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31 de janeiro de 1980

janeiro 31, 2009

por Eduardo Galeano

guatemala

31 de enero de 1980
Ciudad de Guatemala

Noticiero

El general Romeo Lucas García, presidente de Guatemala, fue quien dio la orden de incendiar la embajada de España, con sus ocupantes adentro. Esta es una de las revelaciones de Elías Barahona, vocero oficial del Ministerio de Interior, quien convocó a la prensa después de pedir asilo en Panamá.

Según Barahona, el general Lucas García es personalmente responsable de la muerte de treinta y nueve personas, achicharradas por las bombas que arrojó la policía contra la embajada de España. Entre las víctimas había veintisiete dirigentes indios que habían ocupado pacíficamente la embajada para denunciar las matanzas en la región del Quiché.

Barahona también reveló que el general Lucas García comanda las bandas paramilitares y parapoliciales, llamadas Escuadrones de la Muerte, y participa en la elaboración de las listas de opositores condenados a desaparecer.

El ex Secretario de Prensa del Ministerio del Interior denunció que en Guatemala se está aplicando un Programa de Pacificación y Erradicación del Comunismo, 420 paginas, elaborado por especialistas de los Estados Unidos sobre la base de la experiencia de la guerra de Vietnam.

En el primer semestre de 1980 han sido asesinados en Guatemala veintisiete profesores de la Universidad, trece periodistas y setenta dirigentes campesinos, en su mayoría indígenas. La represión se ha descargado con particular intensidad sobre las comunidades indias de la región del Quiché, donde se han descubierto grandes yacimientos de petróleo.

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31 de janeiro de 1980
Cidade da Guatemala

O general Romeo Lucas Garcia, presidente da Guatemala, foi quem deu a ordem de incendiar a embaixada da Espanha, com seus ocupantes dentro. Esta é uma das revelações de Elias Barahona, porta voz oficial do Ministério do Interior, que convocou a imprensa depois de édir asilo no Panamá.

Segundo Barahona, o general Lucas Garcia é pessoalmente responsável pela morte de trinta e nove pessoas, queimadas pelas bombas que lançou a polícia contra a embaixada da Espanha. Entre as vítimas havia vinte e sete dirigentes índios que haviam ocupado pacificamente a embaixada para denunciar as matanças na região de Quiché.

Barahona também revelou que o general Lucas Garcia comanda os bandos paramilitares e parapoliciais, chamados de Esquadrões da Morte, e participa na elaboração de listas de opositores condenados a desaparecer.

O Secretário de Imprensa do Ministério do Interior denunciou que na Guatemala se está aplicando um Programa de Pacificação e Erradicação do Comunismo, 420 páginas, elaborado por especialistas dos EUA com base na experiência da Guerra do Vietnã.

No primeiro semestre de 1980 foram assassinados na Guatemala vinte e sete professores da Universidade, treze periodistas e setenta dirigentes camponeses, em sua maioria indígenas.

A repressão se descarregou com particular intensidade sobre as comunidades indias da região do Quiché, onde foram descobertas grandes depósitos de petróleo

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Meu segurança

janeiro 29, 2009

Ano: 1966. Evento: passeata estudantil pelas ruas de São Paulo. Motivo: protesto contra a ditadura. Ponto de partida: Largo São Francisco. Esses dados situam a primeira vez que participei de um ato público contra a ditadura. Não foi propriamente uma passeata, como as muitas que fizemos em 1968. O movimento ainda não estava bem organizado. A ditadura ainda não tinha mostrado todas as suas maldades.

A polícia nos dispersava com relativa facilidade. Mas não desistíamos. De alguma parte surgia uma palavra de ordem para nos reagruparmos em outro local. E assim o fazíamos. Era uma correria de gato e rato, ou, se quiserem, de polícia e estudantes por todo o centro de São Paulo. A manifestação durou umas três horas. Por volta das oito da noite resolvi ir pra casa.

