Ato contra a ditabranda

by

 

Você corta um verso

Eu escrevo outro.
Você me prende vivo

Eu escapo morto.
De repente, olha eu de novo.

Perturbando a paz
Exigindo o troco.”
(Pesadelo – Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)

Só para não esquecer que a dita também foi "branda "com os jornalistas.

  

Dentre as muitas manifestações contra o editorial da Folha de São Paulo, para acompanhar o convite para o ato público contra a Ditabranda, escolhemos, por suscinto e adequado ao espírito de 68, o do Fupoca – Futebol, Política e Cachaça, cujo original pode ser visto em A ditabranda do Otavinho na Folha de S.Paulo.

Em 18 de fevereiro, a Folha de S.Paulo, mais uma vez, soltou um editorial raivoso contra Chavez chamando-o de ditador etc… pelo resultado do plebiscito em que poderá se reeleger quantas vezes quiser (e o povo deixar, óbvio). Até aí nada demais, Estadão e o Globo fazem o mesmo cotidianamente.

O pior foi a comparação: “Mas, se as chamadas “ditabrandas”  -caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça -, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.”

Ok, dá vontade de perguntar ao Otavinho (publisher do jornal) quem mais chama de Ditabranda a ditadura brasileira. Até onde sei, a Folha inventou essa agora. 

Não vou me estender muito em comentários, mas publicar as cartas enviadas pelos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, por coincidência dois personagens que já entrevistei e dos quais tenho as melhoes impressões possíveis.

Cartas

Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de “ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar “importâncias” e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi “doce” se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP) ”

O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana.” FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP) 

Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa. 

Dizer que as indignações de Comparato e Benevides são obviamente cínicas e mentirosas… O que foi então esse editorial e a resposta da Folha, que não teriam saído sem a aprovação do dono do jornal, ou seja, Otávio Frias Filho?

Cabem as perguntas, o que eles beberam, fumaram ou cheiraram antes de tanta bobagem? Essas acho que nem Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi publicariam na Veja. Ou publicariam?

 Sphere: Related Content

Por fredi às 10:27

Mais sobre Ditadura, Folha de S.Paulo, Fábio Konder Comparato, Maria Victoria Benevides, Otavio Frias Filho

 

Para quem quiser ouvir Pesadelo, postamos um vídeo recente do MPB4:

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

2 Respostas to “Ato contra a ditabranda”

  1. José Antonio Küller Says:

    Agradecemos ao Carlos Seabra (http://cseabra.wordpress.com/) a lembrança que originou este post. Arquivo 68 não poderia ficar alheio ao movimento de repúdio a uma tentativa de revisão histórica em favor da ditadura militar.

  2. antoniomorales Says:

    O professor Gilson Caroni Filho escreveu um artigo interessante sobre essa história da Folha e a Ditabranda que pode ser lido na íntegra, clicando aqui.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: