Archive for setembro \28\UTC 2008

Memoria del fuego/Memória do fogo

setembro 28, 2008

por Eduardo Galeano

28 de setembro

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Roda Viva – um olhar de 1968

setembro 27, 2008

 

https://i1.wp.com/br.geocities.com/infocasadamusica/CartazRodaViva.jpg

A cortina já está aberta quando você chega: enormes rosas à esquerda, enorme garrafa de Coca-Cola à direita, enorme tela de TV no fundo, uma passarela branca avançando até a metade da platéia. (…) A campainha toca três vezes, a platéia faz silêncio, ruídos estranhos saem dos alto-falantes, na tela de TV aparece uma frase: “Estamos à toa na vida”. (…)

Entra o coro, com longas túnicas vermelhas e mantilhas pretas. Canta um triste Aleluia, rodeia Benedito. Aparece o Anjo da Guarda (Antônio Pedro), o empresário de TV, com asas negras, cassetete de policial na cintura, maquiagem de palhaço de circo: “Benedito não serve, nós precisamos de um ídolo! Você será Ben Silver!”

O Coro joga para trás as túnicas e mantilhas, é agora um grupo de jovens do iê-iê-iê que canta: “Aleluia, temos feijão na cuia!” (…) O espetáculo não está somente no palco, o Coro invade a platéia, conversa com ela, e o empresário pede um minuto de silêncio em homenagem ao ídolo: cada participante do Coro olha fixamente um espectador (agora todos já entendem porque a bilheteria insistiu em vender ingressos da primeira fila).

O minuto termina, Ben Silver é carregado para o palco num grotesco andor feito de long-plays e fotos de cantores, conduzido por grotescas caricaturas das “macacas de auditório”, que no fim do primeiro ato o levam embora, deitado sobre uma cruz de madeira, nu, cansado sob o peso do próprio sucesso.

Ben Silver, esgotado pelo sucesso, procura o consolo de sua mulher (…) para uma linda cena de amor que é repentinamente interrompida pela câmera (sic) de TV e pelo Capeta (o jornalista desonesto) (…). E juntos, o jornalista e o Ibope, decretam o fim da carreira de Ben Silver: “O ídolo é casado! E além de tudo, é bêbado!”

Uma procissão de três matronas antipáticas tenta salvar o ídolo exigindo que ele faça caridade. Mas nada adianta, Ben Silver acabou. Só há uma solução: transformá-lo em Benedito Lampião. Para manter o prestígio ele deve suicidar-se. (…) a platéia sai do teatro evitando sujar os saltos dos sapatos Chanel nos restos do fígado de Benedito Silva que o Coro das fãs devora no final. (…) tudo é caricatura do religioso no espetáculo, que, como atividade religiosa, se desenvolve em todo teatro, palco, galerias, platéia. (O teatro com que sonhava Antonin Artaud).

Para criar o ídolo, ele é liturgicamente paramentado, peça por peça de seu ridículo traje prateado. (…) os atores se dirigem agressivamente à platéia, fazem perguntas, pedem assinaturas em manifestos, sacodem e encaram os espectadores (a censura de 14 anos me parece muito pouco severa para o espetáculo).

Ben Silver se encontra com a esposa coroado de espinhos, nu, como o Cristo. A tentativa de salvar o ídolo em decadência é encenada como uma procissão, liderada pelo capeta (seria a peça toda uma Missa Negra?) – que satiriza o jornalista marrom – usando como cruz o conhecido “X” de lâmpadas em pregado pelos fotógrafos. E a primeira cena entre Benedito e sua mulher é uma caricatura da Visão de Nossa senhora. (…) Elementos cristãos, aliás, são misturados com rituais pagãos (o fígado de Prometeu, as orgias de Dionísio), até com rituais políticos (a foice-e-martelo no chapéu do nordestino de Benedito Lampião).”

 IN: MENEZES, Marco Antônio. Roda Viva, de Francisco Buarque de Hollanda. Jornal da tarde, São Paulo, 2 fev. 1968. Divirta-se, pág. 01.

 

 

Para uma análise da peça teatral Roda Viva, ver mais em: A encenação no Brasil entre os anos de 1967 e 1974 – O tropicalismo no teatro. Ver mais sobre o teatro em 1968 em http://www.40anosde68.ufrj.br/pesq_teatro.htm e 68 –http://sessentaeoito.blogspot.com/
 

Por fim, encerre ouvindo a música e vendo um panorama dos acontecimentos de 1968 e dos últimos quarenta anos.

