Por Olguinha Salati
As lembranças são escassas, tal qual a memória.
Mas é fato: monitorados pelo Prof. Aluisio Aragão, partia da FAFI – Rio Claro, atual UNESP, naquele dezembro/68, um ônibus de alunos de Pedagogia, em direção à Brasília!
Objetivo: estagiar junto ao CIEM (Centro Integrado de Ensino Médio) da Universidade de Brasília, verificando a prática de um Projeto de Ensino que integrava todos os componentes do Quadro Curricular, num único eixo temático: Vida e Trabalho.
Atividade dirigida aos concluintes/68 de Pedagogia, as vagas existentes puderam ser preenchidas por alunos das demais séries do Curso. Acredito que a edição do AI-5 acabou provocando desistências e assim, embarcamos (um grupo de 6 primeiro – anistas) na excursão para o estudo do meio na UnB.
Revendo o contexto da época, compreendo com facilidade os motivos da preocupação de nosso zeloso mestre. O ano letivo tornara-se um turbilhão: alunos excedentes, assembléias permanentes, XXX Congresso da UNE violentamente reprimido, alunos, professores, políticos, artistas e figuras de expressão devidamente amordaçados e sumidos, informantes infiltrados nos movimentos organizados e salas de aulas.
Os posts existentes neste blog a respeito da situação propiciam um panorama do clima reinante.
Fomos alojados (inicialmente ficaríamos na própria UnB) em residências de professores da Universidade, que se dispuseram a tal, contatados pelo Prof. Aragão. Andávamos sempre em grupos, devidamente atentos e cautelosos com a presença do exército por toda parte.
Assim, cumprimos nossos contatos numa já silenciosa e silenciada UnB (entrevistas com poucos professores e alunos disponíveis, alguns coordenadores e leitura de material didático produzido) e visitamos as iniciadas construções que tornariam Brasília, mais tarde, referência em arquitetura.
As poucas fotos que tenho da época, duas delas aqui publicadas, bem como os artigos e informações deste blog, permitem concluir que a capital federal era um perfeito terreiro de obras lamacento, não só no sentido físico-estrutural, mas também político-social.
Tags: 1968, AI-5, Congresso da UNE, dezembro de 68, FAFI, UnB, UNESP
Dezembro 22, 2008 às 9:46 am |
Olga
Esses mergulhos no tempo dão matéria para pensar.
Este ano (2008) estive em Brasília, em um encontro MEC-UNESCO sobre ensino médio integrado (formação geral X educação profisional). Percebi que não existem experiências relevantes ou facilmente rastreáveis de ensino médio integrado. No ensino médio, mesmo sem fim profissionalizante, predomina a atuação disciplinar isolada e estanque.
O seu post informa que, em 1968, já se experimentava alternativas mais promissoras, que foram abortadas pelo AI-5 e pelo período de repressão que se seguiu.
Ah!, sim. A catedral está pronta e seu interior é uma das coisas mais belas que já vi. Já a educação brasileira…