Archive for março \31\UTC 2009

A ditadura militar morreu?

março 31, 2009

A Revista da ADUSP- Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, dedicou sua edição de março de 2009 ao tema. A versão eletrônica da revista na íntegra (em arquivo PDF) encontra-se disponível para ser baixada. Num tempo em que assistimos diversas tentativas de reescrever a história, a favor daqueles que nos submeteram a mais de 20 anos a um tempo de arbítrio e censura, repressão e medo.

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Para baixar a revista clique aqui ou sobre a capa da revista.

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45 anos do golpe militar de 1964

março 31, 2009

Não podíamos deixar passar a data em branco. Hoje o golpe de 1964 faz aniversário. Não há nada a comemorar. Mas, recordar é preciso. A memória ajuda a não repetir os erros.

Muito se escreveu no dia de hoje sobre a efeméride. Às falas, vamos adicionar imagens. Localizamos um site (CLIO História) que reuniu fotos e outras imagens do período ditatorial.

Reproduzimos a fala que está na abertura do arquivo de imagens e outros documentos referentes à epoca:

“Esse é um país que vai pra frente,
uou, uou, uou, uou, uou…”

Há muito queremos elaborar um material sobre os “anos de chumbo”… É preciso não esquecer! Agora que tornamos disponível este material, estamos descontentes. Faltou tanto… Mas é um começo: privilegiamos as imagens, e mesmo assim sabemos que muitas faltam… Fizemos uma seleção de textos… não deu tempo para digitalizá-los!

Para junho prometemos uma atualização.

Durante a elaboração destas páginas, volta e meia voltava meus olhos para uma foto, na parede em frente ao computador. Nela, quase uma centena de pessoas rodeiam uma faixa “A UNE somos nós, nossa força, nossa voz”. A foto é de 1999: uma reunião de antigos militantes do movimento estudantil para lembrar os 20 anos da reconstrução da UNE.

“A UNE nos une, vinte anos depois”: casados, separados, carecas, mais gordos, mais velhos… Muitos se afastaram da militância política. Outros, poucos, continuam.

Esta foto deveria estar nestas páginas… Mas é a eles e a centenas de outros que lutaram contra a Ditadura que dedico este trabalho.

Para acessar o arquivo, clique aqui.

Ainda sobre a DITABRANDA

março 26, 2009

 

 

Recebemos por e.mail, de Antonio Alberto Soligo (ver em: Meus heróis nâo morreram de overdose), o artigo que publicamos a seguir:

 

Brasil – A mídia e o golpe militar de 1964

Por Altamiro Borges *
O neologismo “ditabranda”, cravado no editorial de 17 de fevereiro da Folha de São Paulo, serviu para desmascarar este veículo, que vende a imagem publicitária de que é um jornal independente e plural – de “rabo preso com o leitor”. A revisão histórica sobre a sanguinária ditadura militar brasileira custou à Folha um manifesto de repúdio com mais de 8 mil adesões e um emocionante protesto em frente à sua sede com cerca de 500 presentes. Numa manobra marota, o diretor de redação, Otavio Frias Filho, foi obrigado a se retratar, parcialmente, do odioso neologismo.

O forte desgaste na sociedade teve também um alto custo material, o que deve ter apavorado os herdeiros da Famíglia Frias. Segundo revela o blog de Leonardo Sakamoto, “os leitores chiaram. Fontes de dentro do jornal dizem que uma onda de cancelamento de assinaturas teria acendido a luz amarela. Fala-se em perdas de até 2 mil assinantes”. Outro jornalista bem informado sobre os bastidores da mídia, Rodrigo Vianna, informa que “a fuga de leitores teria enfraquecido ainda mais a posição interna de Otavinho. Ele o irmão Luis Frias travam uma guerra pelo comando do grupo desde a morte do pai”. A “retratação” de Otavinho foi uma tentativa de “conter a sangria”.