Memoria del fuego/Memória do fogo

setembro 25, 2008

Memoria del fuego é o título de uma trilogia, na qual Eduardo Galeano, escritor uruguaio, nascido em 1940, fornece uma interessantíssima e nova visão da história do continente americano. A trilogia é composta pelos pelos volumes:

1. Los nacimientos
2. Las caras y las mascaras
3. El siglo del viento

Já no prólogo do primeiro volume explica qual é a intenção da trilogia. Diz que espera que “possa ajudar a devolver à história o alento, a liberdade e a palavra e consertar um dos males da América Latina: a usurpação da memória.”

Vamos aqui publicar , do livro, as efemérides, contadas em forma de crônica pelo autor no dia e mês em que ocorreu o narrado, independentemente do ano do acontecido. A fonte do material que vamos utilizar é o site Patria Grande.net através do qual chegamos ao site oficial de Eduardo Galeano.

Os textos serão publicados sempre em espanhol com sua tradução para o português, numa tentativa de contribuirmos para com a restauração dos nexos entre nós brasileiros e “los hermanos” de toda a América Latina enfraquecidos por obra de interesses político/econômicos e outros que sabotam nossa “latinidad” (Antonio Morales).

25 de septiembre de 1963
Santo Domingo

Crónica de costumbres de América Latina

Desde las arenas de Sosúa, nadaba mar adentro. Delante, en barco, iba la banda de música, espantando tiburones.

Ahora el general Toni Imbert está panzón y remolón y raras veces se echa al agua; pero suele volver a la playa de su infancia.

Le gusta sentarse en el malecón, hacer puntería, fusilar tiburones.

En Sosúa, los tiburones disputan con los pobres las sobras del matadero. El general Imbert tiene simpatía por los pobres. Sentado en el malecón, les arroja billetes de diez dólares.

El general Imbert se parece mucho a su amigo del alma, el general Wessin y Wessin. Aunque estén resfriados, ambos son capaces de reconocer de lejos el olor de un comunista; y ambos han ganado numerosas medallas por levantarse temprano y matar gente atada. Cuando dicen el presidente, ambos se refieren siempre al presidente de los Estados Unidos.

Los generales Imbert y Wessin y Wessin, hijos dominicanos de la Escuela de las Américas de Panamá, engordaron, los dos, al amparo de Trujillo.

Después, los dos lo traicionaron. Tras la muerte de Trujillo hubo elecciones y el pueblo votó en masa por Juan Bosch. Ellos no podían permanecer de brazos cruzados.

Bosch se negó a comprar aviones de guerra, anunció la reforma agraria y la ley de divorcio y aumentó los salarios obreros. Siete meses duró el muy rojo. Los generales Imbert y Wessin y Wessin y otros generales de la nación han recuperado el poder, panal de rica miel, mediante un fácil cuartelazo en la madrugada.

Los Estados Unidos no demoran en reconocer al nuevo gobierno.

 

25 de setembro de 1963
São Domingos

Crônica de costumes da América Latina

Desde as areias de Sosúa, nadava mar adentro. Adiante, num barco, ia a banda de música, espantando tubarões.

Agora o general Toni Imbert está barrigudo e preguiçoso e raras vezes entra na água; porém costuma voltar à praia de sua infância.

Gosta de sentar-se no paredão, fazer pontaria, fuzilar tubarões.

Em Sosúa, os tubarões disputam com os pobres as sobras do matadouro. O general Imbert tem simpatia pelos pobres. Sentado no paredão, lhes atira notas de dez dólares.

O general Imbert se parece muito com seu amigo de alma, o general Wessin y Wesssin. Ainda que estejam resfriados, ambos são capazes de reconhecer de longe o odor de um comunista, e ambos ganharam numerosas medalhas por levantar-se cedo e matar gente amarrada. Quando dizem o presidente, ambos se referem ao presidente dos Estados Unidos da América.

Os generais Imbert e Wessin y Wessin, filhos dominicanos da Escola das Américas do Panamá, engordaram, os dois, sob o amparo de Trujillo.

Depois, os dois o traíram. Depois da morte de Trujillo houve eleições e o povo votou em massa em Juan Bosh. Eles não podiam permanecer de braços cruzados.

