Prece – música engajada?

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Jarbas Novelino Barato, no post anterior, disse:

Antônio Morales sugere que a série que inauguramos agora tem como foco Canções de Protesto ou Música  Engajada. Prefiro a segunda expressão. É mais abrangente. É mais inclusiva. Pode incluir canções do Vandré, assim como a Internacional ou a Marseillaise. É mais sutil e menos datada. Mas, não está aqui em jogo o conceito. O que queremos é rememorar movimentos e músicas que refletiram e ainda refletem compromissos sociais e políticos.

Para dar continuidade à série proposta por Antônio Morales, começo concordando com Jarbas. Concordo com o título da série (Música Engajada) e com o critério: postar músicas que sejam sutis e menos datadas. Outra característica em comum entre as músicas antes postadas por Morales e por Jarbas é o fato de suas letras serem poesias conhecidas.

Vou seguir na mesma linha, não sei se exagerando na sutileza. Prece é um poema do livro Mensagem de Fernando Pessoa. Foi musicado. O resultado é uma música engajada?

PRECE

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem – ou desgraça ou ânsia –
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância
— Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa

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4 Respostas to “Prece – música engajada?”

  1. Itamar de Oliveira Says:

    Por ‘música engajada’ devem ser tomadas aquelas que reflitam as preocupações sociais. O próprio termo ‘engajamento’ traz a idéia de formação de um coletivo. Me perdoem, mas Fernando Pessoa é romântico, mas não, engajado politicamente.

  2. José Antonio Küller Says:

    Itamar

    No meu entender, Fernando Pessoa não é um romântico. É um modernista. O livro Mensagem é épico. Não sei quem já o comparou com Os Luzíadas, de Camões. Fala da conquista heróica dos mares por uma pequena e hoje pouco importante nação. Penso que a canção fala decadência e do desejo um renascimento heróico da nação portuguesa. Não fala de um coletivo? Não é engajada?

  3. Itamar de Oliveira Says:

    Caro professor;
    Me desculpe a pretensão ou veleidade; meu desejo não é criar polêmica, mas a obra de Fernando Pessoa é mais admirada universalmente pelo seu conteúdo lírico e romântico, o que a torna imune ao critério da datação.
    Dentro da sua interessante visão, um brega do tipo ‘Pare o mundo que eu quero descer’ de Silvio Brito é também engajada.
    Se o preconceito não falar mais alto, dentro dessa concepção, ela é altamente contestadora.
    O tom épico e suplicante de Pessoa na sua poesia e nas de seus êmulos portugueses, fazem confundir os seus gritos candentes por afeição, com os gritos nordestinos por pão e terra.
    Com respeito e admiração
    Itamar de Oliveira

  4. José Antonio Küller Says:

    Itamar

    Desculpe-me. Deve ser limitação intelectual, mas não entendi nada.

    Abraços

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