Ela está lá até hoje, no boulevard (avenida) São Luís. Ainda bonita, mas decadente. Gente mais nova que passa por ali não imagina que a Galeria Metrópole foi um dos big spots da cidade de São Paulo nos anos sessenta. As galerias, aliás, precedem os shopping centers. Eram locais onde flanava a classe média paulistana em busca de diversão. A Metróple tinha um cinema de primeira água, bonito e confortável. Vi grandes filmes naquele cinemão. Queimada foi um deles. E no dia em que assisti a tal clássico do cinema, encontrei pela derradeira vez com um antigo colega do IFT (Instituto de Formação Teológica), o Maurício Soares, hoje economista do DIEESE que ouço eventualmente no rádio falando de desemprego.
No subsolo da Metróple havia nos sessenta um boteco famoso, o Ponto de Encontro. Poetas de vanguarda costumavam se encontrar no pedaço. Um deles era o Zanella, seminarista camiliano, cuja obra não aparece na Web. Zanella tinha um grande amigo poeta que pontificava no pedaço, Lindolf Bell. Eu achava que, assim como Zanella, Linfolf foi fogo de palha. Mas semana passada, a Folha anunciou que um de seus livros é leitura obrigatória para o vestibular de uma grande universidade. Em 68, num show levado no CRUSP, vi um cara muito doido recitar versos de Linfolf Bell. E lembro-me até hoje de algumas linhas que provocaram muito escândalo:
Deus?
Deus é um poste onde os homens mijam.
E esta outra, que definia alguma situação que minha memória não guardou:
… orgasmo de prostituta cansada.
Ao ouvir esta ultima linha, Lena, uma menina das ciências sociais, perguntou ao Paulo Campanaro, da física: “o que é orgasmo?”. Tem gente que não acredita que muitas mocinhas dos sessenta eram inocentes. Mas a Lena era. E eu acho que a partir da explicação do Paulo, ela se apaixonou. Os dois se casaram. Em 69 refugiaram-se no Chile. Depois disso perdi o rastro do casal.
Para quem não se lembra ou não viu, deixo aqui no final uma foto de cena de Queimada, filme de Pontecorvo, com Marlon Brando. Vale a pena ver ou rever.
Jarbas

Fevereiro 25, 2008 às 4:57 pm |
Essa cavoucada no Ponto de Encontro só pode ser do Jarbas, que tem todas as minhas memórias(Lembra o professor do IFT -cujo nome já esqueci – com o qual dei uma mancada fenomenal e da qual você me lembrou?)
Desencavar o Zanella e “de lambuja” o Lindolf Bell é outra façanha admirável. Me fez lembrar o lançamento do livro do Zanella no Ponto de Encontro, do qual tenho uma foto onde só aparece a minha barriga (o que é perfeitamente cabível (cabivel?). e só reconheci a barriga por causa da blusa ridicula que eu usava na época.
Queria lembrar duas coisas: (já tô conseguindo lembrar):
Os versos mais famosos do Zanella, que simbolizam bem o seu oportunismo poético: “Quando o eu se tornar tu
todos seremos nós”
Daí até o “A Igreja, essa prostituta” e o desmacaramento foram apenas dois passos.
Com relação ao Ponto de Encontro. se bem me lembro, pertencia ao José Carlos Meirelles (depois fazendeiro e Secretário do Covas) que junto com o Paulo de Tarso e o Almino Afonso, “politizaram” os camilianos. O pior é que meu primeiro voto – para vereador – foi pra ele.
Rapaz, não consigo me lembrar que filmes assisti no Metrópole !
Até há pouco tempo, quando estava ali por perto, desviava o caminho só pra ver se encontrava algum fantasma daque tempo.
Eduardo Sposito – em São José do Rio Preto- fev. de 2008
Fevereiro 26, 2008 às 1:05 am |
Alô Edu,
Bom te ver por aqui, cara. Muito bons seus complementos sobre o Ponto de Encontro. Quem não viveu em Sampa nos sessenta pouco ou nada sabe sobre este ícone da nossa época. Eu não sabia que o dono do lugar era o Meirelles. Sua lembrança iluminou parte da minha ignorância e melhorou minhas memórias.
Falar em lembrança, relembro aqui em poucas linhas seu episódio com um novo professor no IFT.
Começo de ano. Primeiro ano de teologia. Estudantes novos vindo de diversas partes do Brasil. Alguns professores novos também chegavam. Aguardávamos um professor estreante, de História da Igreja. Você, muito sociável, começou a conversar com um novato. Propôs a ele participar de um trote para o novo docente. Entra o Olinto, reitor do IFT e diz: “vim apresentar o novo professor de História, o Hollien, recém chegado da Universidade Gregoriana de Roma. Mas acho que nem preciso fazer isso, ele está ali conversando animadamente com o Eduardo”.
Mudando de assunto. Você é um cronista dos melhores. Vá avivando a memória e conte pra nós umas histórias do começo dos sessenta. Lembra das muitas passeatas e agitações de 65, 66 e 67? Você participou de muitas. Deve ter passagens bem interessantes para contar. Mande o texto em Word para mim, o Tonhão ou o Kuller. A gente põe as histórias aqui no blog para você.