Bosh se negou a comprar aviões de guerra, anunciou a reforma agrária e a lei de divórcio e aumento dos salários dos trabalhadores. Sete meses durou o vermelho. Os generais Imbert e Wessin y Wessin e outros generais da nação recuperaram o poder, colmeia de rico mel, mediante uma fácil quartelada na madrugada.

Os Estados Unidos não demoraram em reconhecer o novo Governo.

 

Freire, Veja e Romano

setembro 24, 2008

Não li, nem vou ler a sujeira que a Veja publicou sobre Paulo Freire. Meu estômago, delicado e sofrido, não aguentaria a &**& urdida pelo panfleto direitista que já teve o nome de revista. Mas, ao ler o texto de Anita, viúva do grande educador brasileiro, minhas lembranças sobre certos fatos e gentes foram avivadas. Não fiquei espantado quando li a informação de que o Roberto Romano apoiou as diabrites do Civitta sobre Freire [não adianta muito malhar as pseudo-repórteres que assinam a matéria, a Veja é hoje um instrumento de propaganda política de seu dono que ainda anda vendo comunistas comedores de criançinhas por todos os lados]. Mas vamos ao que interessa, o Romano.

Conheci a figura no velho IFT (Instituto de Formação Teológica de São Paulo). Na época, um frade dominicano recém saído das hostes da JEC (Juventude Estudantil Católica). E já era extremamente crica. Sei disso porque a peça me foi indicada para um encontro que eu teria com as lideranças estudantis da AP. Para a grande maioria dos leitores preciso contextualizar as coisas antes de voltar ao hoje ‘filósofo da Unicamp’.

A AP (Ação Popular) era um grupo político de esquerda nascido de rachas com a hierarquia da Igreja Católica. No início dos sessenta, o bispos do Brasil quiseram cortar as asas (políticas) da da Ação Católica, particularmente da JUC (Juventude Universitária Católica). A moçada peitou os hierarcas, mas a JUC praticamente deixou de existir. Em seu lugar apareceu um movimento mais engajado politicamente, a AP, cujos quadros eram quase todos velhas lideranças dos movimentos estudantis da Ação Católica. No ambiente de 1968, os quadros mais conhecidos eram Catarina Melloni e Travassos. A Ação Popular, apesar de sua inclinação marxista, continuou a ter certa áurea cristã. Por essa razão, as lideranças estudantis da AP tinham como favas contadas os estudantes de teologia como seus apoiadores. Mas os teólogos de 67/68 acabaram se inclinando para o lado do Partidão. As duas maiores escolas de estudos teológicos de SP, Seminário Metodista de Rudge Ramos e IFT, estavam fechados com o Zé Dirceu e tinham cadeira cativa na CG (coordenação geral do movimento estudantil), o órgao criado pela UEE (União Estadual dos Estudantes) para promover as agitações de 1968. Mas a AP não desistia. Apelava para sentimentos cristãos a fim de ter de volta as escolas de teologia. Num destes apelos, na qualidade de presidente em exercíco do diretório acadêmico do IFT (o presidente licenciado era Frei Tito), fui intimado a comparecer num encontro do povo da AP. Não quis ir sozinho. Consultei o Tito para saber quem deveria levar com o objetivo de melar de vez nossas relações com os apedeutetas (apelido nada carinhoso que o povo da CG havia arranjado para os militantes da AP). Sugestão: Roberto Romano.

E lá fomos para o encontro num auditório do Sedes Sapientiae, hoje PUC da Marquês de Paranaguá. Creio que o Celsinho, da FEI, foi quem nos conclamou a apoiar a AP em nome de princípios cristãos. Argumentei com certa delicadeza, sem comprar briga, que iríamos continuar nossa aliança com o Dirceu. Eu era amigo de muitos dos estudantes ali presentes. Lembro-me até hoje, com carinho, do Celso, da Vera, da Catarina e da Lígia. Mas Romano queria briga. Pediu a palavra e fez uma catilinária violenta contra a AP. Coisa fora de propósito. Fiquei impressionado. O homem era de uma acidez espantosa. Útil na ocasião, mas inteiramente fora de medida.

