicação do Jarbas e com as imperfeições de todo iniciante, criei o blog como intrumento de uma obra coletiva que já iniciou sua caminhada.

José Antonio Küller

9 Respostas to “01. Arquivo68 – O início”

  1. Jarbas Says:

    Alô Kuller,

    Fiz uma pequena modificação no título. Acrescentei o número 1. Desta forma o “Início” ficará sempre no início da seção Páginas. Caso contrário o programa organizaria as entradas por default (se não me engano, por ordem alfabética). Aprendi esse truque de numeração com uma aluna… Jarbas.

  2. Olga M. Salati Marcondes de Moraes Says:

    Oi, Kuller.

    Gostei demais da sua idéia!

    Espero que este blog possa refletir a aventura que foi viver os anos 60: a intensidade das intermináveis assembléias, onde aprendemos a encaminhar questões, palavras de ordem…

    E as passeatas pelas ruas de Rio Claro city? Ah, as passeatas, onde protestávamos contra .. o que mesmo? Talvez tudo: educação conservadora, imperialismo americano, ditadura militar. Tenho na memória alguns bordões: Mais pão, menos canhão! Fora, MEC/USAID, Vagas para todos.

    Muitíssimo jovens, fomos amadurecendo nesse clima efervescente, oras mais oras menos conscientes de que por trás da aparente “apenas rebeldia” da idade, provocamos e muito as estruturas e promovemos significativas interferências/mudanças nas questões educacionais.

    Êita geração que marcou presença, não? E estreitou e alicerçou grandes amizades!

    Três palavras marcaram meus anos 60: Coerência, Realidade e Ação, não necessariamente nessa ordem e necessária e exaustivamente questionadas em todas as suas dimensões e sentidos.

    E, se não ponho ponto, a prosa num termina, pois lembro de Alfredo, Otto, Abílio, Raul (lembra “daquilo infiltrado” denominado Raul????) e tantos outros…

    Valeu, colega!

    Abraços,

    Saudações “fafianas”,

    Olguinha Salati

  3. Sidnei Sauerbronn (Sidão) Says:

    Professor.
    abraço.
    Em 1968 nos divertíamos com pouco.
    Lembro que no bar da esquina (lá no subúrbio), lá pelo mês de dezembro, aguardávamos a virada do ano prá desejar feliz 69 para as meninas.
    Que o projeto tenha longa vida.
    Sidão.

  4. Augusto Alves Says:

    So hoje descobri esse blog…
    Fiquei com um sentimento de ter perdido “algo”nesses 6 meses…

  5. José Antonio Küller Says:

    Augusto (posso chamá-lo assim?)

    Vi seu comentário em Páginas 15: Edson Luiz – Ano 1968. O texto do comentário pode muito bem vir a ser um artigo do Arquivo68. Acredito também que você (de novo, desculpe a liberdade no tratamento) pode contribuir muito como autor do Blog.

    Assim pergunto:

    1. Posso editar seu comentário como um artigo do Arquivo68?
    2. Você não gostaria de escrever mais e ser um dos autores habituais do blog?

    Abraços

    José Antonio Küller

  6. José Antonio Küller Says:

    Olga

    Ao rever os comentários desta página, percebi que minha observação para Augusto Alves era válida também para seu comentário. Assim, repito as perguntas:

    1. Posso editar seu comentário como um artigo do Arquivo68?
    2. Você não gostaria de escrever mais e ser um dos autores do blog?

    Abraços

    José Antonio Küller

  7. Olga M.Salati M. Moraes Says:

    Küller,
    Tenho feito as leituras dos artigos, mas não atentei prá sua mensagem acima.
    Deixo a seu critério o destino do comentário. Vamos inserir “aquela” foto de nossa turma em 68?
    Abraços,

    Olguinha Salati

  8. Armando Says:

    Parabéns pelo blog, que conheci só hoje surfando na net. Também fiquei com um vago sentimento de perda, como o Augusto. Voltarei outras vezes.

  9. homero g duenas Says:

    Muito bom este seu blog, não o conhecia, realmente preciso em informações e detalhes,, de coisas que vivi e coisas que ouvi falar, mas muito proximo e dentro da realidade daqueles dias, excelentes cronicas e textos, vou divulgar é a historia contada pra quem gosta de ouvir, e ler, valeu….

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