Os editoriais dos golpistas
O episódio também serviu para relembrar o papel da mídia no período da ditadura. Mas, justiça seja feita, não foi somente o Grupo Folhas que clamou pelo golpe e que deu apoio à ditadura na sua fase mais sombria – de prisões ilegais, torturas, mortes, censura, cassação de parlamentares, fechamento de sindicatos e outras violências. Com a aproximação da fatídica data do golpe, vale citar a conduta de outros veículos privados de comunicação. A postura destes no passado ajuda a entender sua linha editorial reacionária na atualidade. Reproduzimos alguns editoriais da época, coletados pelo jornal Brasil de Fato:

– “Vive a nação dias gloriosos. Porque souberam se unir todos os patriotas […] para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para os rumos contrários à sua vocação e tradições… Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegem de seus inimigos”. O Globo.

– “Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade… Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela O Globotem… A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas… Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, na desordem social e na corrupção generalizada”. Jornal do Brasil.

– “Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e os chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da
Liberdade”. Jornal O Estado de Minas.

– “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comunos-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr. João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”. Tribuna da Imprensa, na época sob comando do governador golpista Carlos
Lacerda.

Fato histórico documentado
Como aponta o professor Venício de Lima, num excelente artigo na Carta Maior, “a participação ativa dos grandes grupos de mídia na derrubada do presidente João Goulart já é um fato histórico fartamente documentado”. Não dá para escondê-lo. Daí a tentativa da Folha e de outros veículos de revisar a história da ditadura e reconstruir o seu significado, inclusive com a criação de novos termos – como “ditabranda”. Ele sugere o livro “1964: A conquista do Estado”, obra clássica de René Dreifuss, para se entender este sombrio período e postura golpista da mídia hegemônica.

“Através das centenas de páginas do livro de Dreifuss o leitor interessado poderá conhecer quem foram os conspiradores e reconstruir detalhadamente suas atividades, articuladas e coordenadas por suas instituições, fartamente financiadas por interesses empresariais nacionais e estrangeiros: o IBAD e o IPES… No que se refere especificamente ao papel dos grupos de mídia, sobressai a ação do GOP, Grupo de Opinião Pública ligado ao IPES e constituído por importantes jornalistas e publicitários. O capítulo VI, sobre ‘a campanha ideológica’, traz ampla lista de livros, folhetos e panfletos publicados pelo IPES e uma relação de jornalistas e colunistas a serviço do golpe”.

Para o professor Venício de Lima, é essencial revisitar esta história, principalmente no momento em que o país debate a democratização da mídia. “Não são poucos os atores envolvidos no golpe de 1964 – ou seus herdeiros – que continuam vivos e ativos. A grande mídia brasileira, apesar de muitas mudanças, continua basicamente controlada pelos mesmos grupos familiares, políticos e empresariais. O mundo mudou, o país mudou. Algumas instituições, porém, continuam presas ao seu passado. Não deve surpreender que eventualmente transpareçam suas verdadeiras posições e compromissos, expressos em editoriais, notas ou, pior do que isso, disfarçados na cobertura jornalística cotidiana. Tudo, é claro, sempre feito ‘em nome e em defesa da democracia”.

 

* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB – Partido Comunista do
Brasil

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 – CEP 60.001-970 – Fortaleza – Ceará – Brasil

Recebemos mais um Dardos

março 18, 2009

Recebemos de Um Farol  o Premio Dardos. Joe Barbara, editor de Um Farol, ainda nos atribuiu dois outros prêmios: “Al Esforço Personal” e ” Esse Blog é Jóia!”.

Os prêmios tem como objetivo valorizar e incentivar o trabalho dos blogueiros. Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:

1. exibir o selo do prêmio;
2. linkar o blog que atribuiu o prêmio;
3. escolher quinze (15) outros blogs para entregar o “Prêmio Dardos”.

4. Informar, aos blogs premiados, sobre o recebimento do prêmio.

O selo já está reproduzido. O link já foi providenciado. Escolhemos, por fim, 15 blogs para entregarmos o prêmio.  São eles:

1. Vi o mundo

2. De Rerum Natura

3. Carlos Seabra

4. Boteco Escola

5. Maria Flô

6. Cidadania.com

7. Nas Retinas

8. História em projetos

9. Adital

10. Do tira gosto ao prato principal

11. Blog do Levi

12.  Batuca ligada

13. Escritor on line

14. Ofício contador de histórias

15. Le petit branquiste

Estamos encaminhando aos blogs da lista uma mensagem sobre o Prêmio Dardos.