Nunca mais vi o Romano. Muitos anos depois, um amigo comum, me falou da peça. Caracterizou o filósofo como um maníaco que escreveu sua tese em Paris procurando derrubar um trabalho do Magno (dominicano que se refugiou na França logo depois do assassinato do Marighela). O Magno, porém, nunca soube que o Roberto Romano estava a combatê-lo, e se soubesse apenas daria boas e sadias risadas. Toda essa sanha do Romano se explicava por dois motivos: o trabalho do Magno, que não conheço, devia ser muito bom, e a vaidade do ‘filósofo da Unicamp’ não tinha (nem tem) limites. Acho que tal vaidade é o que explica o apoio à Veja na crítica descabida que esta fez a Freire. Fujo um pouco de meu modo de sempre compor, encerrando com uma recomendação: não leiam nem ouçam o Romano.

Na foto, um registro de conversa com Paulo Freire. Vejam que na época eu ainda tinha cabelos negros. O gringo a meu lado é o grande educador dinamarquês, Steen Larsen.

Uma carta de Betinho para Maria

setembro 21, 2008

Procurando na Internet algum fato relevante ocorrido em 21 de setembro de 1968, não encontrei nenhum. Quarenta anos atrás, parece que esse foi um dia tranqüilo. Nada agitou a superfície dos acontecimentos de forma a virar notícia. Mas, como quem procura sempre acha, durante a pesquisa garimpei algo mais precioso: uma carta de Betinho para sua esposa Maria, que foi escrita para ser lida só depois de sua morte. 

Betinho foi mais que uma exemplo de ser humano. Foi um símbolo da resistência e, depois, da luta contra a pobreza e a fome. Nos tempos de chumbo, a primeira notícia sobre ele veio em forma de música. A cancão O Bêbado e o Equilibrista falava do sonho da volta do irmão do Henfil. Para recordar:

Betinho era o irmão do Henfil. Henfil era o humorista e o cartunista que buscávamos sempre no Pasquim. Para mim, depois do lançamento da música, Betinho era o personagem que reunia em si todas as ânsias pelo fim da ditadura e as esperanças pela volta da democracia. A volta do irmão do Henfil era símbolo  da volta da liberdade.

Um dia, Herbet de Souza voltou. Um dia nos encontramos através de amigos comuns, alguns dos quais estiveram com ele no Canadá. Fomos, mesmo a distância, parceiros em um projeto de cooperativa de trabalho. Deixou saudades.

Acho que Uma Carta para Maria, que reproduzimos a seguir, fala do homem que ele era. Homens assim fazem falta ao país. Fazem falta a cada um de nós. Deixam-nos carentes do exemplo pessoal, que efetivamente nos educa e nos faz querer ser melhores. Não deixe de ler.

Carta escrita por Herbert de Souza (o Betinho) para sua mulher Maria e lida, um ano após sua morte, pelo ator Jonas Bloch, durante a cerimônia no CCBB:

“Este texto é para Maria ler depois da minha morte que, segundo meus cálculos, não deve demorar muito. É uma declaração de amor.
Não tenho pressa em morrer, assim como não tenho pressa em terminar esta carta. Vou voltar a ela quantas vezes puder e trabalhar com carinho e cuidado cada palavra. Uma carta para Maria tem que ter todos os cuidados.  Não quero triste, quero fazer dela também um pedaço de vida pela via de lembrança que é a nossa eternidade.

Nos conhecemos nas reuniões de AP (Ação Popular), em 1970, em pleno Maoísmo. Havia uma clima de sectarismo e medo nada propício para o amor.

Antes de me aventurar andei fazendo umas sondagens e os sinais eram animadores, apesar de misteriosos. Mas tínhamos que começar o namoro de alguma forma. Foi no ônibus da Vila das Belezas, em São Paulo. Saímos em direção ao fim da linha como quem busca um começo. E aí veio o primeiro beijo, sem jeito, espremido, mas gostoso, um beijo público. A barreira da distância estava rompida para dar começo a uma relação que já completou 26 anos!

O Maoísmo estava na China, nosso amor na São João. Era muito mais forte que qualquer ideologia. Era a vida em nós, tão sacrificada na clandestinidade sem sentido e sem futuro. Fomos viver em um quarto e cozinha, minúsculos, nos fundos de uma casa pobre, perto da Igreja da Penha. No lugar cabia nossa cama, uma mesinha, coisas de cozinha e nada mais. Mas como fizemos amor naquele tempo! Foi incrível e seguramente nunca tivemos tanto prazer.

