Duelo na Maria Antônia

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rua-maria-antonia.jpgNão pense em violência. Não vou falar de quebra-quebras nem de conflitos entre a Filosofia e membros do CCC do Mackenzie. Vou apenas registrar uma lembrança meio apagada de um episódio acontecido nos idos de 1968.

Eu era um dos membros da CG (Coordenação Geral do ME) . Vivia mais na Maria Antônia que no IFT (Instituto de Formação Teológica de São Paulo), minha escola de origem. Para muitos companheiros, era um bicho estranho. Afinal de contas, o que fazia um estudante de teologia num dos órgãos de liderança do movimento? Muitos anos depois, uma colega da CG (a Eliana da FAAP) me disse que a turma achava estranho que eu não me parecesse com os padrecos. Alguns estudantes encarnavam e queriam me testar de muitos modos. Um deles era o João das Ciências Sociais, irmão do Mané, liderança da Educação Física.

Era umas nove da noite. Entrei no Cientista (o boteco mais afamado da Maria Antônia na época) para comer a única coisa que meu apertado orçamento permitia: um misto quente. Não cheguei a fazer o pedido. No banquinho do lado estava o João que já foi me desafiando: “cê não é de nada, aposto que não consegue me acompanhar numas cachaças”. Achei aquilo um desaforo. O João não sabia com quem estava falando… Aceitei o desafio nos meus termos: encomendar e dar conta sozinho de uma garrafa de pinga. Meu adversário topou. Bebi a garrafa. Já não sei em quanto tempo. Acho que o João não chegou até o fim. Perdeu.

Não sei o que aconteceu depois que saí do Cientista. Umas horas daquele dia nunca entraram em minha memória. Tudo que me resta de lembrança foi ter acordado no dia seguinte sobre a mesa de ping-pong, usada como apoio para corte de papel, numa gráfica de amigos, no andar superior do conhecido bar do Zé. Nunca mais tomei cachaça com o João das Ciências Sociais.

Jarbas

11 Respostas to “Duelo na Maria Antônia”

  1. Antonio Morales Says:

    Foi assim que começou a gostar de cachaça então?
    Ao invés de um “trauma” como acontece com outras
    gentes. virou um apreciador? E depois dos 50 um
    apreciador moderado e seletivo?

  2. Orlando Says:

    Você é – ou era – meio louco Jarbas? Fiquei imaginando você em duelo – tipo Durango Kid – com o pessoal do CCC e vem lá você beber uma garrafa interia de pinga?
    Você sabia que o Tarcísio uma vez, no Bar do Zé, comeu um pernil intgeiro? Não sei se apostou com o Jabur ou com uma outra pessoa; o que sei é que estive a ponto de ter dor de cabeça quando li seu duelo…e olha que eu já fui bom nisso de beber.
    Orlando.
    PS: Continuo apanhando; mas vou, logo logo, dominar esta motoca aqui.

  3. Jarbas Says:

    Alô Kuller e Tonhão,

    Isso aqui está parecendo papo pós expediente na Sutec. Saibam os não iniciados que estou falando da antiga supervisão no velho Senac. Falar nisso, a gente precisa conseguir uns depoimentos do Claudino Piletti sobre aventuras nos anos sessenta. Ela as teve. Muitas. Embora não goste de contar.
    O episódio 68, que narrei aqui, aconteceu porque uns caras achavam que estudantes de teologia (seminaristas) não eram machos. O João, volta e meia, me atormentava com gracinhas. Cometeu um grande erro quando me desafiou com um vira-vira de cachaça. Eu tinha alto grau de resistência à mardita. Tomava um copo americano inteiro da branquinha sem ficar bêbado. Mas, é claro, não fazia isso com frequência. Confesso que no dia do tal duelo exagerei um pouquinho. E não me peçam para repetir o feito, minha resistência hoje limita-se a duas ou três doses.

  4. João Henrique Says:

    Jarbas, Kuller e Morales.

    Realmente esses comentários estão com cara de encontro pós-expediente, nesse caso nada melhor que um “moleque” como eu, para atrapalhar o papo.

    O Morales me indicou o blog e gostei bastante de visitá-lo. Não vivi nenhuma dessas experiências, não naquele tempo, mas tenho uma certa admiração por quem acompanhou aqueles anos. Devem ter sido especiais, afinal é orgulho de muitos “estudantes” até hoje.

    Abraços e parabéns pelo Blog.

  5. Jarbas Says:

    Alô, Kuller e demais,

    O comentário anterior aparece com a foto do Kuller. Erro meu que estava no modo de administração e não me dei conta disso. Acontece…

  6. josekuller Says:

    Esse tipo de duelo parece que se espanhou pela Vila Buarque. Anos depois, morando na Dr. Vila Nova, fui envolvido em uma disputa dessas. Os adversários? Jarbas e Claudino Piletti (lembram?). Desconhecedor da longa experiências dos dois, perdi feio. Ao contrário do Jarbas, até hoje não me lembro quando e onde acordei no dia seguinte.

  7. josekuller Says:

    Como o Orlando, estou tentando aprender a mexer com a coisa. Imitei o Jarbas e o Tonhão e inseri uma foto minha. Forma de “assinar” meus comentários… De repente, me vejo fazendo comentários dos quais não me recordava. E nem tinha participado de duelo nenhum!

    Aí percebi que se alguém entrar com meu nome e senha e fizer um comentário, passa a ser eu. Assim, além de autor dos post fico com a autoria dos comentários.

    Vou entrar em contato e conferência telefônica com Jarbas e Tonhão para ver se me livro dessa plenipotência.

    Atualização: depois de muitos ires e vires, consegui atribuir a cada um a obra que a ele era devida. Só não consegui tirar a minha cara de dois comentários: um do Jarbas e outro do Orlando. Vou deixá-los como estão. Serão testemunho e memória da aprendizagem no blogar.

  8. Antonio Morales Says:

    Jarbas…o Claudino deve ter muita história prá contar. Mas dada a discrição do amigo, alguém teria que “coletar”, pois já tentei muitas vezes o contato via e-mail e nada!

    Além dele, o Nelson, seu irmão, é historiador e foi um dos estudantes que participaram da famosa reunião de Ibiúna e foram presos em massa pela Ditadura. Vamos fazer um esforço de contatar os dois?

  9. josekuller Says:

    Como tinha prometido, falei com Jarbas e Tonhão e o resultado apareceu. Ainda sou autor de três post(s?) que não cometi. Não consegui tirar a minha cara dos comentários do Jarbas e do Orlando. Mas, ainda chego lá.

  10. Mauro de Nardi Costa Says:

    Jarbas, Morales e demais…

    Agradeço o convite para conhecer o blog, que está muito legal. Gosto de “ouvir” essas histórias contadas por voces, que são nascidos antes de 71, ano do meu nascimento.
    Fico aqui, assim como noso amigo João, “espiando” os acontecimentos da época e só imaginando…. muito legal…
    Grande abraço a todos.
    Mauro

  11. Novelino Says:

    Alô Mauro,

    Nada de ficar só espiando. Convoca o povo da firma para aparecer por aqui. Abraço, Jarbas.

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