Quadrante III - O jogo

Maio 13, 2008 by José Antonio Küller

Bem na esquina do terceiro quarteirão havia um campinho de terra batida. Duas traves de madeira e uma bola velha bastavam para o futebol da molecada.

Tinha uma pelada quase toda tarde. O uso era mais intenso aos sábados e nas manhãs de domingo. Memoráveis partidas aconteceram no pequeno espaço ainda não ocupado pelas construções da Rio Claro que crescia. A bola rolou até 1968. Em 1969, o pequeno campo de futebol foi transformado em um jardim público.

Tenho procurado o significado simbólico desse lado do quadrante. O que dele foi decisivo em minha formação e na minha vida?  Embora gostasse de jogar, o futebol nunca chegou a ser imprescindível, antes ou depois de 1968. “O ano que não terminou também não modificou significativamente a minha relação com o jogo de bola. No quadrante através do qual me propus a representar, sob o prisma da liberdade, “o cenário dos acontecimentos mais importantes e a minha vivência do ano de 1968″, qual o significado do campinho de terra batida?

Lembrei-me, de repente, da introdução de um curso sobre jogos em educação que formatei para o SENAC de São Paulo. Lá dizia:

Existem duas características, no jogo, que podem justificar o seu uso e a sua escolha face a outras alternativas metodológicas. O jogo é um instrumento privilegiado de construção do conhecimento e da cultura.  Huizinga afirma que “o espírito de competição lúdica, enquanto impulso social, é mais antigo que a cultura, e a própria vida está toda penetrada por ele como um verdadeiro fermento” (Homo Ludens, p.193).   A vivência é similar ao jogo na fuga do tempo e espaços reais, na liberdade de ação e no seu caráter lúdico. Huizinga atribui, ainda, ao jogo, a origem do ritual, da poesia, da música, da dança, do saber e da filosofia. A cultura em seu nascimento é um jogo e nunca separa-se por completo dele. “A cultura surge no jogo, e enquanto jogo, para nunca mais perder esse caráter” (ainda p.193). Assim, seja na assimilação da cultura, seja em sua construção, o jogo está presente e jogar é preciso.

Pronto. Ao mesmo tempo, tinha feito uma ligação do campinho de futebol (jogo) com 1968, a cultura e a liberdade. A liberdade é a essência do próprio jogo. Uma vez postas as regras, o jogador dá livre curso as suas possibilidades e capacidades de ação. No jogo, ele experimenta e desenvolve livremente suas potencialidades para agir, competir, colaborar, persistir e ser. A cultura surge do jogo. O ano de 1968 é um marco das intensas mudanças culturais ocorridas na década de 60.

Até perto de 1968, minhas referências culturais estavam profundamente marcadas pela minha origem e meio social, apenas arranhadas pela escola e desarranjadas por uma isolada, famélica e anárquica busca pela literatura. A origem rural, explicava o gosto pela música caipira. No rádio, ouvia a antiga música popular brasileira (velha guarda) e os sucessos do momento (sambas canções, boleros). O ouvido não fora educado para distinguir gêneros ou diferenças qualitativas.

Quando criança, o único livro que tinha em minha casa era de teatro. Tratava-se da comédia Deus lhe Pague”, que foi encenada por Procópio Ferreira. Era uma recordação do tempo de juventude de meu pai. Ele tinha participado de um grupo de teatro amador em Cascalho, bairro rural de Cordeirópolis (SP). Como iniciativa pessoal, lia edições atrasadas de jornais que utilizava como papel de embrulho na feira, onde trabalhava.

Tive pouca oportunidade de ver e praticar quando criança e, quando jovem, tive muita dificuldade em aprender a dançar. A escultura e a pintura não faziam parte do meu universo cultural. Pouco ou nada se falava de política em minha casa ou no meu bairro. O cinema constituía uma janela para o mundo, que eu absorvia sem crítica e sem oportunidade de discutir. As normas morais e a orientação ética tinham uma base exclusivamente religiosa.

Ao recordar, percebo que descrevo um universo cultural extremamente pobre. A pobreza das referências culturais dominantes não era compensada por uma rica cultura popular. As manifestações culturais populares as quais eu raramente tinha acesso aconteciam no campo e/ou tinham origem rural.

