Quadrante I – A escola

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Na Faculdade (FAFIRC), já disse em outro texto, 68 inciou com uma explosão de liberdade. Depois do início do ano em assembléia permanente, o retorno às aulas mostrou uma face da vivência escolar que não conhecia. Ao contrário da experiência do colégio, ainda recente, os controles eram mínimos. As portas da faculdade e das salas de aula estavam sempre abertas para se entrar ou sair.  

 

Na maioria das disciplinas curriculares, a assembléia permanente parecia continuar na forma debate coletivo ou trabalho em equipe. A prisão à fala magistral do professor e à sua verdade controlada pelas provas dava lugar a uma liberação da palavra. Incrível! Era possível, contestar, divergir, debater. Tornei-me um estudante apaixonado, o que nunca antes tinha sido.

 

A adesão da minha classe a essa proposta mais ativa e participativa foi quase total. Lembro que até um professor muito cioso de suas aulas expositivas e da segurança proporcionadas por seus resumos de aula, foi convencido a aderir. Os que não aderiram, viram-se aos poucos metidos em debates que não tinham previsto.

 

Fora da sala, a efervescência continuava. Sobre aquele ano, em comentário a um post anterior, Ocléia Maria, Presidente do Centro Acadêmico na época, diz: “(…) a postura de todos os estudantes foi exemplar; a assembléia permanente nos deu força para continuarmos com o Centro Acadêmico livre, e expulsamos o reitor da Inicamp de Rio Claro. Apesar de toda a repressão saímos vitoriosos. (…) nossa vida acadêmica foi cheia de reflexões, posturas políticas, conscientização, estudos, debates, considerações, re considerações, re conceituações (…)”. No primeiro ano de minha vida acadêmica vivi, sem medo, a minha primeira experiência escolar de aprender em liberdade.

 

A prisão das lideranças estudantis, que participavam do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, no dia 12 de outubro de 1968, foi um primeiro aviso que esta sensação de liberdade poderia estar terminando. Já estávamos em férias quando, em 18 de dezembro, foi editado o AI 5. Na volta das aulas em 1969, tudo seria diferente?

 

Em futuros posts, falarei dos outros quadrantes.

 

Küller

 

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