Tempos de chumbo, de medo, de susto e insegurança. Medo de dia, amor de noite. Assim vivemos por quase um ano. Até que tudo começou a “cair”.   Prisões, torturas, polícia por toda a parte, o inferno na nossa frente.  Fomos para o Chile. E ali, chamado por Garcez para elaborar textos, acabei no agrado de Allende, que os usou em seus discursos oficiais. Foi a primeira vez que eu vi amor virar discurso politico…

Depois passamos por muita coisa até voltar. Até que a anistia chegou e nos surpreendeu. E agora, o que fazer com o Brasil?

Foi um turbilhão de emoções: o sonho virou realidade!  Era verdade, o Brasil era nosso de novo. A primeira coisa foi comer tudo que não havíamos comido no exílio: angu! com galinha ao molho pardo, quiabo com carne moída, chuchu com maxixe, abóbora, cozido, feijoada.  Um festival de saudades culinárias, um reencontro com o Brasil pela boca.

Uma das maiores emoções da minha vida foi ver o Henrique surgindo de dentro de você. Emoção sem fim e sem limite que me fez reencontrar a infância.

Depois do exílio, nossas vidas pareciam bem normais. Trabalhávamos; viajávamos nas férias, visitávamos os amigos, o Ibase funcionava, até a hemofilia parecia que havia dado uma trégua. Henrique crescia, Daniel aos poucos se reaproximava de mim, já como filho e amigo.

Mas como uma tragédia que vem às cegas e entra pelas nossas vidas, estávamos diante do que nunca esperei. A Aids. Em 1985, surge a notícia da epidemia que atingia homossexuais, drogados e hemofílicos. O pânico foi geral. Eu, é claro, havia entrado nessa. Não bastava ter nascido mineiro, católico, hemofílico, maoísta e meio deficiente físico.

Era necessário entrar na onda mundial, na praga do século, mortal, definitiva, sem cura, sem futuro e fatal. E foi aí que você, mais do que nunca, revelou que é capaz de superar a tragédia, sofrendo, mas enfrentando tudo e com um grande carinho e cuidado. A Aids selou um amor mais forte e mais definitivo porque desafia tudo, o medo, a tentação do desespero, o desânimo diante do futuro. Continuar tudo apesar de tudo, o beijo, o carinho e a sensualidade.

Assumi publicamente minha condição de soropositivo e você me acompanhou. Nunca pôs um “senão” ou um comentário sobre cuidados necessários. Deu a mão e seguiu junto como se fosse metade de mim, inseparável. E foi. Desde os tempos do cólera, da não esperança, da morte do Henfil e Chico, passando pelas crises que beiravam a morte até o coquetel que reabria as esperanças.  Tempo curto para descrever, mas uma eternidade para se viver.

Um dos maiores problemas da Aids é o sexo. Ter relações com todos os cuidados ou não ter? Todos os cuidados são suficientes ou não se deve correr riscos com a pessoa amada? Passamos por todas as fases, desde o sexo com uma ou duas camisinhas até sexo nenhum, só carinho. Preferi a segurança total ao mínimo risco.

Parei, paramos e sem dramas, com carências, mas sem dramas, como se fosse normal viver contrariando tudo que aprendemos como homem e mulher, vivendo a sensualidade da música, da boa comida, da literatura, da invenção, dos pequenos prazeres e da paz. Viver é muito mais que fazer sexo. Mas para se viver isso, é necessário que Maria também sinta assim e seja capaz dessa metamorfose como foi.

Para se falar de uma pessoa com total liberdade é necessário que uma esteja morta e eu sei que este será o meu caso. Irei ao meu enterro sem grandes penas e  principalmente sem trabalho, carregado. Não tenho curiosidade para saber quando, mas sei que não demora muito.
 
Quero morrer em paz, na cama, sem dor, com Maria do meu lado e sem muitos amigos, porque a morte não é ocasião para se chorar, mas para celebrar um fim, uma história. Tenho muita pena das pessoas que morrem sozinhas ou mal acompanhadas, é morrer muitas vezes em uma só. Morrer sem o outro é partir sozinho. O olhar do outro é que te faz viver e descansar em paz. O ideal é que pudesse morrer na minha cama e sem dor, tomando um saquê gelado, um bom vinho português ou uma cerveja gelada.Te amo para sempre,    

Betinho,
Itatiaia, janeiro de 1997″
Para mais um pouco de Betinho:

O Congresso da UNE em Ibiúna

setembro 17, 2008

por Nelson Piletti

Meados de outubro de 1968. Apesar de proibida de funcionar pela ditadura militar, que mandara incendiar sua sede no Rio de Janeiro, logo após o golpe de 1º. de abril de 1964, a União Nacional dos Estudantes(UNE) realiza o XXX Congresso num sítio do Bairro dos Alves, a uns vinte quilômetros do centro de Ibiúna pela estrada de São Sebastião.