Compreendo, então, que, quando criança e em parte da minha juventude, vivi em uma espécie de hiato cultural. Meus pais tinham perdido o saber e as tradições do campo e ainda não tinham se integrado totalmente ao universo cultural urbano. É importante perceber que, para mim, a escola não conseguiu construir uma ponte entre os dois mundos.

Essa ponte começou a ser construída pela expansão dos meios de comunicação e pela efervescência cultural da metade final dos anos 60. De repente, a televisão chegou ao bairro e, logo depois, à minha casa. Ela era um poderoso instrumento de difusão cultural. Permitia acompanhar a evolução dos movimentos artísticos e, especialmente, dos musicais. Os festivais de música popular impulsionavam a comparação e a discussão, inclusive política, que ecoava, circulava e se reproduzia no grupo de jovens em que participava.

Estimulados pelo ambiente da época, começamos a experimentar a produzir música, teatro e dança; escrever jornais internos; fazer poesia; promover discussões culturais e políticas. A experiência do fazer estimulava a busca do saber. A busca criou a oportunidade de recuperar e organizar as informações dispersas acumuladas através da literatura. Entre 1966 e 1968 vivi um período de intensa aprendizagem cultural e política.

Não posso me alongar. É necessário ser rápido. Preciso resumir. Nos anos que antecederam ao de 1968 comecei a habitar a cidade. Em 1968, comecei a me tornar cidadão do mundo. Quais seriam as conseqüências do fechamento cultural e político que ocorreu no final de 1968 (AI 5) sobre essa construção tão recente. Sobreviveria?

MEUS HERÓIS NÃO MORRERAM DE OVERDOSE

Maio 12, 2008 by antoniomorales

por Eduardo Sposito

Gostaria aqui de homenagear algumas pessoas que a história oficial não vai lembrar e que foram muito importantes… pelo menos para mim. Influenciaram decisivamente minha vida e foram estímulo e modelo:

ADA

(Estou escrevendo no dia das mães, e nada mais apropriado para falar dela. Não era minha mãe, mas com licença do Pedrinho, da Ana e da Angela, estou me apropriando da mãe deles. Fazendo-a também minha. Aliás, se o Gorki tivesse escrito seu famoso romance no século 20, a Ada poderia ter sido sua inspiração.)

Quando a conheci, ela era apenas a mãe do Pedrinho (Pedro de Oliveira, que foi presidente do Sindicato dos Jornalistas e da Direção do PCB . Hoje pode ser encontrado no site do Partido como articulista eventual no site www.vermelho.org.br ) em cuja casa na Zona Norte de São Paulo, nos reuniamos para organizar o movimento (como ela gostava de dizer) secundarista e alguns bailinhos (onde quase aprendi a dançar) que ninguém era de ferro. Isso em 66,67.

Mais tarde quando a coisa apertou e muitos começaram a ser presos (inclusive o Pedrinho e a Marlene, sua mulher) é que ela começou a demonstrar sua força e coragem.

Só de lembrar a sua atuação, na prisão do Emiliano (Emiliano José, das biografias do Lamarca e do Marighela) por ser liderança da UBES, arrecadando dinheiro para advogado e para garantir a viagem da Cida (mãe do Emiliano) a Salvador, onde estava preso, junto com o Teodomiro (que fora condenado à morte) com todos os riscos que essa atuação lhe proporcionava, bastaria para que ela fosse homenageada.

Mas ela parecia incansável: montamos por sua inspiração e estímulo um grupo de estudos sobre Marxismo e materialismo dialético, com direito a textos da Martha Hanecker impressos em mimeográfo a álcool; começamos um trabalho político no curso de madureza que eu tocava em Guarulhos, onde escondemos um militante do PCdoB perseguido ferrenhamente (um garoto, que chegou e saiu vendado, o que nos livrou de sermos identificados em sua prisão que logo ocorreu); tentando convencer-me de entrar para o PCdoB marcava encontros com lideranças do partido, aos quais comparecia com a devida senha e sinais combinados.

A ADA funcionou também como um anjo, ou fada, sei lá, aparecendo sem a gente combinar na véspera dos nascimentos das minhas primeiras filhas, e mesmo do terceiro que nasceu quando eu já tinha mudado para Rio Preto, ela aparece na cidade alguns dias antes do nascimento.

