1964 – Panamá

by

por Eduardo Galeano ( en Memoria del fuego)


Canal del Panamá – 1964

Veintitrés muchachos caen acribillados cuando intentan izar la bandera de Panamá en suelo de Panamá.

Sólo se usaron balas de cazar patos— se disculpa el comandante de las tropas norteamericanas de ocupación.
Otra bandera flamea a lo largo del tajo que corta a Panamá de mar a mar. Otra ley rige, otra policia vigila, otro idioma se habla. Los panameños no pueden entrar sin permiso en la zona del canal, ni para recoger la fruta caída de un árbol de mango, y si allí trabajan, reciben salarios de segunda, como los negros y las mujeres.

El canal, colonia norteamericana, es un negocio y una base militar. Con el peaje que los buques pagan, se financian los cursos de la Escuela de las Américas. En los cuarteles de la zona del canal, los oficiales del Pentágono enseñan cirugía anticomunista a los militares latinoamericanos que pronto ejercerán, en sus países, presidencias, ministerios, comandancias o embajadas.

Son los líderes del futuro— explica Robert McNamara, ministro de Defensa de los Estados Unidos.
Vigilantes ante el cáncer que acecha, estos militares cortarán las manos a quien ose cometer reforma agraria o nacionalización y arrancarán la lengua de respondones y preguntones.

em português:

Panamá – 1964

Vinte e três rapazes caem baleados quando tentam içar uma bandeira do Panamá em solo panamenho.
Só foram usadas balas de caçar patos – se desculpa o comandante das tropas norte-americanas de ocupação.
Outra bandeira tremula ao lado do buraco que corta o Panamá de mar a mar. Outra lei rege, outra polícia vigia, outro idioma se fala. Os panamenhos não podem entrar sem permissão na zona do canal, nem para recolher a fruta caída de uma mangueira, e sim ali trabalham, recebem salários de segunda, como os negros e as mulheres.

O canal, colônia norte-americana, é um negócio e uma base militar. Com os passes que os navios pagam, se financiam os cursos da Escola das Américas. Nos quartéis da zona do canal, os oficiais do Pentágono ensinam cirurgia anti-comunista aos militares latino-americanos que logo exercerão, em seus países, presidências, ministérios, comandos ou embaixadas.

São os líderes do futuro – explica Robert McNamara, Ministro da Defesa dos EUA.
Vigilantes ante o câncer que acende, estes militares cortarão as mãos de quem ouse fazer reforma agrária ou nacionalização e arrancarão a língua de argumentadores e perguntadores.

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