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Cena 18 – O ano em que perdi a virgindade!

por Eduardo Sposito

E é a pura verdade. Não tinha atentado para a importância da data. Depois de 10 anos de celibato voluntário, de 3 anos de voto de castidade e mais dois incertezas e inseguranças, finalmente perdi a virgindade.

E não foi fácil. Depois de toda essa repressão, não ia com certeza ser uma coisa tranquila. Uma ida involuntária à zona ( juro que não sabia que estava indo, se não teria arrumado uma desculpa) me colocou diante do momento decisivo. E na hora agá recuei. Isto é, o troço lá recuou. O drama então estava instalado e algum psicanalista ia ganhar muito dinheiro com isso.

Fui salvo, porém, pela primeira namorada, que me violentou, fez daquele adolescente de 23 anos o que quís e depois me dispensou. Acho que até hoje ela não sabe o bem que me fez…

É também uma boa história pra mesa de boteco. Acho também um bom mote para falarmos sobre a “revolução sexual” do período. Até porque acho que deixamos nessa discussão o mais importante de lado.

Não se trata de medir a liberação sexual que ocorreu ou não, ou de endeusarmos apenas o feminismo machista que queimava sutiãs e foi assumido pela midia capitalista.

É importante entender o sentido que os jovens daquele momento davam para o amor e o sexo. Vou citar um trecho do livro “Eu é um outro” do psicanalista e escritor falecido há pouco, Roberto Freire, página 169:

“Um rapaz de olhos brilhantes, cabelos lisos e caidos sobre a testa larga, um dia me disse: Cada vez que faço amor com minha namorada eu o sinto maior, mais profundo, muito mais belo do que antes. Eu fico imaginando que isso só foi possível porque amo cada vez mais as pessoas, cada vez mais pessoas. Vai chegar um dia que meu amor pela minha namorada chegará ao seu limite extremo, porque através dela estarei fazendo amor com toda a humanidade”

Ou como disse outra moça:”Nosso amor não depende só de nós dois, daquilo que podemos sentir um pelo outro. Ele realmente depende da sociedade em que vivemos, de todas as pessoas de que compõe a sociedade. E essa sociedade, para ser justa, depende decisivamente da qualidade emocional e ética de nosso amor revolucionário.”

É isso aí. Quem viveu sabe do que se está falando. E é essa revolução que foi traída, porque essa é a verdadeira revolução. A tomada do poder é apenas um detalhe.

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