Anos 60 e 70 – a imprensa alternativa

março 12, 2009

Onde foi parar a imprensa alternativa? A pergunta é do repórter Denilson Vasconcelos, de Unidade, questionando sobre o destino de centenas de jornais que marcaram a cena brasileira durante a ditadura.

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Uma imprensa para sempre

Por Omar L. de Barros Filho

Há algumas semanas, o repórter Denilson Vasconcelos enviou-me uma mensagem solicitando informações para uma reportagem que estava escrevendo para o Unidade, o jornal mensal do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

O assunto das indagações era a imprensa alternativa brasileira dos anos ‘60 e ‘70, isto é, os jornais da resistência política e cultural à ditadura brasileira, que marcaram época por sua tenacidade e criatividade.

O regime militar, como se sabe, apesar das recentes tentativas de reescrever a história do período desde um ponto de vista benevolente, foi mesmo um regime de força que matou, perseguiu, torturou e cerceou as liberdades civis, entre elas a liberdade de imprensa.

Porém, durante os processos de mobilização contra as arbitrariedades e a censura no país (assim como na América Latina), surgiu no cenário uma “imprensa guerrilheira”, nas palavras de Denilson Vasconcelos, que era formada por mais de uma centena de publicações, que fustigavam os governos, lutavam pela democracia, os direitos humanos e até pelo socialismo (expressão hoje substituída pelo eufemismo “uma sociedade mais justa e igualitária”).

Mas não só. Alguns desses jornais – utilizando os poucos espaços de liberdades públicas existentes – avançaram também em suas propostas, rompendo com os modelos editoriais pré-estabelecidos pela imprensa clandestina de oposição.

Opinião, Pasquim, Movimento, Coojornal, Em Tempo, De Fato, entre outros tantos, formavam a biodiversidade daquela floresta de papel e ideias. Cada um deles, a seu modo, foram experiências jornalísticas bem-sucedidas e, até certo ponto, sustentáveis apesar das dificuldades. Versus, uma criação jornalística de Marcos Faerman, na São Paulo de 1975, foi um dos principais jornais daqueles tempos.

Fui um dos editores de Versus durante os quatro anos em que se manteve presente nas bancas, contribuindo para ampliar os horizontes de seus leitores e colaboradores. O texto a seguir é meu breve relato sobre esta experiência, que redigi a pedido de Unidade.

Para ler a matéria completa clique aqui.

Pela Justiça e pela Paz no Brasil

março 7, 2009

O post abaixo foi publicado originalmente no Blog CIDADANIA.COM .

Movimento dos Sem Mídia

Pela Justiça e pela Paz no Brasil

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A Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia – MSM, entidade de direito privado constituída juridicamente em 13 de outubro de 2007, exorta a sociedade brasileira a repudiar a perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada recentemente por editorial do jornal Folha de São Paulo, texto que relativizou a gravidade de crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, período durante o qual a Nação brasileira sofreu usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional que, por seu turno, gerou aos brasileiros conseqüências nefandas tais como censura à liberdade de pensamento e de expressão, prisões arbitrárias e crimes de tortura, de estupro e de morte, atos de terror que destruíram as vidas de milhões de brasileiros, muitos dos quais sobreviveram àquele terror e, assim, carregam até hoje seqüelas daquele período de trevas.

No âmbito desse repúdio, cumpre à nossa entidade tornar públicos os pontos daquele texto jornalístico que julgamos perniciosos e ofensivos às vítimas que tombaram e às que sobreviveram àquele regime de força, que suprimiu os princípios e mecanismos do Estado Democrático de Direito e as garantias, liberdades e direitos individuais e coletivos, somente restituídos ao povo brasileiro com a edição da vigente Constituição Federal de outubro de 1988.

O editorial do jornal Folha de São Paulo intitulado “Limites a Chávez” foi publicado em 17 de fevereiro deste ano. O veículo de comunicação exerceu um direito óbvio e que não se questiona, o direito de opinar. Criticar o resultado do plebiscito recente na Venezuela ou emitir qualquer outra opinião, portanto, jamais estimularia nossa Organização a protestar de forma tão solene e veemente se não fosse a tentativa de revisão histórica que afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido “brando”, pois tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso “ditabranda”, corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura.