Assim ela era para todos os filhos daquele movimento: sempre presente, decidida, incansável. Não vou esquecer a viagem de trem que fizemos de São Paulo a Marília para conversarmos com sua irmã que estava em crise de fé numa congregação religiosa, crise pela qual eu tinha passado há pouco.

Na década de 80, com a minha entrada para o Senac em Rio Preto, a vida foi nos separando, até que soube de sua morte em acidente estúpido.

Deixou na gente mais do que saudade.

OSVALDO SAMPAIO ALVES

Quem trabalhou no Senac no final dos 70 devem ter conhecido o Osvaldo. Ele trabalhou na Unifort.

Conheci o Osvaldo em 67, eu como professor e ele, desde o inicio, como um amigo que suportava minhas aulas de literatura no curso técnico de contabilidade de um Colégio Comercial no Jaçanã.

Fizemos um grupo de Teatro na escola e montamos uma peça - “Procura-se uma Rosa” de Vinicius de Moraes / Pedro Bloch / Glaucio Gill, onde ele fazia um personagem que era a sua cara: Rubão, um negro amigo de todo mundo e que restabelecia a paz e concordia dentro de seu grupo. Era o Osvaldo na vida real.

E não que ele fosse piegas ou não encarasse as brigas. Entrou firme no movimento estudantil e nos rescaldos da repressão que houve.

Mas era o cara todos esperavam para que o ambiente ficasse melhor e mais gostoso, com seu sorriso acolhedor e sua maneira calma de encarar os problemas.

Encaramos juntos, ele agora como professor, o curso de madureza em Guarulhos, num projeto que merecia um estudo sobre a gestão coletiva de escola.

Por necessidades profissionais nos afastamos, mas nos visitávamos sempre.

Até que soube de sua morte estúpida: assassinado pelo síndico do prédio onde morava, um ex-militar que se dava o direito de manter uma arma em casa.

E ele morreu, nos braços da mulher e na presença das filhas, fazendo o que ele sempre fez: tentando separar uma briga que não era sua. Um seu amigo e vizinho saiu para discutir com o síndico e o Osvaldo foi separar a briga.

Só fiquei sabendo um mês depois. Até hoje acho que vou encontrar o Osvaldo com seu sorriso, caminhando nas ruas e abrindo os braços para acolher mais um amigo.

ANTONIO ALBERTO SOLIGO - padre

A última vez que vi o Soligo foi no final dos 70, onde ele relatou o seu martírio nas mãos do Fleury. Espero que ainda esteja vivo e livre de seus fantasmas.

Estivemos juntos no Seminário, ele umas 3 turmas à frente. Quando eu saí, ele já era padre.

A visão que a gente tinha dele no seminário era de um filósofo, sério, decidido, com uma fundamentação que era dificil de se acompanhar. Em resumo, um teórico, com bastante convicção no que acreditava, mas fora do dia a dia dos mortais comuns, que eramos nós. Pode ser que era apenas impressão minha.

Mas o Soligo surpreendeu a todos. De repente descobrimos que ele fora preso, logo após o AI-5, como padre operário em Osasco, junto com o padre holandês Jan Talpe, que estava introduzindo essa experiência no Brasil.

Foi torturado pela equipe do Fleury, e libertado graças à interferência de Dom Paulo Arns e do Provincial dos Camilianos e foi para o exílio.

Voltou depois, indo para Santa Catarina tentar conscientizar os pequenos proprietários de sua região da exploração da Sadia e da Perdigão sofrida por eles.

Mas como o Frei Tito, as marcas da tortura ficaram e ele tinha recorrentemente alucinações com seus torturadores. Uma médica de Rio Preto que trabalhava com o IPPH do padre Alberti de Lins, onde o Soligo estava trabalhando, testemunhou uma de suas crises e nos relatou.

Foi a última informação que tive dele.

Mas seu discurso decidido, seu despreendimento de mártir e sua coragem de herói, andam comigo esse tempo todo.

Festival de música popular

Maio 10, 2008 by José Antonio Küller

Ao falar dos anos 60, não podemos nos esquecer da importância dos festivais na promoção das música popular brasileira. Postamos um vídeo para recordar.

