O trem pagador e outras histórias

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trempagador.jpg
Comecei a contar sobre o trem pagador, que na década
de 60, percorria os ramais da Companhia Paulista de
Estradas de Ferro
. E como o pagamento dos ferroviários
era feito diretamente no guichê do vagão estacionado em
um desvio da esplanada de manobras.

A chegada do trem pagador era sempre motivo de festa e
alegria pois ele trazia o esperado envelope recheado de
notas, isso mesmo, dinheiro vivo, com o salário do mês dos
empregados da ferrovia.

E essa alegria contagiava também as crianças, pois sempre
havia a esperança de que os pais gastassem algum em guloseimas,
um brinquedinho ou um gibi.

O que, de fato, muitas vezes acontecia, para nossa felicidade.
Eu particularmente adorava os gibis, mas isso é uma outra história
que conto em outra ocasião.

Minha alegria porém era dobrada ou quadruplicada pois meu pai era
o chefe do trem pagador e volta e meia me levava junto para uma
pequena viagem no trem pagador, com direito a pouso e passeio nas
cidades onde o trem pernoitava.

Para um menino do interior era uma tremenda aventura, que
começava no vagão pagador equipado com beliches para
passarmos a noite, passava pelos cinemas das cidades de
pousada e terminava no retorno à estação de origem.

E lá ia a locomotiva a vapor resfolegando pelos campos
cortados pelos trilhos da ferrovia puxando um único vagão
no estilo da série de TV James West, da qual muitos devem
se lembrar! Muitos detalhes dessas viagens que fiz se perderam
nas brumas da memória, como costumam dizer os escritores.

Mas, menino ainda, assisti a decadência das ferrovias
no Brasil na década de 60, materializada na extinção
dos ramais onde MEU trem pagador circulava.

Os ramais de São Carlos-SP a Novo Horizonte-SP,
de Trabiju-SP a Bariri-SP e Trabiju-SP a Dourado
antiga Estrada de Ferro Douradense foram extintos e os
trilhos arrancados para tristeza de nossos pais ferroviários e
seus filhos.

7 Respostas to “O trem pagador e outras histórias”

  1. orlandonascimento Says:

    Olá Tonhão!!!

    Vou aproveitar sua historinha do Trem Pagador para testar meus progressos para lidar aqui em nosso blog. Os trens de ferro marcaram também a minha infância e adolescência: lá em Pedregulho era o Maria Fumaça, da antiga Mogiana, que vinha de Ribeirão Preto, passando por Franca e tendo como ponto final a cidade mineira de Sacramento.
    O testar meus progressos aqui diz respeito a uma tentativa que vou fazer de “colar” um pequeno trecho de uma crônica que escrevi há tempos e que, entre outras coisas, fala do “trenzinho caipira”.
    Vamos ver se dá certo:
    “Do pátio do Ginásio Estadual, onde estudava, dava para ver a linha de trem da antiga estrada de ferro da Mogiana. Antes das aulas, ou durante os seus intervalos, vigiávamos a Maria Fumaça, que chegava trazendo – ou não, o que era melhor – os professores que vinham da cidade vizinha para nos ensinar. Todos, professores e professoras, vestidos com um guarda-pó para proteger os ternos e os vestidos e blusas das faíscas expelidas pela furiosa Maria Fumaça. Aqui, quero contar algo que nada acrescenta a esta história, mas que vale a pena: até hoje, ao ouvir o Trenzinho do Caipira, do Villa, vêm fortes, coloridas e barulhentas as antigas imagens do trenzinho da Mogiana. Dá uma saudade gostosa de seu passar, choc, tchoc, choc, tchoc…, e de seu longo e lastimoso piuiiiiii…. Uma vez, na comemoração do Dia das Mães, não sei se planejado ou não, o sr. Godinho, nosso professor de Canto Orfeônico, tocava uma variação para violino desta ária, quando lá vem a Maria Fumaça, que, pouco se importando se a partitura a contemplava ou não, incorpora à peça o seu gracioso piuiiii fumacento e o seu tchock, tchock das pesadas rodas. Emoção a ponto de, envergonhado, enxugar com a manga da camisa as lágrimas que, teimosas e independentes de meu querer, corriam rosto afora.”
    Parece que deu certo. É isso aí.

  2. irece Says:

    Tonhão, adoro maria fumaça, trem… e gosto de histórias sobre a ferrovia, que além de fazer parte da minha infânica – saiamos de Lucianópolis e iamos até Duartina para ver o trem chegar (não gostava muito porque tinha que calçar sapato, e isso eu não gostava)- mas, principalmente, pelo que representa na minha formação política. No final da década de 70, ao chegar em Bauru conheci os ferroviários que ainda militavam no Partidão como o Sr Hipólito, o Gasparini ( com quem tive maior contato e que se tornou prefeito em 82) devo muito ao que aprendi a eles, até mesmo a ser sempre uma militante…
    Valeu a história!

  3. antoniomorales Says:

    Orlando, Irecê…

    Sendo eu filho de ferroviário, morávamos numa casinha cedida pela ferrovia que ficava de frente para os trilhos da antiga ferrovia do Dourado, a Douradense como era conhecida. Era só sair no portão e podíamos nos misturar com os borrifos de água e com o vapor que a maria fumaça soltava para os lados. Como a estação era próxima, ouvíamos o apito de partida. Era o que bastava para eu e mais um monte de moleques correrem para perto dos trilhos para acompanhar correndo a locomotiva por algumas centenas de metros até que o trem pegasse velocidade. Mas um belo(?) dia era uma vez o apito e a revoada de moleques!

  4. José Antonio Küller Says:

    Tonhão

    Na sua útima atualização, você criou um link para a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Lá, fala-se do ramal Cordeirópolis – Descalvado. O sítio onde eu morava quando criança dava fundos para o início desse ramal. Lembro-me de ter passado horas sentado em um tronco de árvore vendo o trem passar. Talvez você viajasse em um daqueles trens que vi sumir na curva depois do lago, logo depois da partida em Cordeirópolis.

    Küller

  5. Valentim A Bueno Says:

    Sou douradense, radicado em Paulinia SP, meu avo paterno tambem foi ferroviario da Douradense, seu nome Antonio Bueno, conhecido como Nito, viajei nos seus trilhos, sao lembranças que marcaram a minha vida.

  6. Waldir Monteiro Says:

    Sou de Oswaldo Cruz, la tinha a companhia paulista de estradas de ferro, grande empresa e que deixou grandes saudades, quando pequeno minha paixao era ver o trem passar, queria ser maquinista ( rss ) de tanto que gostava de trem.
    Hoje nao existe mais nada, nossos governantes largaram tudo isso.

  7. Jorge pais da silva Says:

    Eu goste muito dessa história do trem pagador, bom eu vou contar um pouco do que eu estou fazendo aqui onde moro. Estou tentando levantar a história aqui ,por isso pesso que me ajude a descobri quem foi que mandou por a Maria Fumaça em 1883 em Xerem, Est. Rio D’ouro a história do uoro por aqui. estou tentando montar um biblioteca e Museu aqui onde moro, eu não sou nenhu historiador eu so gosto de historia. Eu moro num pequeno sítio eu queria saber se pude-se diser como adotar uma Maria Fumaça ou um vagão de passageiro daques antigos para lenbrança da comunidade, para servi de turismo local, eu cuidaria do mesmo. espero contato.

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