Em poucas palavras, o editorial da Folha de São Paulo criou teorias novas, como se verá em trecho a seguir. Disse a Folha de São Paulo: “As chamadas “ditabrandas” – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.

O perigo e a afronta residem no eufemismo. Com efeito, o diabo está nos detalhes. Diga-se essa barbaridade de “acesso controlado à Justiça” aos que ficaram pelo caminho da máquina opressora do Estado brasileiro de então, aos que sofreram tudo que foi acima enumerado. Diga-se a eles que tiveram acesso “controlado” para buscarem reparação pelas violências que sofreram. Achem um só que tenha encontrado guarida e reparação na Justiça, à época, pelas violências que sofreu. E mais: diga-se isso aos que não sobreviveram às ações arbitrárias daquele Estado ditatorial e aos seus famliares.

No conceito de nossa Organização, conceito este amparado no melhor Direito Universal, o que fez o jornal em questão foi dizer “brandos” aqueles crimes, abrindo espaço para a proliferação de mentalidades que ainda defendem publicamente métodos excepcionais de “controle” da Cidadania e das próprias vidas dos cidadãos.

Dizem os defensores da usurpação do Estado Democrático de Direito que ocorreu naquele período obscuro de nossa história que havia então uma “guerra” no Brasil. Uma guerra em que tantos jovens idealistas, muitas vezes pouco mais do que imberbes, sucumbiram defendendo a Constituição, por sua vez violentada pelos desejos de poucos, que estupraram o desejo da maioria que delegou o Poder a um governo constitucional que a ditadura derrubou por meio de golpe de Estado.

O Brasil daquele 1964 tinha um governo eleito pelo voto. Não foi destituído por um processo democrático que se valeu dos mecanismos constitucionais que existiam e que poderiam ser usados se os que se opunham àquele governo acreditassem que tinham representatividade popular para fazer tais mecanismos prevalecerem. Não.

Por não estarem amparados pela maioria dos brasileiros, os usurpadores do Poder de Estado legalmente constituído em eleições livres e democráticas trataram de usar a violência, a sedição e a ilegalidade para fazerem prevalecer suas visões, desejos e interesses minoritários, impondo-os sobre uma maioria que mais tarde seria amordaçada e ameaçada, de forma que não pudesse contestar a ruptura do Estado de Direito.

Equiparar o Estado àqueles que os defensores do regime de exceção diziam ser “terroristas”, era, é e sempre será uma aberração jurídica, para economizar palavras. Não cabe no conceito de democracia, de Estado de Direito, a hipótese de agentes do Estado imporem suplícios físicos desumanos e criminosos àqueles dos quais desconfiavam de que não compartilhavam suas idéias totalitárias.

O que torna mais dramática essa revisão afrontosa daquele período da história é que o jornal Folha de São Paulo não se contentou só com ela.

Diante dos protestos de dois dos expoentes mais respeitados da intelectualidade brasileira tanto no Brasil quanto no exterior, a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Konder Comparato, o jornal tratou de insultá-los de forma virulenta, qualificando-os como “cínicos e mentirosos”, claramente tripudiando da indignação dos justos ante absurdo tão rematado quanto o acima descrito.

Nem as poucas opiniões contrárias que o jornal permitiu que fossem vistas em suas páginas opinativas, sempre de forma tão “controlada” quanto afirmou antes que fazia a sua “ditabranda”, puderam minorar a dor dos sobreviventes dos Anos de Chumbo, e tampouco fizeram a justiça necessária à memória das vítimas fatais da ditadura cruel que vigeu naquele período triste da história deste País.

Tanta injustiça, desrespeito, deboche talvez encontre “explicação” quando se analisa o papel exercido pelo jornal contra o qual protestamos durante boa parte do tempo em que a ditadura militar oprimiu esta Nação.

Em obra literária de autoria de um colaborador desse meio de comunicação, do jornalista Elio Gaspari, intitulada “A Ditadura Escancarada”, figura acusação ao jornal Folha de São Paulo que este jamais rebateu de forma adequada e pública, a acusação de que cedeu veículos à sua “ditabranda” para o transporte de presos políticos.