O local é de difícil acesso. Juntamente com dois colegas, representando os universitários de Caxias do Sul, cheguei em São Paulo na manhã de terça-feira, viajei para o encontro marcado numa praça de Sorocaba, voltei para São Paulo, instalando-me num alojamento da USP, onde fiquei até a noite de quarta-feira, participando de reuniões e manifestações contra a ditadura, sob a constante ameaça da polícia e do exército, que depois acaba acontecendo.

Na noite de quarta-feira, assim como nas noites anteriores, carros particulares conduziam estudantes até uma certa altura da Rodovia Raposo Tavares.

De lá, na carroceria de caminhões, fomos até o Bairro dos Alves, percorrendo a pé os últimos quilômetros até o sítio do Congresso, onde chegamos na quinta pela manhã.

As instalações eram extremamente precárias: um acampamento de lona para as assembléias, um galpão onde uns poucos podiam dormir em sistema de revezamento – a maioria dormia no local das assembléias onde não se podia entrar sem tirar os calçados, já que chovia muito, o barro era abundante e o chão também havia sido revestido com lona – um chiqueirão desativado que servia de cozinha.

E lá estávamos cerca de mil estudantes de todo o Brasil – algumas delegações, duas ou três, nem conseguiram chegar – sem a mínima infra-estrutura de alimentação, alojamento, higiene.

No sábado, finalmente, após um difícil e prolongado processo de credenciamento, o Congresso teria início. Mas, quando acordamos, por volta das sete horas, vimo-nos cercados por mais de 250 policiais fortemente armados, dando tiros para o alto.

Todos presos, cada um procurando seus calçados num enorme monte – a maioria vestindo o que dava certo nos pés – colocados em fila indiana, marchamos até os ônibus e caminhões da polícia na estrada de São Sebastião, formando um comboio que nos levaria até o presídio Tiradentes no centro de São Paulo, que posteriormente foi demolido.

Em cada centro populacional – Ibiúna, Vargem Grande, Cotia – os veículos circulavam pelo centro para que a população visse os “facínoras” subversivos aprisionados no que foi considerada uma grande vitória do governo militar.

No presídio Tiradentes, onde chegamos por volta das sete da tarde, fiquei instalado numa cela de aproximadamente 3×6 metros com mais de 66 colegas. Num canto, uma torneira e um buraco no chão para as necessidades.

Para comer a gororoba servida num grande panelão, muitos usavam a carteirinha de estudante, outros o cabo da escova de dentes, previamente aquecido e amassado, outros, ainda, simplesmente as mãos.

Após uma semana de interrogatórios, a maioria dos estudantes foram levados presos para seus Estados, algumas delegações foram liberadas em São Paulo mesmo e cerca de 70, considerados os líderes, permaneceram presos.

Entre esses estava José Dirceu, então presidente da União Estadual dos Estudantes(UEE) de São Paulo e organizador do Congresso que, posteriormente seria banido do Brasil em troca da libertação do embaixador dos EUA, seqüestrado com o objetivo de obter a soltura de presos políticos. Hoje, muitos participantes do Congresso de Ibiúna ocupam posições de destaque na política, na economia, na cultura do país. Vinte anos depois, em 1988, eu próprio fui candidato a prefeito de Ibiúna.

O que significa, entre outras coisas, que o mundo gira, a história é dinâmica. Com o tempo as posições podem se inverter. Nas palavras de Harold Pinter, Nobel de Literatura de 2005, “nada é absolutamente falso nem absolutamente verdadeiro”.

Só para citar um de nossos maiores escritores, Guimarães Rosa, “natureza da gente não cabe em nenhuma certeza. (…) Esta vida está cheia de ocultos caminhos”.

Originalmente publicado no jornal A VOZ DE IBIÚNA

Paulo Freire: Veja pisa na bola de novo

setembro 14, 2008

 

Em 1968, pela primeira vez, Paulo Freire e a Revista Veja se encontraram. A revista Veja foi criada em 1968 e, de lá para cá, tem aprofundado a sua opção pelos mais ricos. Em 1968, Paulo Freire vivia, exilado, no Chile. Logo depois, foi obrigado a abandonar também o Chile, novamente fugindo de uma revolução de extrema direita. Por aí, já se percebe que o primeiro encontro histórico foi, ao mesmo tempo, o início do distanciamento.  

