Música e nostalgia

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Engraçado como as coisas acontecem.
Eu, bicho-moleque, criado livre no mundo
simples e rural de minha pequenina cidade natal
que um dia ficou para trás, num dia ensolarado
do ano de 1967, quando me mudei para a cidade
grande.

Esse mundo que começou a se desfazer no início da
adolescência, um pouco mais tardia naqueles tempos.
E começou a se desfazer junto com a ferrovia que
alimentou meus sonhos de criança e sustentou minhas
fantasias por longo tempo.

Agora sei que foi se desfiando aos poucos, antes só era
nítida como ruptura, quando pegamos o último trem para
mudarmos para a cidade grande.

Última viagem indelével na memória de um jovem adolescente
acenando para seus velhos tios na varanda da janela do trem
que passava bem em frente da casa da “fazenda” onde moravam,
naquele ano de 1967.

Tempos depois ao ouvir duas músicas do Milton Nascimento
uma onda de nostalgia e saudades se apossou de mim, pois
evocavam imagens muito caras para mim: Ponta de Areia e
Fazenda.

Ponta de areia
Clique para ver o vídeo

Composição: Milton Nascimento
& Fernando Brant

Ponta de areia ponto final
Da Bahia-Minas estrada natural
Que ligava Minas ao porto do mar
Caminho de ferro mandaram arrancar
Velho maquinista com seu boné
Lembra do povo alegre que vinha cortejar
Maria fumaça não canta mais
Para moças flores janelas e quintais
Na praça vazia um grito um oi
Casas esquecidas viúvas nos portais

Fazenda

Clique para ver o vídeo

Milton Nascimento
Composição: Nelson Angelo

Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
E a meninada respirava o vento
Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal, sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida,
tios na varanda, jipe na estrada
E o coração lá

Uma resposta to “Música e nostalgia”

  1. jarbas Says:

    Alô, Grande Morales,

    E os trens se foram. Deram lugar para as estradas maltratadas e o comércio de automóveis. Mas ficaram em nossas memórias de meninos do Interior. Falar nisso, se você ainda não conhece a obra, vai aqui uma recomendação, o romance “Depois do Último Trem”, de Josué Guimarães:

    http://www.planetanews.com/produto/L/201705/depois-do-Ultimo-trem-josue-
    guimaraes.html

    Abraço,

    Jarbas

    Et: Josué Guimarães, jornalista gaúcho dos bons, era o assessor de imprensa da presidência da república no ano em que Jango foi afastado pelo Golpe.

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