Turma de 68

Maio 9, 2008 by Novelino


Um de meus grandes amigos é Sigfredo Chiroque, moço de esquerda que manteve sempre sua coerência. Peruano, ele viveu algum tempo no Brasil. No texto que segue, Chiroque faz um registro sintético de suas andanças em 68. [Jarbas]

UMA EXPERIENCIA QUE CAMBIÓ MI VIDA

Sigfredo Chiroque Chunga

En 1968 tuve que salir de Sao Paulo donde estudiaba. Retorné 25 años después por azares de la vida. Después de una ponencia a la cual había sido invitado en un evento del SENAC donde laboraba mi amigo Jarbas Novelino, una señora se me acercó. Era esposa de un viejo amigo. Me mostró una postal (cartao) que yo les había enviado a inicios de 1969. Allí había escrito algo así como:

“Aquí me tienen en el Perú. Siempre en el compromiso social; pero entre dos corrientes: El resto de cristianos que me acusa de ser ‘marxista’ y el resto de marxistas que se acusa de ser ‘cristiano’…”

En el Perú de entonces, la “teología de la liberación” de Gustavo Gutiérrez era aún incipiente. Ser cristiano y comprometido usando categorías dialécticas era algo raro. Y me sentía como una de esas rarezas, a partir de mi experiencia junto con los camilianos de Brasil y al lado de otros estudiantes religiosos en el Instituto de Filosofía y Teología (IFT) de Sao Paulo.

Recuerdo mis primeros pasos en el compromiso social, desde variados espacios:

· Desde el local camiliano de Jaçana, transitaba por las calles del barrio y aledaños, visitando enfermos en sus propios domicilios. Los domingos acompañaba al sacerdote para una capilla de Corisco, donde habitaban descendientes de portugueses y japoneses. Catequizaba.

· Los días de semana iba estudiar al IFT, donde me “captaron” primero para pertenecer a la JUC y después a “Açao Popular”. De esa época, recuerdo las misas en Sao Bento, la participación en movilizaciones estudiantiles prohibidas, noches de debate en el “Ponto de Encontro”. Ya dirigente estudiantil, fui uno de los primeros directores de “Opiniao” en el IFT. Reuniones clandestinas como militante junto con otros amigos inolvidables, como Tito Alencar. Experiencias fuertes en la Uniao Estadual de Estudantes y en el Congreso de la UNE de 1968.

· Vivencias inolvidables como docente de religión en el CEDOM de Santa Ana. Quizás aquí nació mi compromiso con la educación popular y posteriormente con la Pedagogía Histórico-Crítica. Junto con estudiantes como Pedrinho, Elizabeth Lorenzzotti y tantos otros de la “Tribu del CEDOM 1968” se construyó una manera de actuar en el campo educativo. Ellos más que alumnos míos, fueron amistades y compañeros de lucha. El nexo cristianismo-marxismo era sobre todo una práctica de vida.

Hoy, la experiencia de hace 40 años, pesa en mi vida. Es parte de ella. Y se me ocurre que es como que el aliciente de encarar la vida con utopía, en una perspectiva de desarrollo integral. La práctica emancipatoria y liberadora se hizo vida en nuestras vidas, desde entonces.

Maio de 68 - As músicas

Maio 8, 2008 by José Antonio Küller

Na Espanha, foi criado um portal especialmente dedicado aos acontecimentos de maio de 1968. O site traz uma relação de músicas que acompanharam os acontecimentos daquele mês em vários países europeus. Abaixo, faço uma cópia do texto introdutório e da relação das músicas. Incluo também o link para  Mayo Del 68 para que quiser ouvir todas ou algumas das músicas da relação.

La música de la revolución

por ESTHER MUCIENTES

Mayo de 1968 fue además de una revolución social y política, una revolución cultural. Grupos como los Rolling Stones, cantantes como Janis Joplin, autores como Jacques Lanzmann esparcieron por el mundo la semilla y la esencia del movimiento. El rock and roll fue una de las principales indentificaciones de los ‘hippies’. Simbolizaban el cambio, la insurgencia, el inconformismo, en definitiva, la revolución.

  • Il est cinq heures, Paris S’éveille
  • Papá cuéntame otra vez
  • Piece of my Heart
  • Sympathy for the Devil
  • La Marsellesa
  • La Internacional
  • I’ll be your Baby Tonight
  • Aquarius (Musical: Hair)
  • Unknown Soldier
  • La, la, la
  • Yer Blues
  • Poco antes de que den las diez
  • Pata Pata
  • Get on your Knees

68 aos quarenta

Maio 5, 2008 by antoniomorales

A Folha de São Paulo, publicou em seu caderno Mais!
do dia 04 de maio de 2008 uma série de artigos e informações
sobre o ANO DE 1968.