Na época, morava no Jaçanã. Ia chegar tarde e talvez não encontrasse comida. Resolvi parar no meio do caminho e visitar um meio irmão de minha vó materna, tio Onofre. Ele morava pelos lados de Santana e eu tinha certeza que dava para roubar uma bóia da tia Adélia, excelente cozinheira. Além disso, o velho Onofre era um consumidor contumaz de cerveja. Sob um telhado no quintal de sua casa havia mais engradados da bebida que em qualquer depósito de um boteco médio. Decisão acertada. Janta maravilhosa. Depois, um papo comprido, animado por muitos copos gelados da loira mais querida do país. Na conversa nada da manifestação. Apenas coisas de família e estórias profissionais do tio Onofre, grande marceneiro e matuto de Capetinga, MG, vivendo aventuras na cidade grande.

Por volta da meia noite anunciei que estava saindo para pegar o ônibus para Jaçanã. Na época, andar pelas ruas de Sampa tarde da noite era coisa tranquila. Mas meu tio queria que eu chegasse em casa são e salvo. Prontificou-se a me achar um segurança. E assim o fez. Um amigo dele estava indo para os lados da Dr. Zuquim onde eu pegaria o Parque Edu Chaves. E o velho Onofre achou que eu iria fazer a caminhada mais tranquila de minha vida. O segurança ad hoc era um soldado da polícia militar. E lá fomos rua afora papeando sobre coisas da vida. Não sei como  a conversa descambou para o lado da manifestação do dia. Meu segurança tinha participado de toda a correria no centrão. Mas antes de tentar impedir a manifestação, tinha sido convocado para permanecer no quartel desde a véspera. Acordara de madrugada para uma “ordem unida” e ouvira o dia todo discursos dos oficiais contra os comunistas e baderneiros. Resumo:  ficara aquartelado umas vinte horas e correra muitos quilometros atrás dos estudantes. Estava furioso. Entre outras coisas me disse: “eu queria muito pegar um daqueles estudantes; ele ia ver como canta um cassetete!”. Gelei. Ainda bem que eu não lhe dissera que era estudante, muito menos que havia participado da manifestação. Cheguei inteiro ao ponto de ônibus e liberei o meu segurança. Tio Onofre nunca soube do apuro que passei.

Ginásios Vocacionais

janeiro 22, 2009

Por Sandra Machado Lunardi Marques

A propósito do post 68 – Dezembro, em Brasília!!, de Olga Maria Salati Marcondes de Moraes, recebi por e.mail o seguinte texto de Sandra Lunardi Machado, também colega do Curso de Pedagogia, turma de 68, da FAFI de Rio Claro (hoje UNESP).

Alga Marinha, por que eu não fui? 6 caipiras em Brasília?

Ainda  bem que foi documentado!

A proposta era avançadíssima – conteúdos nucleados ao eixo – vida/trabalho, ser acolhido na casa dos professores. Perda inestimável!

Mas, esse fato me lembrou de outro: se não me falha a memoria, em setembro de 1968. O Ginásio Vocacional de Rio Claro acolheu um congresso dos Institutos Isolados de Ensino Superior, cercado dos cuidados habituais, ou seja, estudantes em pontos estratégicos, com walkie-talkies (nossos amigos Willie e Richard eram alguns dos vigilantes de plantão) etc. e tal. Pois bem, eu estava na mesa de debates, secretariando o encontro, mas não tenho nenhuma foto do evento.

No estanto, quando entrevistei ex-professores do GV de Rio Claro, vários deles mencionaram o fato, que por sinal  tornou-se uma das provas para a condenação de Maria Nilde: ceder o prédio para um encontro de subversivos.

Naquele ano, todos os Vocacionais sofreram invasões no mesmo dia e hora, planejadas pelo 5º GECAM de Campinas. Nessas ocasiões, eles dispensavam todos os alunos, criticavam o uso da auto-avaliação como prática bolchevista, arrobavam os armários dos professores e apreendiam material subversivo – livros do Paulo Freire, “Geopolítica da fome”, de Josué de Castro, e pasmem, fotos e mais fotos do povo fazendo ginástica numa praça de Moscou, cuja reportagem foi extraída da revista “Manchete”.

