1967, Teatro Record, Festival de Música Brasileira.
Sérgio Ricardo tenta apresentar sua música – Beto bom de bola -
uma homenagem a Garrincha. O público vaia. Antes dele começar a
cantar, durante e depois. Ele para, tenta de novo, reclama que não
ouve os músicos, nem nada. Só as vaias. Ele desiste. Levanta, quebra
o violão e o joga na platéia gritando: – Vocês venceram, vocês venceram!
Cliquem aqui para ver o vídeo:
Sergio Ricardo quebra o violão no Festival da Record
Um grande artista – músico, compositor e cineasta injustiçado.Um resistente, perseguido, censurado.
Nunca calado, mas marginalizado, ignorado pela mídia. Segue na luta, como sempre. Resistindo.
No site Porta Curtas há uma longa e interessante entrevista com ele com o título de ENQUANTO A TRISTEZA NÃO VEM. Vale a pena assistir.
Ele compôs uma música entre muitas, chamada CALABOUÇO, que pode ser ouvida eu seu MySpace, onde estão disponíveis várias músicas dele para ouvir. Entre elas essa:
Calabouço
Sérgio Ricardo
Composição: Sérgio Ricardo
Olho aberto ouvido atento
E a cabeça no lugar
Cala a boca moço, cala a boca moço
Do canto da boca escorre
Metade do meu cantar
Cala a boca moço, cala a boca moço
Eis o lixo do meu canto
Que é permitido escutar
Cala a boca moço. Fala!
Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia
Cerradas portas do mundo
Cala a boca moço
E decepada a canção
Cala a boca moço
Metade com sete chaves
Cala a boca moço
Nas grades do meu porão
Cala a boca moço
A outra se gangrenando
Cala a boca moço
Na chaga do meu refrão
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço
Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia
Mulata mula mulambo
Milícia morte e mourão
Cala a boca moço, cala a boca moço
Onde amarro a meia espera
Cercada de assombração
Cala a boca moço, cala a boca moço
Seu meio corpo apoiado
Na muleta da canção
Cala a boca moço. Fala!
Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia
Meia dor, meia alegria
Cala a boca moço
Nem rosa nem flor, botão
Cala a boca moço
Meio pavor, meia euforia
Cala a boca moço
Meia cama, meio caixão
Cala a boca moço
Da cana caiana eu canto
Cala a boca moço
Só o bagaço da canção
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço
Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia
As paredes de um inseto
Me vestem como a um cabide
Cala a boca moço, cala a boca moço
E na lama de seu corpo
Vou por onde ele decide
Cala a boca moço, cala a boca moço
Metade se esverdeando
No limbo do meu revide
Cala o boca moço. Fala!
Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia
Quem canta traz um motivo
Cala a boca moço
Que se explica no cantar
Cala a boca moço
Meu canto é filho de Aquiles
Cala a boca moço
Também tem seu calcanhar
Cala a boca moço
Por isso o verso é a bílis
Cala a boca moço
Do que eu queria explicar
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço
Olha o vazio nas almas
Olha um brasileiro de alma vazia.

Setembro 2, 2008 às 3:35 pm |
Aprovetei e vim conhecer teu blog. Não há o que desculpar, estamos todos aprendendo.
abraço
Bernardete
Setembro 8, 2008 às 4:22 pm |
Sempre curti e torci muito pelo Sérgio Ricardo.
Inclusive tenho o LP, cuja capa ilustra a matéria a acima. Acho que “Calabouço” é a melhor do LP, mas tem outras. (Vou levantar as letras depois retorno sobre o assunto. Como utilizo a chamada Lan House, não estou próximo do LP)
Só queria lembrar a música mais famosa do Sérgio, que foi “Zelão”, aquela falava sobre a tragédia dos delizamentos no morro e dizia:
“Todo povo entendeu, quando Zelão chorou
Ninguém riu, ninguém brincou, e era Carnaval.
e mais:
“que um pobre ajuda outro pobre
até melhorar.”
O Sérgio que começou na Bossa Nova, era um Oasis, naquele negócio de “amor e flor”.
E mais, a letra de “Beto Bom de Bola” é ótima. Até hoje não entendo aquela vaia, Ou entendo, quem sabe?
Eduardo