68 – Cenas

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Cena 19 – Cena Final, ou Cai o pano, ou A poesia Necessária

por Eduardo Sposito

Vou encerrar essa sequência de cenas. Poderia terminar lembrando minha última passeata quando fomos cercados numa praça na Penha pelas tropas do Erasmo Dias, ao som das bombas de efeito moral e fumaça do gás lacrimogênio.

Mas não quero encerrar com um gosto amargo na boca…
Prefiro lembrar alguns trechos do grande poeta Thiago de Mello, para reforçar uma frase do antigo “Pasquim” que dizia:

“A poesia é necessária”. Ou como dizia o Che: sem perder a ternura.

Trata-se de o “Estatuto do Homem” do Thiago, que tirei de uma edição onde constava também a versão para o espanhol feita pelo Neruda (“O Estatuto”foi lançado no Chile, durante o exílio do Thiago e com apoio do Neruda)

Vou lembrar apenas os artigos 4 e 14, que me comovem mais (todos são ótimos)
Artigo 4º:

“Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul
do céu.
O homem confiará no homem como
um menino confia em outro menino.”

Art. 14º

“Fica proibido
o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
ou como a semente do trigo
e a sua morada será sempre
o coração do homem”

(Não consigo ler esse poema sem lágrimas nos olhos)

E nada mais precisa ser dito.

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2 Respostas to “68 – Cenas”

  1. José Antonio Küller Says:

    Caro Eduardo Sposito

    Recebo com pena a sua decisão de encerrar a série Cenas 68. Já tinha me habituado ao prazer de, periodicamente, dedicar-me à leitura delas. Sinto, no entanto, que para quem escreveu tantas vezes sobre o tema, como você, o assunto pareça ou possa estar se esgotando.

    Esperando ser esta a questão, gostaria de recordar e recuperara a proposta original de Arquivo68. Em Arquivo68, O início está escrito:

    “Pensei que talvez fosse possível, interessante, estimulante e enriquecedor para todos, a partir dos sonhos que tínhamos em 1968, trocarmos nossas memórias, nossas lutas contrapostas à evolução histórica, nossas reflexões em torno da história que acompanhamos e ajudamos a construir desde 1968.”

    Grifei o trecho que queria destacar. A idéia original não era ficar restrito ao ano de 1968. Mas sim, tomando 1968 como a base e o ápice de nossos sonhos, perseguir a nossa participação na história que se construiu depois.

    Então, a proposta transcende 1968. Eu mesmo, em minha contribuição pessoal, iniciei esse movimento em “Para além dos quadrantes e de 1968”.

    Assim espero que o encerramento da série não interrompa sua participação. Espero com ansiedade as Cenas 69 (epa!), as Cenas 70, …, as Cenas 2008.

    Um grande abraço

    Küller

  2. arisclenes Says:

    Nós queríamos a liberdade, a paz,o amor, mas não tínhamos a consciêcia de que sozinhos nós naum conseguiríamos como naum temos conseguido.
    É preciso alguém mais sábio,menos limitado,e mais poderoso,alguém como DEUS. Que mandou seu próprio para morrer por nós para que enfim nós conheçêcemos através dele a verdadeira paz,o verdadeiro amor e pudéssemos desfrutar da plena liberadade dos filhos de DEUS!

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