Destaco para os leitores do blog o artigo de Jacques Rancière,
VAMOS INVADIR! e uma breve cronologia de acontecimentos
que caracterizaram o movimento, na França.
Página 21.

68 - Cenas

Maio 4, 2008 by antoniomorales

CENA 12 - COISA DE CINEMA!

Cenas de Filmes que me vêm à memória, quando quero lembrar o período:

Bergman:- “A Fonte da Donzela”: cena do estupro da mesma e o surgimento da fonte
- “Morangos Silvestres” - as “cores” da cena em que o professor revê sua infância.
- “Gritos e Sussurros” - a cena inicial onde a atriz(não lembro o nome) acorda e fica alguns minutos mostrando sua dor apenas com expressões faciais, sem exagero, mas transmitindo tudo o que sentia

Fellini:- a caracterização de seus personagens
- Anita Eckeberg, na Fontana de Trevi(deve ser) banhandos-se na “Dolce Vita”

Pasolini:- a assunção da empregada em “Teorema”
- a auto punição de Édipo, furando os olhos com o ponteiro da cinta da mãe em “Édipo Rei”
- a “violência”visual de “Saló”

Antonioni- a beleza fria de Monica Vitti
- a fotografia dos filmes

De Sicca:- a prisão do pintor na saída do Estádio, em “Ladrões de Bicicleta” (não tenho certeza se é do De Sicca)

Godard:
- o suicídio na cena final em “Pierrot, Le Fou”
- a vietnamita dizendo “Au secours, Monsieur Kossigin!” em “A Chinesa”

Truffaut:
- a cena final de “Os incompreendidos”(”Les quatrecents coups”), quando o garoto foge pela praia e se volta interrogativo para a câmera.

Glauber:- Luiza Maranhão correndo pela praia e a interpretação do Antonio Pitanga em “Barravento”
- o revolver na boca e a cruz no ombro do operário em “Terra em transe”

Bunuel:- a cena dos mendigos imitando a santa ceia, em … (esqueci o nome do filme!)
- o final de o “Anjo Exterminador” onde após a missa de ação de graças por terem se libertado, as pessoas não conseguem sair da igreja

Marlon Brando:- toda atuação em “Sindicato de Ladrões” do Kazan
- idem em “Viva Zapata”, em especial a cena em que ele é preso e os camponeses ficam batendo pedras de forma ritmada
- a surra que ele leva no filme(cujo nome não me lembro) em que ele era o Delegado de uma cidade que queria linchar um suposto criminoso
- a atuação em Queimada, em especial a cena final: “Your bags, Señor!”

OUTRAS CENAS:
- o Zé do Burro, sendo carregado na cruz para dentro da Igreja, depois de morto, em “O Pagador de Promessas”- o sacrifício da criança em “Vereda da Salvação”, dirigido também pelo Anselmo Duarte
- a tortura dos dois irmãos (com o alicate) em “O caso dos irmãos Naves
- Paulo José “fugindo” da moça em “O Padre e Moça
- a surra no Leonardo Vilar e a música do Vandré(”O terreiro lá de casa não se varre com vassoura..”) de “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”
- a descida da escadaria no Rio do personagem de “O desafio” do Sarraceni
- a briga entre Valmor Chagas e Eva Vilma em “São Paulo S/A”
- Fernanda Montenegro e Guarnieri, escolhendo feijões depois de ele ter expulsado de casa o filho reacionário em “Eles não usam Black-Tie
- Montgomery Clift em “Tortura do Silêncio” e “Freud além da Alma”
- o “Samba da Benção” em “Um homem e uma mulher” - que ninguém é perfeito!
- nessa linha, James Dean em “Assim Caminha a Humanidade” e “Os reis do iê-iê-ié”(A Hard Days Night”) dos Beatles

MINHAS MUSAS:
- Jane Fonda, em “Barbarella”
- Bibi Anderson e Ingrid Thullin, nos filmes do Bergman
- Claudia Cardinale( não era muito chegado em Sofia Loren)
- Jacqueline Bisset, em especial na cena em que sai da água com uma blusa branca justa e sem soutien
- Ursula Andres saindo do mar em filme do James Bond (deve ser o “Satânico Dr.No”)
- a beleza de Julie Christie, como Lara em “Dr. Jivago”
- Helena Ignez
- Odete Lara
- Glauce e Anecy Rocha
- (não riam, por favor) Rossana Ghessa nas pornochanchadas
Liv Ullmann, que foi casada com Bergman.

