Bom dia para os defuntos

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Considero que essa obra, que li já faz muito tempo, se enquadre na série “Literatura engajada” e tenha muito a ver com os anos 60 e as luta do povo humilde da América Latina contra as forças que o oprime e massacra. Penso também, como o Jarbas, que toda a arte que mereça levar esse nome seja engajada. O livro de Manuel Scorsa com certeza merece estar nessa galeria, pois é literatura da melhor qualidade e profundamente engajada com a realidade dos povos latino-americanos e particularmente do Peru, seu país e cenário onde seus “defuntos” emergem como denúncia de uma realidade cruel e desumana. Antonio Morales

Esta é uma obra bastante rara e pouco conhecida da literatura latino-americana. O escritor peruano Manuel Scorza conta em: “Bom Dia Para os Defuntos” os acontecimentos da luta do povo peruano, entre os anos de 1950 e 1962, em que os camponeses se organizaram para recuperar suas terras que foram roubadas por latifundiários e por uma empresa norte-americana, a Cerro de Pasco Corporation, que estavam explorando as jazidas ricas em minérios da região do altiplano do Peru.

A história teve um desfecho trágico que resultou no massacre de camponeses revoltados com a exploração da burguesia nacional e internacional contra o povo peruano.

Em tom quase documental, Manuel Scorza faz um relato bastante real e comovente deste importante fato da história do Peru.

Esta obra é de grande sucesso no Peru e sua publicação e enorme repercussão entre a população peruana fez com que as autoridades deste país libertasse o principal líder da revolta dos camponeses, Héctor Chacón, que ficou preso durante onze anos em uma prisão localizada no meio da floresta amazônica peruana.

O autor

De origem peruana, Manuel Scorza, é um dos principais escritores do século XX no Peru. Seu maior mérito é descrever histórias reais com sutileza em que mistura fantasia e realidade de maneira bastante peculiar.

“Manoel Scorza nasceu em Lima, Peru, em 9 de setembro de 1929. Estudou em colégio militar e cursou Literatura na Universidade de San Marcos, em Lima, e na Universidade do México. Participante ativo das lutas sociais de seu país, foi preso e expulso do Peru na ditadura do General Odría. Em 1948, experimentou o exílio pela primeira vez, e durante sete anos percorreu quase toda a América Latina. Voltou ao Peru em 1956.

A partir de 1960, participou de grande rebelião camponesa dos Andes Centrais, militante ativo das lutas do movimento indígena, denunciou publicamente a matança e, por isso, foi acusado de “ataque às Forças Armadas”. Seu livro de maior impacto Bom Dia para os Defuntos (Civilização Brasileira, 1975) – Redoble por Rancas (Editorial Planeta, 1970), no original peruano – é livro que vem empolgando os leitores de todos os países onde já foi publicado: Espanha, Itália, França, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, para citar alguns.

Trata-se de um romance-testemunho. Ou, como diz o próprio autor: é a crônica exasperadamente real de uma luta solitária: “a que, entre 1950 e 1962, travaram nos Andes Centrais os homens de alguns povoados que apenas figuram nos mapas militares dos destacamentos que os arrasaram”.
Ipso facto, “os protagonistas, os crimes, a traição e a grandeza, quase todos têm aqui os seus nomes verdadeiros”. Alguns nomes, no entanto, foram modificados: “para proteger os justos contra a justiça” – adverte o romancista.

É o relato dos conflitos entre campônios e latifundiários e, ainda, a Cero de Pasco Corporation, empresa norte-americana que explora as jazidas minerais da região e reserva um milhão de hectares de terra para a engorda do gado de sua Secção Agrícola – firma que, em seu último balanço, apresentou um lucro líquido de cinco milhões de dólares. A luta travada foi epopéica, mas terminou com o massacre dos rebeldes ante as forças repressivas peruanas e os capangas dos grandes proprietários de terras.

Nesse romance realista, marcado pelo patético e o trágico, o burlesco e o fantástico, o absurdo e o cruel, há que se ressaltar o admirável domínio da fatura literária que Manuel Scorza exibe.

Há que se ressaltar, também, – como já o fizeram os seus críticos latino-americanos e europeus – “a potência devastadora da ironia e do humor”, típicos do real maravilhoso. Isto levo-o pela segunda vez a deixar seu país, buscando então refúgio na França onde viveu por 10 anos.

E é precisamente neste período que conclui sua trilogia, narradas entre Paris e Lima originalmente com o nome La Danza Imóvil (1983). Retornou ao Peru em 1978. Faleceu em 27 de novembro de 1983, aos 54 anos, num acidente aéreo ocorrido na Espanha.”

Ubiracy de Souza Braga é sociólogo (UFF), cientista político (UFRJ), doutor em comunicação social (USP) e professor da coordenação do curso de ciências sociais da UECE – Universidade Estadual do Ceará

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Uma resposta to “Bom dia para os defuntos”

  1. Livro Seo Otimização Says:

    Estou Feliz hoje 24/02/2011 novamente, pois encontrei teu blog

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