Posts Tagged ‘golpe’

Da ditadura militar brasileira – artigo.

março 6, 2014

Da ditadura militar brasileira

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Até a década de 1990 existia um amplo consenso na esquerda brasileira em relação ao caráter do golpe e do regime implantado em 1964. Poucos questionavam que havíamos tido um golpe militar e que este, por sua vez, implantara uma ditadura militar. Contudo, vem crescendo o número daqueles que se utilizam livremente de termos como ‘golpe civil-militar’ e ‘ditadura civil-militar’. Essas fomulações, embora busquem captar a participação de setores não-militares no golpe e no governo que se formou, não dão conta das característica principais – das especificidades – do regime discricionário imperante no Brasil entre 1964 e 1985. Refiro-me a militarização da política e do Estado. É justamente disso que trataremos nesse artigo dividido em duas partes. Para ler a primeira parte do artigo clique aqui. Para ler a segunda parte clique aqui.

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Imprensa Golpista – para entender o que é o PIG.

janeiro 4, 2012

Este vídeo foi produzido com trechos de editoriais de jornais brasileiros logo após o golpe militar de 1º de abril de 1964. Baseado na postagem de Cristiano Freitas Cezar no blog Crítica Midiática:

Na década de 60 não existia esse apelido – PIG(Partido da Imprensa Golpista) – contudo ele já existia de fato e teve participação decisiva no Golpe Civil/Militar que nos “presenteou” com uma ditadura por mais de 20 anos.

11 de setembro

setembro 13, 2010

Os vídeos abaixo extrapolam a década de 60, mas acho que tem tudo a ver com os sonhos e esperanças daqueles viveram e foram jovens nos anos sessenta.

Quarenta e cinco anos do Golpe de 1964

abril 1, 2009

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Jaime Valim Mansan*

Há algum tempo, corrigi um colega que então se referia à “comemoração” dos quarenta anos do Golpe de 1964. Observei que se tratava de “rememorar”, não de “comemorar”; ao que o historiador redargüiu-me o contrário, reafirmando seu entendimento inicial.

Dias depois, dei-me conta de que ambos estávamos certos, já que a adequação ou inadequação dos termos varia conforme a perspectiva político-ideológica de seu enunciador e, no caso específico de 1964, de acordo com o entendimento que se tem daquele evento.

Digo isso porque, como se sabe, há uma importante diferença de sentido entre os dois termos, assinalada inclusive em alguns dicionários de língua portuguesa. Embora ambas as palavras se refiram ao ato de relembrar e fazer relembrar, “comemorar” carrega consigo um sentido adicional de celebração. Celebrar é tornar célebre, ou seja, fazer ser amplamente conhecido e reconhecido. É também exaltar, louvar, festejar algo ou alguém.

Assim, importa rememorar que, há quarenta e cinco anos atrás, neste país, o Presidente da República, João Goulart, foi deposto através de um golpe de Estado, promovido por setores militares e civis da sociedade. Oriundos principalmente da classe dominante, instauraram no Brasil um regime ditatorial que vigorou por vinte e um anos.

Naquela época, para quem ousava discordar, as punições eram variadas: perseguição, cassação, expurgo, tortura física e psicológica, prisão, assassinato, “desaparecimento”, dentre outras medidas legais e ilegais. Ultimamente, há quem diga que, apesar disso, a “ditadura à brasileira” não foi tão ruim assim. Eu discordo.

É importante rememorar tais fatos porque, em tempos em que o Velho se traveste de Novo (“nova política”, “novo jeito de governar”) com o objetivo de se perpetuar no poder, os mecanismos de promoção do esquecimento se tornam cada vez mais velados e, por isso, mais eficazes.

A opção entre “comemorar” ou “rememorar” os quarenta e cinco anos do Golpe de 1964 é mais do que simples questão de nomenclatura.

Independentemente do termo escolhido, trata-se de, no presente, abandonarmos a ilusão da imparcialidade para, compreendendo e assumindo uma posição clara em relação a nosso passado, encararmos o futuro de frente.

  • Professor de História e historiador.

(publicado com a autorização do autor)

1965 – San Juan de Puerto Rico

novembro 26, 2008

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por Eduardo Galeano

24 de abril de 1965
San Juan de Puerto Rico

Bosch

La gente se lanza a las calles de Santo Domingo, armada con lo que tenga, con lo que venga, y embiste contra los tanques. Que se vayan los usurpadores, quiere la gente. Que vuelva Juan Bosch, el presidente legal.

Los Estados Unidos tienen preso a Bosch en Puerto Rico y le impiden volver a su país en llamas. Hombre fibroso, puro tendón, todo tensión, Bosch se muerde los puños, a solas en el rabiadero, y sus ojos azules perforan las paredes.

Algún periodista le pregunta, por teléfono, si él es enemigo de los Estados Unidos. No; él es enemigo del imperialismo de los Estados Unidos:

—Nadie que haya leído a Mark Twain— dice, comprueba Bosch —puede ser enemigo de los Estados Unidos.

em português:

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24 DE ABRIL DE 1965
San Juan de Puerto Rico

BOSH

A povo se lança às ruas de São Domingos, armado com o que têm,
com o que venha, e investe contra os tanques.Que se vão os
usurpadores, quer o povo. Que volte Juan Bosh, o presidente legal.

Os Estados Unidos prenderam Bosh em Porto Rico e o impedem
de voltar a seu país em chamas. Homem de fibra, puro nervo,
todo tensão. Bosh morde seus próprios punhos, a sós na cela,
e seus olhos azuis perfuram as paredes.

Algum jornalista lhe pergunta, por telefone, se é o inimigo dos
Estados Unidos. Não, ele é o inimigo do imperialismo dos Estados Unidos:

– Ninguém que tenha lido Mark Twain – diz, comprova Bosh – pode ser inimigo dos Estados Unidos.