Acho que estou esquecendo muita coisa, mas isso é só pra dar o pontapé inicial.

Eduardo Sposito

Eu tenho um sonho

Abril 30, 2008 by José Antonio Küller

Não podia ver findar o mês de abril sem referir-me a dois acontecimentos importantes. O mês de abril de 68 viu calar uma voz que lutava pela igualdade entre os homens. Em quatro de abril, morreu Martin Luther King. Dele, postamos o seu mais famoso discurso em Páginas 19 – Eu tenho um sonho.

No mesmo mês, foi lançado um grito de liberdade no ar. Em 29/04/1968, acontecia, na Brodway, a estréia do musical Hair. Para recordar acesse, em http://www.youtube.com/watch?v=gM5dU-oKFes, uma cena do filme Hair. Nela, você encontrará um ícone daqueles tempos: a música The Age of Aquarius, com Donna Summer.

Lição do chofer de praça

Abril 29, 2008 by Novelino

Na Maria Antônia ocupada a gente tinha mil reuniões da coordenação geral do movimento estudantil (CG do ME), uma ou outra assembléia e atividades culturais alternativas. Mas havia sempre um longo tempo morto. Parte desse tempo podia ser preenchida por um lanche ou uns goles de cerveja no Cientista (boteco, na época, mais in que o Bar do Zé). Outra parte era preenchida por namoros, conversa mole ou papos cabeça para quem deles gostasse. E ainda sobrava tempo naquela ocupação de tempo integral. Por isso, vez ou outra, a gente tentava achar algum compromisso para preencher os espaços mortos que ainda restavam.

Numa dessas tentativas, uma colega me convidou para visitar a tia que morava num dos edifícios mais badalados da Avenida Higienópolis, uma construção ao estilo quarto centenário na altura do número 400. Aceitei o convite. E me lembro até hoje do imenso apartamento, coisa de setecentos metros quadrados e do hóspede ilustre que lá encontramos, Jorge Amado. Lembro-me também de uma decepção. O grande escritor só falou de coisas banais. Eu esperava muito mais, algum papo cabeça sobre literatura ou política, ou alguma história de velhas lutas do Partidão, Mas qual o que, Jorge Amado emendou com minha amiga uma conversa sobre família, como vai fulano e beltrano, saúde da avó (dela) etc.

Porém, o episódio mais marcante dessa lembrança aconteceu no caminho para o apartamento. Minha coleguinha, alegando cansaço, quis ir de taxi. Protestei. Estávamos a quinhentos metros do apartamento da tia. Mas o charme de uma mulher pode mais que a razão. Embarcamos num taxi. A corrida resumiu-se à bandeirada, coisa que hoje ficaria ali por volta do R$4,80. Dei ao taxista uma única nota pequena. Havia um troquinho insignificante. Constrangido com aquela corrida tão curta, disse ao chofer que não precisava me dar o troco. Mas ele me disse algo que até hoje continua a martelar em meus ouvidos;

- Faço questão de dar o troco. Gorjeta é preconceito pequeno-burguês.

Ficou um dúvida. Até hoje não sei se o chofer de praça era um revolucionário ou um espia que circulava no pedaço para vigiar o movimento estudantil.

Jarbas

Da intensidade do evento

Abril 28, 2008 by José Antonio Küller

Além da UFRJ, pelo menos uma outra universidade federal criou um site sobre os acontecimentos de 1968. Trata-se da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do blog: 68 - O ano que jamais terminará. O site é muito interessante e vale uma visita.

Do blog, escolhi um artigo para replicar em Arquivo68. Ele pode ser visto em Páginas 18: Da intensidade do evento. O texto é da psicóloga Nilza Silva.

Escolhi esse texto porque ele é um bom contraponto para a Página: 1968 na visão de alguns intelectuais brasileiros. Nilza inclui pequenos depoimentos de intelectuais franceses: Gilles Deleuze, Felix Guattari, Michel Foucault e Maurice Blanchot. Vale uma comparação.