1966.
por José Gregorutti Neto
Todos estavam muito ansiosos com a apresentação musical que faríamos em nossa “formatura” do 4º ano primário/admissão.
Realizamos vários ensaios para o canto de “Disparada” e “A Banda”.
Nos ensaios, alguns professores cantavam entusiasmados com a gente.
Tínhamos 10 anos de idade (fico imaginando hoje como era o nosso canto em uníssono daquelas musicas e os nossos familiares lá… na platéia… felizes e orgulhosos com uma das nossas primeiras conquistas!)
De repente, a notícia: não cantaríamos mais nem Geraldo Vandré/Théo Barros e nem Francisco Buarque de Hollanda!
Ninguém entendeu nada e o silêncio foi geral. Não cantaríamos e pronto! … “mas para meu desencanto o que era doce acabou”.
Na formatura a apresentação musical foi realizada por uma solitária colega que tinha uma bela voz e cantava muito bem. Literalmente, não desafinava com aquele tempo!
Só entendi aquele ocorrido tempos depois… “as visões se clareando, até que um dia acordei”, talvez em 68 com a prisão de alguns familiares.
A censura política cortou e sangrou muitos corações e mentes.

Junho 5, 2008 às 11:53 am |
Há uma história que diz que o Geraldo Vandré, quando soube que o Jair Rodrigues ia interpretar sua música – Disparada – no Festival, exclamou algo assim: – Vão dar a música para esse palhaço cantar? Minha música é séria!