O período de residência no Chile e o ano de 1968 foram muito produtivos na vida de Freire. Reproduzimos, a seguir,  parte de sua biografia, publicada no site do Centro Paulo Freire:

“No Chile escreveu seu primeiro livro publicado comercialmente: Educação como prática da liberdade, “uma revisão ampliada” de Educação e atualidade brasileira, a tese com que concorreu à cátedra de História e Filosofia da Educação, na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife. Os originais em português da, Pedagogia do Oprimido, foram igualmente escritos no Chile, entre 1967 e 1868 e seriam publicados pela primeira vez em 1970: em inglês, nos Estados Unidos da América (Pedagogy of the oppresed), Nova York, Herder and Herder, e em português, com importante prefácio de Ernani Maria Fiori, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra (Cf. Gadotti, M., Organizador, 1996, p.262).

No Chile, foram ainda escritos alguns dos livros de Paulo Freire: Educação e conscientização: extensionsimo rural (em colaboração com Ernani Maria Fiori, José Luiz Fiori e Raul Veloso Farias), CIDOC, Cuernavaca, México, 1968; Contibución al proceso de conscientización del hombre en América Latina, Montevidéu, 1968; Acción cultural para la lidertad, ICIRA, Santiago, 1968; Extensión o comunicación? La conscientización en el medio rural, ICIRA, Santiago, 1969 (Cf. Gadotti, M., Organizador, 1996, p.260-62). Esses livros davam forma a seu discurso no Recife, inclusive ao discurso-base do “método Paulo Freire” e anunciavam sua obra prima: a Pedagogia do Oprimido”.

Recentemente, Paulo Freire e Veja voltaram a se encontrar. A iniciativa foi da revista que publicou um texto lamentável. Na edição de 20 de agosto de 2008, a revista Veja publicou a reportagem “O que estão ensinando a ele?” de autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira. No meio da matéria, encontra-se a seguinte “pérola”:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.”

Como não podia deixar de ser, o texto provocou a reação de educadores brasileiros. Das reações, selecionamos a da educadora Ana Maria de Araújo Freire:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire”.

Observação final (minha): A capa da edição de Pedagogia da Autonomia, que ilustra o texto, comemora 450.000 exemplares vendidos. Paulo Freire Vive!

Coração de estudante

setembro 10, 2008

 

“Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu”

(Milton Nascimento  e Wagner Tiso)

 

 

O fim de 1968 trouxe o AI5. O mesmo calendário da explosão dos movimentos libertários marcou o início aos anos de chumbo. A prisão das lideranças estudantis em Ibiúna foi o prenúncio, depois o Ato, depois silêncio ou revolta, depois escuridão.

 

Os jornais e a história registraram e mantém a memória da rebeldia e da repressão. Os que enfrentaram a ditadura manifesta e os que foram por ela reprimidos tiveram registradas as suas lutas e suas desditas. Erigidos em figuras públicas, muitos que lutaram e/ou foram perseguidos tiveram a sorte ou o azar de ter suas trajetórias reveladas e conhecidas. Depois, passado o tempo, muitos foram reconhecidos como vítimas e indenizados pelo Estado brasileiro. Hoje, muitos com méritos, começam a ser tratados como heróis…

 

Alguém disse que é infeliz o país que precisa de heróis. Acho pobre um país que reconhece tão poucos. Há algum tempo, Zumbi. Tiradentes sempre. Quem mais?

 

Mas, quero falar de uma outra coisa. Como todos, acordei em 69 com um “desvio no destino”. De repente, tinha terminado a vivência de um tempo de liberdade. Acabou o tempo de criatividade e de experimentação cultural, de debate e discussão aberta, de manifestação livre, de aprender em liberdade. O “sorriso de menino” se escondeu.

 

O fechamento não foi percebido de imediato. Ele foi acontecendo devagar. Um dia, ouve-se a notícia da prisão de um colega. Logo, outro é dado por desaparecido. Uma reunião, antes aberta, agora é feita às escondidas. Poemas substituem as notícias de jornal. Ídolos indo para o exílio.  Alguém recomenda cuidado com o que se fala. Outro fala de espias e espionagens. Suspeitas rondam todos os cantos… Diminuem os espaços, os tempos e os parceiros de conversa livre. Até no boteco se olha de lado.