Mas é em editorial desse grupo empresarial publicado em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura, que transparecem as relações de então entre a mídia e o regime. Diz aquele editorial pretérito tão nefasto quanto o editorial mais recente, sendo ambos do grupo empresarial de comunicação da família Frias:

“Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele.

Nunca ouve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.

O país, enfim, de onde a subversão – que se alimenta do ódio e cultiva a violência – está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste.” Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.

Apesar desse documento histórico com dia, mês e ano, e que pode ser encontrado nos arquivos desse grupo empresarial de comunicação, apesar desse documento que mostra faceta do jornal Folha de São Paulo que ele teima em não reconhecer e que certamente não quer ver conhecido por seu público atual talvez por ter vergonha de seu passado, sua alegação contemporânea é a de que “combateu” a ditadura que aquele editorial, assinado por seu proprietário de então, qualificava como “séria, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”.

Não se consegue entender como a Folha de São Paulo, então, media o “apoio popular” à ditadura, pois não havia eleições livres ou mesmo pesquisas sobre a popularidade dos ditadores.

Era, pois, uma invenção a tese de que a ditadura estaria “levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”, porque, à luz do conhecimento histórico daquele período, o que se sabe é que o que gerou foi concentração de renda, ou seja, empobrecimento dos mais pobres e enriquecimento dos mais ricos.

No dia em que o editorial profano mais recente foi lido pelos Sem Mídia, o que nos veio às mentes foram as palavras imortais do ativista negro norte-americano doutor Martin Luther King que pregaram, há tantas décadas, a conduta dos democratas diante dos violadores da democracia:

“O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”. E é por isso que estamos aqui hoje, porque a sociedade civil não aceita e não ficará inerte assistindo a defesa velada de uma ditadura e a tentativa de vender a tese de que ela foi menos do que ilegal, imoral e terrivelmente dura, tendo sido tudo, menos “branda”.

São Paulo, 7 de março de 2009

Eduardo Guimarães

Presidente

Ato contra a ditabranda

março 6, 2009

 

Você corta um verso

Eu escrevo outro.
Você me prende vivo

Eu escapo morto.
De repente, olha eu de novo.

Perturbando a paz
Exigindo o troco.”
(Pesadelo – Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

Só para não esquecer que a dita também foi "branda "com os jornalistas.

  

Dentre as muitas manifestações contra o editorial da Folha de São Paulo, para acompanhar o convite para o ato público contra a Ditabranda, escolhemos, por suscinto e adequado ao espírito de 68, o do Fupoca – Futebol, Política e Cachaça, cujo original pode ser visto em A ditabranda do Otavinho na Folha de S.Paulo.

Em 18 de fevereiro, a Folha de S.Paulo, mais uma vez, soltou um editorial raivoso contra Chavez chamando-o de ditador etc… pelo resultado do plebiscito em que poderá se reeleger quantas vezes quiser (e o povo deixar, óbvio). Até aí nada demais, Estadão e o Globo fazem o mesmo cotidianamente.

O pior foi a comparação: “Mas, se as chamadas “ditabrandas”  -caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça -, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.”

Ok, dá vontade de perguntar ao Otavinho (publisher do jornal) quem mais chama de Ditabranda a ditadura brasileira. Até onde sei, a Folha inventou essa agora. 

Não vou me estender muito em comentários, mas publicar as cartas enviadas pelos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, por coincidência dois personagens que já entrevistei e dos quais tenho as melhoes impressões possíveis.

Cartas

Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP) ”

O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.” FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP) 

Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa. 

Dizer que as indignações de Comparato e Benevides são obviamente cínicas e mentirosas… O que foi então esse editorial e a resposta da Folha, que não teriam saído sem a aprovação do dono do jornal, ou seja, Otávio Frias Filho?

Cabem as perguntas, o que eles beberam, fumaram ou cheiraram antes de tanta bobagem? Essas acho que nem Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi publicariam na Veja. Ou publicariam?

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Por fredi às 10:27

Mais sobre Ditadura, Folha de S.Paulo, Fábio Konder Comparato, Maria Victoria Benevides, Otavio Frias Filho

 

Para quem quiser ouvir Pesadelo, postamos um vídeo recente do MPB4: