Woodstock faz 40 anos

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Em 5 de agosto o Festival de Woodstock completa quarenta anos. Para marcar a data, replicamos matéria hoje publicada no CORREIO da Bahia. A foto anterior foi incluída por nós.


Símbolo da contracultura dos 60: Woodstock, marcou gerações

Ivan Dias Marques | Redação CORREIO

Aqueles que se dirigiram à fazenda Yargur,emBethel, no estado de Nova York, na tarde de15 de agosto de 1969, jamais imaginariam a quantidade de pessoas que tiveram a mesma ideia de prestigiar os três dias da Feira de Música e Arte de Woodstock. Também não conseguiriam prever o quão importante aquele evento seria para a história da cultura pop. Lá se vão 40 anos de paz e amor, companheirismo e apelo a um mundo melhor. Quatro décadas de ideais que continuam em alta, talvez ainda mais importantes nos dias de hoje.


Janis era, talvez, a artista favorita e mais esperada pelo público
Foto: Divulgação


O momento americano era tenso: corrida armamentista, Guerra do Vietnã… “Woodstock se tornou um manifesto, um símbolo das mudanças que borbulharam na primeira metade e transbordaram durante a segunda metade dos anos 60 nos Estados Unidos”, explica o radialista Pete Fornatale, autor do livro Woodstock, lançado pela editora Agir e que traz depoimentos de artistas, organizadores, jornalistas e gente simples que esteve em Bethel em 1969. Para ele, o evento “nos fez sentir o êxtase de estarmos vivos”.

Milhares de jovens (hippies na maioria) abraçaram a ideia criada por Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e ArtieKornfeld. Só que os organizadores, que contavam com 75 mil pessoas no máximo, é que não estavam preparados para isso.

Lendário

Meio milhão de loucos por sexo, drogas e rock’n’roll piraram durante três dias de festa e causaram um engarrafamento de dezenas de quilômetros, onde andar a pé era mais rápido do que de carro. Quem ficou nos automóveis trocava ideias, maconha e vinho. “À medida que o tempo passou, a lenda, o mito de Woodstock, se tornou maior do quearealidade”,de- clara no livro Graham Nash, do Crosby, Stills, Nash & Young.

Os produtores enfrentaram problemas com o transporte demúsicos, falta de água e comida, e muita, muita lama provocada por chuvas. O público não parecia ligar muito para isso. Ansiosamente, esperava alguns dos shows mais inesquecíveis da história da música. Coube ao folkman Richie Havens abrir a festa. E se saiu muito bem. Até hoje, ele, com 68 anos, carrega o espírito da festa, sempre vestindo bata e com ideais de paz.


Banda inglesa ‘Thw Who’ era uma das mais importantes
Foto: Divulgação

Após Richie seguiram Joan Baez, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane,Creedence Clearwater Revival, Joe Cocker, Crosby, Stills, Nash & Young e Jimi Hendrix, entre outros. Todos reunidos em prol da boa música.

Na telona

Quem só conhece o clima do festival através de histórias, fotos e documentários antigos, vai poder saber mais do que aconteceu naqueles três dias de agosto de 1969, a partir de 18 de setembro, quando deve estrear no Brasil o filme Taking Woodstock, de Ang Lee (O segredo de Brokeback Mountain).

O longa, que conta com Emile Hirsch (Nanatureza selvagem) e Paul Dano (Sangue negro), é baseado no livro Aconteceu em Woodstock, de Elliot Tiber, o homem que possuí a aautorização para que o festival rolasse em Bethel e que foi fundamental no processo. A publicação chega ao Brasil em setembro pela editora Record.

Se chegar perto do sucesso que foi o filme oficial da festa, Woodstock (1970), já serábom. A obra de Michael Wadleigh faturou o Oscar de melhor documentário em 71.


Joan Baez foi escolhida de última hora para fechar o primeiro dia
Foto: Divulgação

Uma das melhores definições de como o evento foi abraçado por todos veio de um outro diretor de cinema, o mestre Martin Scorsese, que disse ao autor de Woodstock: “Quando olho para a segunda metade dos anos 60, percebo que foi o único período em que ouvi falar a sério sobre o amor como uma força para combater a ambição, o ódio, e a violência”.

Joplin – Era o auge da carreira da mítica cantora. Muito feeling, muito rock e muitas drogas. Janis era, talvez, a artista favorita e mais esperada pelos 500 mil presentes em Bethel. Sua performance enlouqueceu o público, o que fez a produção desculpar as bebedeiras e confusões nos bastidores da festa.

Who – A banda inglesa era uma das mais importantes em 69. Devido ao atraso e ao tumulto, o guitarrista Pete Townshend ficou irritado e nervoso, e acabou batendo com o instrumento na cabeça do ativista Abbie Hoffman, que invadiu o show do grupo para fazer um discurso. O público apoiou Pete e a apresentação do TheWho entrou para a história como uma das melhores de Woodstock.

Joe Cocker – O jovem inglês não era uma das atrações mais conhecidas em Bethel, mas sua apresentação, na abertura do último dia, se tornou lendária. Com um jeito diferente de cantar, cheio de tiques, trejeitos e expressões, Joe Cocker conquistou todos. O final do show, com a visceral versão de With a little help of my friends, dos Beatles, é um dos grandes e mais emocionantes momentos da história do rock.

Hendrix – O maior guitarrista da história do rock fechou Woodstock em grande estilo. Jimi Hendrix subiu ao palco na manhã da segunda e a maioria do público já tinha voltado para casa. Quem ficou, foi testemunha de um dos ápices do festival. Do nada, Hendrix tocou o hino americano, num festejado ato patriótico.

Jimmy Hendrix tocando o hino americano
Foto: Divulgação

Baez – Frágil e grávida de seis meses, Joan, a musa do folk, era o maior símbolo do Woodstock politizado. O marido, David Harris, estava preso por fugir do alistamento militar. A cantora, que foi escolhida de última hora para fechar o primeiro dia do festival, discursou, cantou e emocionou o público da fazenda.

(Notícia publicada na edição de 03/08/2009 do CORREIO)

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Uma resposta to “Woodstock faz 40 anos”

  1. Antonio Morales Says:

    Para quem estiver interessado em mais informação sobre Woodstock o Portal de Notícias da Globo publicou matéria especial sobre os 40 anos do Festival. Para acessá-la, basta clicar aqui.

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