 

Foi anoitecendo em todos os quadrantes. Os meios de comunicação foram censurados ou embarcaram no ame-o ou deixe-o. Agora, discutia-se a Bíblia na igreja. O grupo de jovens acabou. Nas casas, livros são queimados ou escondidos. Por resistência, lê-se o Pasquim e outras publicações da imprensa alternativa.

 

Para mim, sobrou a faculdade como único espaço em que o exercício do pensamento e a possibilidade de ação transformadora ainda existiam. Mas, já não era o mesmo território livre. Ali também restrições foram impostas. Não se discute mais a reforma universitária. Cada vez menos o destino político do país é abertamente debatido. Mas, a biblioteca estava aberta e os livros abriam-me outras janelas para o mundo.

 

A minha turma de Pedagogia conseguiu abrir um reduzido mas fértil espaço de autonomia. Inclusive por insistência nossa, quase todos os professores adotaram métodos mais ativos e participativos em suas aulas. Isso enriquecia e ampliava as possibilidades de estudo, de pesquisa, de reflexão e de pensamento autônomo e crítico.

 

Assim, mesmo que menos amplas, as discussões em classe eram mais freqüentes e aprofundadas. E continuavam livres. Assim como meus colegas de classe, discuti as questões educacionais, me envolvi e fui me comprometendo com a busca de soluções para os nossos problemas educacionais concretos. Mesmo que restritos ao campo da educação, sempre tomávamos posição e lutávamos por ela.

 

Era a forma possível de exercício da cidadania. Ao mesmo tempo, sempre que tinha oportunidade, votava na oposição, que de débil foi se fortalecendo.  

 

Essa foi minha verdadeira formação política. Foi a formação política possível e acredito que adequada àqueles tempos. Ela iria influenciar fortemente a vida profissional futura. Daria modelo de um existir em sociedade que perduraria no tempo. Mas, esse já é o tema para um outro capítulo. 

 

O discurso de Márcio Moreira Alves

setembro 6, 2008

O dia 6 de setembro de 1968 foi determinante para o início dos “anos de chumbo”. Postamos a seguir um vídeo que contém parte do discurso de Márcio Moreira Alves, que, ao criticar a invasão da Universidade de Brasília, em 30 de agosto,  prega o boicote das mulheres aos desfiles de 7 de setembro. O vídeo inclui um depoimento mais recente de Márcio a respeito da peça teatral que inspirou a fala. Mais um exemplo de como, em 1968, política e cultura andavam juntas.

Em reação ao discurso, os militares solicitaram à Câmara dos Deputados licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves. Em 12 de dezembro, a Câmara, surpreedentemente, recusou o pedido. A recusa abriu caminho para o AI5. Para complementar, postamos outro vídeo que relata esses acontecimentos.

Mais tarde, Chico Buarque de Holanda criou “Mulheres de Atenas”. Mas, isso já é outra história. Ou, não?

O PASQUIM

setembro 3, 2008

Procurando informações sobre O pasquim, deparei com o blog do Senhor Lázaro Barreto-74 anos, lá de Divinópolis-MG, onde ele comenta sobre sua coleção de O PASQUIM e analisa com lucidez e riqueza de informações o papel do hebdomanário, surgido na década de 60, que foi um símbolo de resistência à censura da ditadura militar.

Imediatamente enviei a ele um e-mail pedindo autorização para publicar a matéria aqui. Ele ainda não me respondeu, mas tenho a certeza que irá autorizar, então me adianto e publico o material mesmo assim. Se ele passar por aqui e decidir o contrário é só nos avisar que retiramos a matéria imediatamente. (Antonio Morales)

Minha Coleção do Hebdomanário PASQUIM

por Lázaro Barreto

Publicado por mais de 20 anos e distribuido semanalmente em todo país, o tablóide PASQUIM é o ponto alto da história do humorismo brasileiro veiculado através da imprensa escrita de ampla divulgação, alcançando culturalmente tanto a elite como a classe proletária, agindo não só como recreação instrutiva de alto teor estético como no papel de um posto avançado de defesa das liberdades democráticas e de combate (driblando a espessa e compacta censura oficial da época) aos casuísmos e arbitrariedades do absolutismo ditatorial implantado através do golpe militar do fatídico primeiro de abril de 1964, que durou enquanto pôde, até os primeiros anos da década de 80.

Para ler a matéria completa acessem a Página 36 ou o blog do Senhor Lázaro Barreto.