Última coisa. Você lembra do Joviano de Lima Júnior, nosso colega de classe? Ele é hoje o arcebispo de Ribeirão Preto. Antes foi bispo de São Carlos. [Se calhar, vou convidar o Joviano para contar histórias aqui no blog]. Abraço grande, Jarbas.
Fevereiro 26, 2008 às 3:45 am |
Puxa, conseguimos uma participação do Eduardo Sposito. Só por isso já vale a feliz idéia do Küller de criar esse blog. Podem não acreditar mas isso é uma coisa rara e difícil. Ainda mais considerando que estamos no chamado “mundo virtual”. Viva Edu, espero que essa seja a primeira de muitas participações.
Sobre a Galeria Metrópole não posso dizer muita coisa, pois nessa época era um “garoto do interior”, mas me lembro muito bem dela e especialmente do cinema que abrigava, pois nessa época, não sei bem se em 68 ou 69 estive em Sampa e foi lá que assisti o documentário sobre o famoso festival de Woodstock!
http://escoladorock.wordpress.com/2007/10/02/toda-historia-de-woodstock-69/
Fevereiro 26, 2008 às 4:59 pm |
ótima iniciativa. 68 é um ano muito marcante.
de cá, eu tentava não ser expulso do saco do meu pai em alguma masturbação alucinada ou com alguma puta safada. dei sorte e cai dentro da minha mãe. hehehe.
conhecem o bde?
http://www.bardoescritor.net
Fevereiro 29, 2008 às 2:22 pm |
Olá Jarbas!!!
Quase que a gente que a gente se encontra por lá…
Na verdade eu não frequentava o Ponto de Encontro, mas fui, algumas vezes com uma amiga de faculdade e o Prof. José Mário em um “inferninho” que havia, entre muitos outros, nos subsolos da Metgrópole. A primeira vez que fui lá com a amiga e o professor José Mário bebi um “cuba-libre” e, como na época não bebia nada, fiquei zonzo, me enrabichei com uma negra linda, enorme – muito alta para os meus pobres 1:74m – e a pedi em casamento:
- “Que é isso nenem…sou de casar não. Vamos dançar.”
Naquele cinema vi um filme, em preto e branco, cujo nome não me recordo mas que me marcou muito: tratava de um assalto em um vagão do metrô de NY; o filme inteiro se passa no metrô e me parece que o nome tem a ver com Incidente…O Juvenal pode me salvar e nos oferecer o nome do filme, do diretor, dos principais artistas e outros que tais… Mas o cinema que eu mais gostava de ir era o Marrocos, naquela ruazinha que liga os fundos do Municipal com o Largo do Arouche…Era lindíssimo, tinha um hall enorme e qualquer hora eu conto uma história que me aconteceu naquele cinema… Lá vi o Woodstock e um clássico do cinema nacional: O CASO DOS IRMÃOS NAVES, que me ajudou muito a compreender as limitações do homem frente a força bruta.
Mas como o “pensamento parece uma coisa a toa mas como é que ele voa” (?) acrescento: no aniversário do Salgado do ano passado, em conversas com o Luís Carlos, tive notícias do Eduardo e de um grande amigo meu, o Chico Faraco; este, quando trabalhamos juntos em Botucatu, me disse uma que uma vez ficou bêbado em sua casa e que morria de vergonha por ter vomitado em seu banheiro… Quando lhe disse que havia te contado esta história e que você nem se lembrava, se sentiu aliviado…Eu aprendi a beber só lá pelos anos 70: gostei muito, talvez um pouco a mais que devesse gostar!
Orlando.
Abril 15, 2009 às 12:22 pm |
ola, bom pelo visto voês tem um conhecimento sobre a história da galeia, etou fno um trabalho da faculdade e nele preciso da história da galeria, o que erante de ser a galeria metropole, o ano que foi inaugurada, o impacto q ela causo, o q funcionava quando inaugurou e o que funciona hoje, o arquiteto q a construiu e se possivel mais informações importantes.
obrigado, epseroq possam me ajudar.
Maio 6, 2009 às 3:43 pm |
Alguem se recorda da Boite Open Door da Nancy? Um dos locais mais charmosos que conheci em 68.
Maio 23, 2009 às 10:39 pm |
Me lembro do Café Mon, Barroquinho, Phidias, e muito mas muito mesmo, viados circulando por lá. Era a época do desbunde, da Miss America, Maysa e outras bichas menos famosas. Era divertido.
Maio 28, 2009 às 1:15 pm |
Ola pessoal
conheço a galeria metrópole desde os anos 80 , tenho la uma clínica
atualmente estamos com um rombo de milh~~oes , pois foi construido um poço artesiano que cusou ( 3, milhões de reais , ) sendo que ja foram vendidos em água 1.900.000hum milhão e novecentos mil,os crimonosos estão soltos por enquanto.
o cinema acabou e hoje lutamos , para o falabela abrir uma boate, o que será em breve…..
caso alguém tenha fotos da época , entrem em contato , também , disponibilizamos espaços , para a cultura , exposições , amostras e etc
um abraço