Embaixo de uma disputa sórdida pelos rumos da educação pública que opôs , simplificando os termos , defensores da qualificação da cultura a defensores do aligeiramento e da pseudo-qualificação do ensino médio, pavões da USP defendendo sua cria – o Colégio de Aplicação, pais de alunos das classes médias e da elite, cujos filhos perderam sua vaga para os de extratos pobres da população, uma vez que o Vocacional usava porcentagens da representatividade social como um dos critéios de admissão, etc.. A soma de tudo isso levou nossa mais brilhante pedagoga às garras do delegado Sérgio Paranhos Fleury, sob os cuidados do qual ela perdeu a visão de um olho.

Moral da história: ao tentar desqualificar a história, ora tachando os Vocacionais de subversivos, ora de elitistas, a pátria amada nos obriga a cada ano a inventar a roda quadrada, claro. Currículo hoje é um tira-e-põe no mesmo horário, troca troca devidamente aprovado pela alta administração. Cruz credo!

Recebemos o Prêmio Dardos

janeiro 22, 2009

 

Recebemos de Jarbas Novelino Barato, do Boteco Escola, o Premio Dardos.

O prêmio tem como objetivo valorizar e incentivar o trabalho dos blogueiros. Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:

1. exibir o selo do prêmio;
2. linkar o blog que atribuiu o prêmio;
3. escolher quinze (15) outros blogs para entregar o “Prêmio Dardos”.

O selo já está reproduzido. O link já foi providenciado. Falta escolher 15 blogs para entregarmos o prêmio. Vamos selecionar os que tem uma relação com a temática do Arquivo 68. São eles:

1. ArquivoN 68

2. Hilarius 68

3. Especial 68

4. 68 o ano que jamais terminará

5. 68

6. 40 anos de 68

7. Blog do Ozai

8. Vivendo as diferenças

9. Manifesto Jeocaz Lee-Medi

10. Censura Musical

11. Memória do movimento estudantil

12.  Trabalho Maio

13. Palavras Todas Palavras

14. Mayo de 68

15. Emiliano José

01 de janeiro de 1959

janeiro 2, 2009

1 de enero de 1959
La Habana

por Eduardo Galeano

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Cuba Amanece sin Batista

Cuba amanece sin Batista en el primer di­a del año. Mientras el dictador aterriza en Santo Domingo y pide refugio a su colega Trujillo, en La Habana los verdugos huyen, salvese quien pueda, en estampida.

Earl Smith, embajador norteamericano, comprueba, horrorizado, que las calles han sido invadidas por la chusma y por unos cuantos guerrilleros sucios, peludos, descalzos, igualitos a la pandilla de Dillinger, que bailan guaguancó[1] marcando a tiros el compás.

[1] El guaguancó es un tipo de rumba, que se originó en Cuba a raíz de la abolición de la esclavitud en la Isla en 1886. El guaguancó representa una fusión de varios rituales profanos afro-cubanos conocidos como rumbas. Las otras dos variedades importantes son el yambú y la columbia.

Los bailadores del guaguancó se mueven al ritmo de los instrumentos de percusión rodeados de un coro dirigido por un solista, que realizan una coreografía altamente erótica. El hombre va en busca de la mujer con fuertes movimientos pélvicos muy expresivos.
Ella a su vez, lo evade y rechaza, hasta finalmente someterse a sus avances. El acto final significando la conquista realizada se conoce como el vacunao.

1 de janeiro de 1959
La Habana

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Cuba amanhece sem Batista

Cuba amanhece sem Batista no primeiro dia do ano. Enquanto o ditador aterriza em São Domingos e pede refúgio a seu colega Trujillo, em Havana os verdugos fogem, salve-se quem pode, em debandada.

Earl Smith, embaizador americano, constata, horrorizado, que as ruas foram invadidas pela chusma epor uns quantos guerrilheiros sujos, peludos, descalços, iguaizinhos ao bando de Dillinger, que dançam guaguancó[1] marcando a tiros o compasso.