Plínio Marcos Por Eduardo Spósito

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Dentro de nossa “política editorial” de publicar os comentários mais relevantes dos nossos  leitores, postamos a seguir comentário de Eduardo Spósito sobre o texto  de Juvenal Alvarenga: Plínio Marcos, O Rebelde.

Não resisti. Dentro do espírito deste Arquivo, que é o relato do que vivenciamos naquele período, preciso falar de minha relação com o Plínio Marcos. (Devo adiantar que – como dizem os acadêmicos babacas atuais – não foi presencial).

A única vez que o vi de perto, ele estava vendendo seus livros colocados em cima de uns caixotes, lá nos barracos da Ciências Sociais da USP. E minha timidez me impediu de ir falar com ele.

Mas gostaria de contar o que ele representou para mim naquele momento da vida brasileira.

Começa pela televisão: o personagem que ele representou em “Beto Rockefeller”, novela em que fazia o amigo do personagem do Luiz Gustavo, indicava um tremendo de um ator, com uma nova linguagem, no tom da novela; seus debates com a Conceição da Costa Neves, talvez no programa chamado “Pinga Fogo’ foram memoráveis- discutia-se o uso de palavrão no teatro, por exemplo, a corrupção política, a marginalidade…

Nessa época eu era seminarista, fazendo filosofia num convento católico, mexia com teatro e me veio a idéia de fazer uma auto de natal, na linha da participação popular. Era só um esqueleto de idéias, mas não consegui escrever uma linha. Um amigo, padre Zanella diz ter levado a idéia para o Plínio e ele teria feito um texto chamado “Um dia virá”. Nunca soube se isso foi verdade e nem sei se houve esse texto do Plínio. Mas isso foi me amarrando mais à sua história.

Acho que assisti na época apenas duas peças: “Quando as máquinas param” e “Abajur Lilás”. Mas lí quase tudo que ele escrevia, inclusive seus artigos em jornais e revistas alternativas da época.Um texto seu que muito me impressionou e que acho profético sobre a marginalidade, foi “Querô”.

Um lado pouco comentado sobre Plínio foi sobre o seu humor: amargo pela vida que se vivia, mas sempre presente. Lembro sobre isso o texto sobre a Figurinha Difícil, que o vi contando várias vezes, mostrando o grande ator que era.

Para alegria minha, tenho uma filha que, ficando  grávida, reservou o nome de Plinio, se fosse menino, em homenagem ao grande autor. Parece que é uma menina, então ela vai ter que tentar de novo.

A qualidade maior na pessoa Plinio Marcos para mim é a autenticidade, o fato de não ter feito concessões e arcado com as consequências.

Eduardo Sposito

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